Cultura

Dan Brown apresenta novo sucesso em Lisboa

Escrito por Miguel Dias

“Origem” é o título do novo livro do famoso autor norte-americano Dan Brown. Pela primeira vez, Dan Brown veio apresentar a Portugal a nova aventura, mais uma vez repleta de enigmas, de Robert Langdon. Sucesso é, sem dúvida, a melhor palavra para descrever este evento. As filas eram longas, algumas pessoas com bilhete na mão e outras à espera da oportunidade de entrar. Ao todo, 1500 pessoas encheram o auditório principal do Centro Cultural de Belém no passado domingo e, com grande entusiasmo, receberam o escritor.

Dan começou por identificar os seus pais como os principais culpados pelo seu sucesso e pela escolha dos temas polémicos. A sua mãe, uma católica devota, liderava o coro da igreja local, onde o próprio Dan Brown chegou a cantar. A devoção da progenitora era tanta que ia mesmo ao ponto de a matrícula do seu carro ter a palavra “kyrie” (“Senhor” em grego) escrita. Por outro lado, o seu pai era um homem da ciência, um matemático e autor de vários livros sobre o assunto. Era tão aficcionado que tinha como matrícula a palavra “Metric”, em alusão ao sistema de medida métrico. Apesar das grandes diferenças de ideologia no seio da família, Dan nunca viu a necessidade de escolher uma delas e o conflito não existia. O carismático escritor contou, em tom de brincadeira, que ter dois pais tão diferentes e tão peculiares fez com que o seu primeiro encontro amoroso fosse apenas na universidade.

Foi com 11 anos, quando uma colega e amiga faleceu, que o jovem Dan começou a questionar a legitimidade e realidade da Igreja. Ao ouvir o padre dizer que o facto de aquela sua amiga ter falecido fazia parte do “plano de Deus”, pensou que esse era o “pior plano de sempre”. Mais tarde, quando começou a ser confrontado com a teoria da evolução e as questões começaram a surgir, dirigiu-se a um padre e perguntou quem teria razão, se a ciência ou a religião, e o padre rapidamente respondeu que “bons rapazes não fazem questões”.

Foi assim que passou a questionar e a pesquisar sobre este assunto. O livro “Origem” aborda, mais uma vez, a maneira como a ciência ameaça o rumo da Humanidade no que toca à religião. Na opinião de Dan Brown, isto pode vir a acontecer visto que, na base da religião, está um “Deus de lacunas”. Comparou assim o Deus apresentado pela Igreja com os deuses da antiga mitologia, usados para justificar fenómenos científicos não compreendidos, como Thor e Poseídon. Com a ciência a desenvolver-se cada vez mais depressa, Dan Brown admite que que sabe “com que se parecerá a espiritualidade humana no futuro”. Mostra-se ainda preocupado com a possibilidade de as bases morais dos seres humanos não se desenvolverem tão depressa quanto a ciência.

O CCB encheu-se para ouvir a apresentação do novo êxito de Dan Brown.

Houve ainda tempo para falar sobre a sua experiência em Hollywood, de quando as suas obras foram adaptadas ao grande ecrã. Confessou que inicialmente não queria que as suas obras fossem transformadas em filmes, dado que, na sua opinião, muito se perde neste processo, principalmente a possibilidade de imaginar todo o enredo. Foi então que recebeu um fax explicando que as suas obras eram tão revolucionárias que todos deviam ter acesso, incluindo aquelas pessoas que não as leem, e passou a ver a possibilidade com outros olhos.

O autor deu rasgados elogios a Tom Hanks e falou do grande sentido de humor do ator. Recordou, com um sorriso, a altura em que estava na Irlanda a preparar-se para um jantar de gala em que teriam de ir vestidos com roupa de gala. Como teve dificuldades em vestir o seu kilt, Tom Hanks ajudou-o e perguntou-lhe se alguma vez tinha imaginado que estaria ali com ele a ajudá-lo a vestir uma saia.

Várias perguntas surgiram da parte da audiência. A primeira de todas foi, claro, se considerava fazer um livro com base nos mistérios de Portugal, ao que Dan Brown respondeu prontamente que sim, tendo adicionado ainda que poderia até ser relacionado com as cifras de Sintra. Outra pergunta curiosa foi também se a personagem Robert Langdon seria uma representação de Dan Brown. A resposta foi surpreendente: Robert Langdon é a pessoa que o autor gostaria de ser, alguém mais corajoso e inteligente e com uma vida mais entusiasmante que a do próprio. Revelou ainda que já terá vendido os direitos da obra a Hollywood para ser feita a sua adaptação, mas confessou que idealiza que seja transformada numa série em vez de num filme.

O escritor despediu-se agradecendo a todos os presentes na plateia do CCB – pessoas que, tal como ele, são amantes de livros. São estes mesmos livros que Dan Brown considera artefactos que possibilitam o diálogo tão essencial nos dias de hoje.

Fotos: Miguel Dias / ARDINAS 24

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Miguel Dias

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