Cultura

Mais Respeito Que Sou Tua Mãe: casa cheia para o regresso de Joaquim Monchique

Escrito por Sofia Costa Lima

O ARDINAS24 foi ao Casino de Lisboa e saiu de lá a ganhar. O motivo? Fomos ver a estreia da peça “Mais respeito que sou tua mãe”, com Joaquim Monchique. A aposta não podia ter melhores resultados.

É praticamente impossível falar-se de teatro sem que o nome de Joaquim Monchique surja. O actor português comemora 30 anos de carreira e, para celebrar, decidiu resgatar uma das peças de maior sucesso do seu currículo: “Mais respeito que sou tua mãe”.

A nova versão da peça traz novamente a cena Esmeralda e os dramas da família mais conhecida da Baixa da Banheira: a família Bartolomeu. E a vida de Esmeralda Bartolomeu não podia estar mais complicada: o marido está desempregado e só pensa em ver futebol, o sogro tem 80 anos mas fuma mais marijuana do que o seu filho mais novo, a filha tem uma vida sexual mais desenvolvida e animada do que a sua e o filho mais velho é homossexual… e depois já não é. Descanso é algo que parece não haver naquela casa.

E como descrever esta peça? Podemos começar com as palavras do próprio Monchique, no final da peça: “não tem interesse nenhum e é cheia de ordinarices”. Há que concordar num ponto – a linguagem não é, de todo, cuidada. Há palavrões e algumas expressões com ordinarices, é certo, mas não são usadas de forma exagerada nem deixam os espectadores incomodados.

Num cenário cheio de pormenores que fazem lembrar algumas casas bem portuguesas (assim como muitos momentos da peça o fazem), Joaquim Monchique, que veste a pele de protagonista e mãe de família, é também responsável pela encenação e adaptação da peça originalmente escrita por Hernán Casciari, além de colaborar com Rui Filipe Lopes na cenografia e de ter Ana Brito e Cunha como assistente de encenação.

O ator Luís Monchique celebra 30 anos de carreira.

É certo que Joaquim Monchique enche completamente o palco com a sua presença, mas é necessário realçar também as grandes prestações de Luís Mascarenhas e de Joel Branco, nos papéis do marido e do sogro de Esmeralda Bartolomeu, respectivamente, assim como Rui Andrade, que mostrou mais uma vez ser dono de uma grande voz. Com casa cheia em noite de estreia – na noite anterior tinha havido espectáculo de ensaio solidário -, no final ficou a certeza de que Joaquim Monchique pode ser o que quiser: seja ele Deus ou uma mãe da Baixa da Banheira. Afinal, o palco é a sua casa e ao público resta aplaudir, de pé.

A peça conta com Joaquim Monchique, Luís Mascarenhas, Joel Branco, Rui Andrade, Tiago Aldeia e Rita Tristão da Silva e está em exibição no Auditório dos Oceanos, no Casino Lisboa, de quinta a sábado às 21h30 e ao domingo às 16h30.

Sobre o autor

Sofia Costa Lima

1994 foi um ano bom: estreou o Pulp Fiction, o Rei Leão e FRIENDS, e foi o ano em que os Muse se formaram. A par de tanta coisa boa, nasci eu, numa aldeia chamada Fiães, no interior do país, onde algumas operadoras continuam a não ser uma boa opção para redes móveis.
Em 2016 licenciei-me em Jornalismo, na Escola Superior de Comunicação Social, em Lisboa, onde colaborei em alguns dos núcleos extracurriculares. Pelo meio publiquei dois livros e comecei a escrever mais de uma dezena deles, que nem sempre terminei. Tenho um blog, sou adepta do FC Porto e dona de uma cadela espetacular.
Continuo a acreditar numa versão de mim que vai viajar pelo mundo, ler muitos livros e ver ainda mais concertos. Até lá, é possível que me encontrem sempre com fones por perto.

Deixe um comentário