Sociedade

Um Abraço contra a discriminação

Escrito por Miguel Dias

Ontem, no dia em que se assinalou o Dia Mundial de Luta Contra a Sida, o Teatro São Luiz, em Lisboa, recebeu um evento muito especial: a 25ª Gala da Abraço. Foi um espetáculo de transformismo com atuações cheias de cor e ritmo e homenagens carregadas de sentimento a personalidades relevantes no universo LGBT português.

Apesar da noite fria, fervilhava-se de excitação à porta do Teatro, enquanto os convidados especiais e o público comum que não quis perder este momento esperavam para entrar. Na multidão destacavam-se figuras públicas como o vereador da Ação Social da Câmara de Lisboa,Ricardo Robles, os socialites José Castelo Branco e Lili Caneças, e ainda o cantor Carlos Costa. Todos foram recebidos pela vencedora do prémio de melhor imagem, Laysa Star, que, quando recebeu a sua distinção, mais tarde, no palco, confessou ter sido um enorme prazer ter tido contacto com todo aquele público e ser um privilégio dar as boas vindas à gala.

Inês Castel-Branco e Diogo Faro foram os apresentadores de serviço, cujo toque de glamour e humor combinou perfeitamente com todo o ambiente. Foram eles que nos guiaram através dos vários números de transformismo. Com um guarda roupa deslumbrante, músicas escolhidas a dedo e coreografias cativantes, estas artistas deram o seu melhor nesta gala de aproximadamente quatro horas. Estas atuações foram avaliadas pelo público e pelo júri convidado, tendo sido escolhida como vencedora a talentosa Big Mama.

Big Mama presenteou-nos com um momento especial que juntou o tradicional playback com momentos hilariantes. O agrado do público tornou-se claro pelos calorosos aplausos e as sonoras gargalhadas. Também muito apreciadas pelo júri e pelo público foram as atuações de Cher No-Billz e Simone De La Dragma, que, para além das suas performances energéticas, fizeram questão de deixar claro os pedidos de um sistema de saúde competente para todos e o fim da discriminação e da homofobia.

Pode-se ainda destacar a homenagem feita por José Raposo a Valentim de Barros (vídeo em baixo), que, com grande sentimento, relembrou este bailarino travesti que terá estado internado num hospital psiquiátrico, por quase quarenta anos, pelo simples facto de ser homossexual.

 

Diogo Piçarra deixou também a sua marca neste evento memorável cantando O Homem do Leme, dando a sua homenagem a Zé Pedro, guitarrista dos Xutos e Pontapés falecido na passada quinta-feira. O cantor mostrou a sua admiração pelo falecido guitarrista dizendo que “É muito difícil um português agradar a todos os portugueses, e, por isso, uma salva de palmas para o Zé Pedro”.

Para finalizar esta noite em grande, Débora Kristall, interpretada pelo transformista Fernando Santos, o diretor artístico desta gala, presenteou-nos com uma atuação em conjunto com os restantes membros da equipa da conhecida discoteca Finalmente.

Vídeo e fotos: Miguel Dias / ARDINAS 24

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Miguel Dias

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