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Um…dois portugueses no topo do mundo

Escrito por Goncalo Nuno Cabral

Já lá vai o tempo dos Descobrimentos, o período áureo da História de Portugal que tanto trouxe reconhecimento ao país e principalmente à bravura e a persistência do povo português. Desde então poucos têm sido os momentos para celebrar e elevar  o nosso patriotismo.

Apesar da descrença, esta semana temos razões para acreditar que somos capazes, que temos capacidades e que não desistimos de lutar por aquilo em que acreditamos. O sinónimo daquilo que acabei de escrever pode chamar-se António Guterres ou Cristiano Ronaldo. E não, não há aqui exageros ou excesso de amor à pátria. É sim reconhecer o mérito de quem leva o nome do nosso país além fronteiras e prestigia-o a cada dia.

Ninguém me levará a mal se começar por Cristiano Ronaldo. É, pela quarta vez, considerado o melhor jogador do mundo depois de uma época de sono ao vencer  a Liga dos Campeões e o inédito título europeu pela seleção nacional. Está há oito anos a ser um vencedor permanente e desde os 17 que pisa os relvados ao mais alto nível. Ninguém duvida do seu percurso exímio marcado por muito sacrifício e esforço mas esta semana dá um passo de gigante para ser um dos maiores desportistas portugueses e do mundo (se já não o é).

Um dia depois de sabermos deste prémio, é a vez de outro português chegar ao cargo mais importante a nível internacional. Uma decisão unânime inédita do Conselho de Segurança da ONU levou António Guterres a prestar juramento como novo secretário-geral da organização. Depois de Marcelo Rebelo de Sousa confidenciar que antigo-primeiro ministro um dia quis salvar o mundo, chegou a hora de o poder concretizar.

Em Portugal e um pouco por todo o mundo é consensual que Guterres marca uma nova era nas Nações Unidas. Um homem reconhecido pelos anos em que foi primeiro-ministro e principalmente pelo trabalho brilhante e exemplar do qual foi protagonista no Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados. Depois de um mandato discreto de Ban Ki-moon, não será difícil fazer um mandato mais pro-ativo e com uma maior magistratura de influencia perante a Assembleia Geral e principalmente sobre o poderoso Conselho de Segurança. E o discurso de tomada de posse não deixou de ser uma (necessária) chamada de atenção para on conflitos de interesses que têm de ser ultrapassados para acabar, por exemplo, com a guerra na Síria. Guterres diz que sem o diálogo o mundo não volta aos tempos de prosperidade económica e paz.

Duas grandes figuras a nível mundial que são portugueses. Se há uns anos ninguém vislumbrava que isto pudesse estar a acontecer, hoje é uma (feliz) realidade que só nos pode deixar orgulhosos do país onde nascemos. Num território de pouco mais de dez milhões de habitantes conseguimos cada vez mais afirmar o nosso valor lá fora. Num mundo cada vez mais competitivo, há que salientar aquilo que temos de melhor. E nós temos os melhores.

Sobre o autor

Goncalo Nuno Cabral

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