Crónicas Pontos Nos I's

As teorias da vacinação

Escrito por Goncalo Nuno Cabral

O debate não foi lançado esta semana e já corre na sociedade portuguesa há muitos anos. A questão sempre foi vacinar ou não vacinar. A questão está longe de ser unânime havendo múltiplos estudos a favor e contra esta prática, e devidamente fundamentados.

Pessoalmente sou a favor da vacinação. Acho que a teoria do “não precisamos de estar vacinados porque 90% dos que me rodeiam estão” é tão demagógica quanto ridícula. A prova do falhanço desta teoria é a morte da adolescente de 17 anos, que foi contagiada por um bebé de apenas 13 meses. Os pais eram anti-vacinas e os próprios médicos, na altura indicada para administrar a vacina, desaconselharam a toma.

Só para termos uma noção, já não morria ninguém com sarampo há mais de 20 anos. Duas décadas. Isto diz bem da importância da vacinação. Ainda assim há que dizer que o Plano Nacional de Vacinação – onde estão incluídas as vacinas que o Estado fornece a título gratuito e que contém a prevenção das doenças mais graves – NÃO é obrigatório. Ou seja, qualquer pai ou mãe pode recusar num hospital que o seu filho seja vacinado. Na Austrália o cenário é precisamente o oposto. É obrigatório que se cumpra o plano de vacinação sob pena de os cidadãos não tenham acesso a quaisquer prestações sociais ou outros benefícios concedidos pelo estado.

Acho que extremar posições nesta matéria proporciona um confronto que em nada ajuda o problema, que precisa de uma solução. O que não podemos fazer é colocar em perigo vidas de seres humanos que não têm culpa da opção dos pais ou dos outros que se decidam por não vacinar. Como diz Ricardo Araújo Pereira (e bem) na sua crónica semanal na revista Visão, os “militantes anti-vacinas” deviam “ser livres de desfrutar ainda mais plenamente da sua opção de vacinar os seus filhos, e possam ir viver para o século XVIII”.

Não peço unanimidade mas sim consciência e bom senso. É verdade que somos um Estado de Direito em que cada um goza das suas liberdades individuais. O que não nos podemos esquecer é que a nossa liberdade termina quando começa a do outro. E não há direito de colocar a saúde de quem for em risco em nome de uma escolha que não está provada que seja a melhor.

Sobre o autor

Goncalo Nuno Cabral

Deixe um comentário