Cultura

CNB: a dança representada n’A perna esquerda de Tchaikovski    

Escrito por Carolina Pereira

A história dançada de Barbora Hruskova. Uma bailarina perto da “reforma” que revisita o passado acompanhada pelo piano de Mário Laginha. “A perna esquerda de Tchaikovski” é um dos espetáculos que assinalam os 40 anos da Companhia Nacional de Bailado.

O bailado “A Perna Esquerda de Tchaikovski” da Companhia Nacional de Bailado (CNB) está em cena no Teatro Camões e conta, de forma dançada, a história real de Barbora Hruskova. O retrato é feito na primeira pessoa e na ponta da perna direita desta bailarina francesa, de 44 anos, que se despede dos palcos com um adeus pouco certo.

Os dois pés, um em ponta e outro, o da “perna estragada” e com um dedo partido, descalço, assinalam o binómio “bailarina” vs “bacante” que se perde na leveza dos movimentos da artista, que em palco voa, reflete e recorda.

Ao dançar conta, num português salpicado das origens francófonas, e representa uma história que é a sua. Filha de pais bailarinos, Barbora nunca teve corpo de bailarina – pés e ombros largos como um anti-cisne –  mas sempre dançou por cima dessas adversidades. Conta como em pequena esgotava sempre a plateia de dois nos espetáculos que dava no quarto para os pais, fala do amor que se cria a uns elásticos que assentam bem em quaisquer pontas, como dói a perfeição dos movimentos, como dançar por ofício estraga a capacidade de dançar socialmente, um pouco mais de dor e de êxtase em palco, as horas de treino, a costela partida, a tripla cirurgia ao pé e outras mazelas que desgastaram o corpo mas nunca a vontade de palco.

Num espetáculo verdadeiramente intimista, e de grande profundidade emocional, Barbora Hruskova e Mário Laginha tomam o palco e revelam uma relação forte. O músico compôs a banda sonora que acompanha o espetáculo e executa-a num diálogo interminável.

Em palco só o necessário: um quadro de ardósia onde podem ler-se palavras-chave como “omoplatas”, “dedo do pé partido”, “espasmo muscular nas costas” ou “1997”; o piano; uma barra de bailado. E os dois elementos que dão vida a estes objetos: bailarina e pianista.

A peça-bailado faz parte da digressão nacional que assinala os 40 anos da CNB e começou a 9 de março. Uma hora e meia de espetáculo, originalmente escrito por Tiago Rodrigues, depois de horas de conversa com a bailarina, encenado por Cristina Piedade (desenho de Luz) e estreado em 2015.

Paulo Ribeiro, Diretor Artístico da CNB, disse sobre esta data que “é notável que se celebrem 40 anos com uma atividade inédita para a Companhia Nacional de Bailado. Pessoalmente não tenho memória de ver um reportório tão vasto a circular de forma tão intensa por todo o País.”

Datas da digressão nacional:

Centro Cultural e Congressos, Angra do Heroísmo 25 de abril de 2017, às 21h30

Teatro Municipal Baltazar Dias, Funchal 29 de abril de 2017, às 21h30

Teatro Nacional São João, Porto 5 de maio às 21h30 e 6 de maio às 18h30

Cine-Teatro Constantino Nery, Matosinhos 11 de maio de 2017, às 21h30

Centro de Artes de Ovar 18 de maio de 2017, às 22h

Teatro Ribeiro Conceição, Lamego 21 de maio de 2017, às 16h

Centro Cultural de Lagos 28 de maio de 2017, às 18h30

Centro Cultural António Aleixo, Vila Real de Stº António 1 de junho de 2017, às 21h30

Teatro das Figuras, Faro 4 de junho de 2017, às 18h30

Tempo, Teatro Municipal de Portimão 8 de junho de 2017, às 21h30

Pax Julia, Teatro Municipal, Beja 11 de junho de 2017, às 18h

Teatro Viriato, Viseu 17 de junho de 2017, às 21h30

Fórum Municipal Luísa Todi, Setúbal 21 de junho de 2017, às 21h30

Teatro-Cine de Torres Vedras 24 de junho de 2017, às 21h30

Centro Cultural Gil Vicente, Sardoal 29 de junho de 2017, às 21h30

Centro de Artes de Sines 1 de julho de 2017, às 21h30

Teatro Municipal Joaquim Benite, Almada (Festival de Almada) 8 de julho de 2017, às 21h30 9 de julho de 2017, às 18h30

Centro Cultural Raiano, Idanha-a-Nova 15 de Julho de 2017, às 21h30

 

Fotografias de Bruno Simão, cedidas pela Companhia Nacional de Bailado

Sobre o autor

Carolina Pereira

Quando era miúda gostava de chaves e cusquices. Via as vizinhas, de chave na mão, na conversa e queria imitar. Fascinavam-me as experiencias de vida dos outros e aprendia muito com elas.
No fundo já aqui havia em mim aquele bichinho de curiosidade e interesse que cresceu e que me levou ao jornalismo. Também quis ser professora de português mas com o tempo o meu caminho tornou-se mais claro- Contar histórias. O que me move é sobretudo o interesse e o questionamento perante toda a nossa existência. Se puder fazer disso a minha vida, seja qual for o meio, vou ser feliz.
À parte isso, sou da Amadora, não gosto de cafés com sabores, não troco nada por uma boa conversa entre amigos e acredito neste projeto desde o primeiro dia.

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