Crónicas Pontos Nos I's

Vive la République. Vive la France

Escrito por Goncalo Nuno Cabral

O tema que abordo hoje vem um pouco atrasado mas não poderia deixar de falar de um assunto que julgo ser da maior importância não só para a França mas principalmente para toda a Europa.

França foi a votos no domingo e ditou que Emmanuel Macron e Marine Le Pen seguissem juntos para disputar a segunda volta no próximo dia 7 de maio. Se é bom que um moderado seja o próximo Presidente do país, é muito preocupante que uma radical, racista e xenófoba tenha essa mesma possibilidade. Confirmou-se o melhor resultado de sempre da Frente Nacional.

Mas há ainda outras ilações que necessitam de ser retiradas deste ato eleitoral. Nenhum dos candidatos que representavam os partidos ditos tradicionais – Republicanos e Socialistas – conseguiu passar à segunda volta. Os socialistas liderados por Benôit Hamon não conseguiram mais do que 6,76% e François Fillon ficou-se pelos 20,01%. Estes resultados mostram bem em que estado está a política não só em França como em toda a Europa. As eleições na Áustria e na Holanda são o espelho de que nada do que tínhamos como garantido está a acontecer.

O mais provável vencedor da eleição presidencial, Emmanuel Macron, foi, sem dúvida, a grande surpresa. Se for eleito, será o presidente mais novo da história da França, não sendo apoiado por nenhum grande partido. Foi ministro da economia de Hollande, mas desertou e criou o seu próprio movimento para alcançar o seu objectivo. O “traidor” socialista, como foi considerado por muitos, alcançou o que muitos julgavam impossível.

As sondagens para a segunda volta dizem que Macron vence confortavelmente Le Pen com mais de 60% dos votos. Socialistas e Republicanos já apelaram ao voto em Macron para impedir o avanço da extrema-direita e uma possível vitória (inédita) de líder da Frente Nacional.

Mas há um erro. Grave, por sinal. É necessária uma união massiva dos partidos moderados para travar o avanço da extrema-direita. Ao invés de haver uma reflexão profunda do que se está a passar no país para que isto ocorra, os principais intervenientes decidem remediar a situação. E está mais do que visto que nada pode remediar o mal que está a ser feito.

A arrogância, a hipocrisia e a desorientação do principais líderes políticos é gritante ao ponto de não perceberem que já não é com palavras bonitas que se eliminam os extremismos. Enquanto não houver uma refundação profunda dos valores europeus e do espirito que criou esta União, vamos continuar a ter de lidar com os mesmo problemas.

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Goncalo Nuno Cabral

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