Cultura

Uma energia Rosa Sangue

Escrito por Sofia Felgueiras

Casa cheia para mais uma ronda do Arena Live, desta vez com Amor Electro. Marisa Liz e a sua banda fizeram justiça à qualidade dos concertos em bom português do Casino Lisboa, que decorrem até ao final do ano.

“Imaginem estarmos aqui sozinhos. Era espetacular. Mas não era tão espetacular sem vocês”.  Os andares superiores estão cheios, a Arena vibra; há quem salte, há quem dance, mas todos viveram de forma intensa este show com mais de hora e meia. É tão bonito quanto admirável a quantidade de pessoas que sabem as letras de cor, de um grupo que já não precisa de cartão de visita.

Não são só mais uma banda. São a marca do electro-pop em Portugal. São o grupo que consegue juntar as raízes tradicionais àquilo que se faz agora em termos de batidas. A energia e vitalidade da voz que enche a plateia deixa qualquer um de coração cheio. E power não lhes falta. Escrevem em português e é uma tradição a manter. São feitos os merecidos elogios e cantam-se temas de outras bandas como Sétima Legião e Ornatos Violeta, para prestar homenagem ao que a música portuguesa tem de melhor.

Neste serão não faltaram os sucessos obrigatórios, como Juntos Somos Mais Fortes, Rosa Sangue, Mar Salgado, Amor Maior e “aquele que deu início a tudo isto”, o tão conhecido A Máquina. Foram muito claros desde o início: “Bora lá partir isto tudo, porque é o Casino. Quer isto dizer que se pode fazer todo o barulho e que não há aqui crianças para deitar”.

É de notar o grande sentido de humor de Marisa: “Gostava que sentissem todos a música, por isso, agora, todos de olhos fechados. Mas fechem as malas, só naquela”. E porque nunca é demais repetir, ainda fez questão de deixar bem claro: “ Se não fosse o vosso apoio, não estávamos aqui. Estávamos ali. Até estar aqui outra vez”.

Não deixou de ser um concerto muito intimista, que cativa aqueles que não são seguidores frequentes, mas que desperta um lado muito intenso de quem é fã assumido. A banda de Tiago Pais Dias, Mauro Ramos, Ricardo Vasconcelos e Rui Rechena é responsável por brincar com as emoções do público, levando-os da paixão ao ódio e da mágoa ao amor.

É inegável a paixão e o carinho entre o casal – Marisa e Tiago – teclista que disse ser a primeira vez que assistia a um concerto dos Amor Electro, soltando uma gargalhada geral pela sala.

Depois de Cai o Carmo e a Trindade e (R)Evolução, o terceiro disco é mais do que aguardado. Fica no ar a promessa de que “está quase, quase”.

 

Fotos: Carina Ferreira / ARDINAS 24

Sobre o Autor

Sofia Felgueiras

Escrever sobre mim própria é um enorme desafio, mas é também algo aliciante.Talvez porque o Jornalismo foi feito para contarmos como é o mundo às pessoas e não olharmos tanto apenas para nós.
Sou uma eterna criança. Onde há um baloiço, aí está a Sofia. Sei que tenho curiosidade infinita sobre o mundo, continuo todos os dias a perguntar “porquê” e arregalo os olhos a cada descoberta. Gosto daquele sentimento de novidade.
Sou uma eterna apaixonada: pelo mundo, pelo Algarve, por viajar e pelo que a vida tem de melhor. E por "gordices", claro.
Quando era pequena, a minha professora da primária disse-me que eu ia ser escritora. Disse-lhe que não. Entretanto, quis ser veterinária. Mas, os animais mordem e rapidamente desisti da ideia. Aos catorze queria seguir dança.
Hoje, vejo que não foi esse o caminho. É outro. Olho para o Jornalismo
enquanto a arte de levar às pessoas as melhores histórias e uma pequena marca que pode fazer uma grande diferença.
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