Crónicas Dictum Et Factum

“Homeland”

Ou, na tradução portuguesa, “Segurança Nacional”, é uma série norte-americana que contempla um tema da atualidade: o terrorismo. Dir-se-á que é ficção. O problema é que as cenas de drama e terror parecem transpor-se do pequeno ecrã para a realidade. Num ápice já não é ficção, é outra coisa qualquer bastante grave e preocupante.

Num dos episódios da quinta temporada há uma ameaça de ataque com armas químicas, nomeadamente o gás sarin, tendo a série demonstrado os efeitos do mesmo: paragem respiratória, sudação e espasmos musculares, perda de consciência e paralisia neural, secreções nasais e bucais, vómitos e náuseas. Tudo somado e dividido resulta na morte da pessoa no espaço de um a 10 minutos após inalação, ingestão ou contacto com a pele.

Quando vi fiquei chocado. Sabia que esse gás já tinha sido utilizado no passado, mas estava longe de admitir que dentro de pouco tempo viesse a ser uma realidade. De facto enganei-me redondamente. Prova disso foi o ataque levado a cabo por Assad no passado dia 4 de abril à cidade de Khan Shaykun, onde aviões bombardearam a cidade ocupada por rebeldes anti-Assad, precisamente com gases neurotóxicos do tipo sarin, cujo resultado foram 86 mortos e cerca de 600 feridos. Pagaram a fatura as figuras do costume: os inocentes. E morreram precisamente da forma que descrevi no último parágrafo.

Quando a ficção passa a realidade, algo está profundamente errado. A minha tia já disse inúmeras vezes que esta é a nova Terceira Guerra Mundial, uma guerra despida de declarações de guerra oficiais, despida de caras, despida de valores e, no fundo, despida de tudo aquilo que é ético, moral, religioso, sagrado e de qualquer mínimo sociocultural existente.

Na minha modesta opinião, a resposta de Trump não podia ter sido outra que não o bombardeamento da base de Shayrat, donde terão partido as aeronaves governamentais que bombardearam a cidade de Khan Shaykun. Não se negoceia com terroristas, ponto final, parágrafo.

Se a Rússia ficou ofendida com este ataque, por de alguma forma compactuar com o Governo de Assad, isso é algo que não pode servir de impedimento a rigorosamente nada no futuro por parte das forças americanas e seus aliados. A Rússia, sendo uma potência mundial, tem de ter consciência dos seus atos e a quem os dirige. Não pode nem deve ficar do lado errado da história neste momento, sob pena de ser cúmplice destes atos. E aqui não há cinzento. Há que escolher: ou preto ou branco.

Por via das dúvidas, por agora limitar-me-ei a ver bonecos animados: ao menos tenho certeza de que não os verei transpostos para a realidade daqui a uns tempos.

Sobre o autor

Belarmino Costa da Silva

Sou finalista da Faculdade de Direito de Lisboa. Trabalho num Call Center da EDP. Escrevo, penso, digo e faço de tudo um pouco. Não necessariamente por esta ordem.

Tenho uma vida própria mas só aos fins-de-semana. Às vezes nem isso.

Tendencialmente de esquerda.

1,90 m. 74kg.

O prazer é todo meu.

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