Pelas Ruas da Memória Rubricas

Pelas Ruas da Memória – Sinhazinha Flô

Escrito por Miguel Meira

Na minha rubrica Pelas Ruas da Memória recordo hoje mais uma novela de época, das primeiras que passou no nosso país. Chama-se Sinhazinha Flô e foi exibida de 23 de junho de 1980 a 29 de agosto de 1981 na RTP 2, contando com 82 episódios. É uma novela de Lafayette Galvão, inspirada em três romances de José de Alencar. A direção geral esteve a cargo de Herval Rossano. No Brasil tinha sido exibida na Globo, pelas 18 horas, entre 25 de outubro de 1977 e 27 de janeiro de 1978.

A novela estreou a 23 de junho de 1980 e começou a ser exibida de segunda a sexta pelas 21 horas na RTP2. A partir de 9 de agosto passou também a ser transmitida aos sábados, passando a ser exibidos dois capítulos por dia.

Esta novela decorre nos finais do século XIX, em 1880, numa época escaldante no Brasil, com a libertação dos escravos e a lei da eleição direta que vai abrir o caminho para a implantação da República e para o fim do Império.

A ação centra-se na personagem de Flô (Bete Mendes), filha de Gervásio Campelo (Castro Gonzaga) e de Ermelinda (Ana Lúcia Torre). O pai era o dono de um engenho da Fazenda das Paineiras, era muito severo apesar de boa pessoa. Tinha dois irmãos: Chiquinha (Thaís de Andrade) e Brás (Ricardo Garcia). Flô desconhece é que foi adotada pelos pais, sendo que vai tentar ao longo da novela descobrir esse segredo com a ajuda da irmã e de Arnaldo (Eduardo Tornaghi), o vaqueiro por quem se apaixona.

Flô e toda a sua família apoiam ativamente o movimento abolicionista, no entanto o mesmo não se passa com Fragoso (Ary Coslov) que é contra a libertação dos escravos e que tem um amor doentio por Flô. Mesmo depois de vários obstáculos esta descobre a sua origem e consegue viver finalmente o seu romance ao lado de Arnaldo. Fragoso ao longo da novela comete uma série de crimes e será preso no final, deixando Flô livre para viver o seu amor.

Tal como a maior parte das novelas desta altura as editoras publicaram vários livros com a história de Sinhazinha Flô e também dos romances de José de Alencar que deram origem a esta trama. Próximo do final, a revista Plateia publicou uma edição especial sobre a novela.

A novela serviu para comemorar o centenário da morte do autor José de Alencar, com a adaptação de três dos seus livros. Nesta trama existe uma preocupação em mostrar a luta pela emancipação das mulheres vivida por três personagens: Flô, Chiquinha e Clotilde (Heloísa Raso).

O autor da novela, Lafayette Galvão, é também autor e participou na mesma vivendo o agiota Januário. O tema de abertura, Fogo no Canavial, interpretado por Jorge Teles, foi reaproveitado da abertura da versão censurada de Roque Santeiro, de 1975, tendo uma letra diferente, mas a mesma melodia.

Sinhazinha Flô foi a primeira novela a ser exibida totalmente a cores na televisão portuguesa, sendo assim um marco no nosso país. Não houve quer no Brasil, quer em Portugal edição da trilha sonora, no entanto destacam-se alguns temas como O Menino e os Carneiros de Geraldo Azevedo e Bate Canela interpretada por Clementina de Jesus.

Fonte: Brinca, Brincando; Teledramaturgia

Sobre o autor

Miguel Meira

Quando era pequeno, entre histórias da “Cinderela” e cantigas em “Playback”, quis ser como o Carlos Paião – médico e cantor. As doenças e os órgãos acabaram por sair da minha mente, mas a música de alguma forma ficou. Sou um apaixonado incondicional por música portuguesa, como também sou por tudo o que envolva espectáculo, teatro, cinema e televisão (tendo como maior interesse o Festival da Canção e da Eurovisão e os já extintos Jogos Sem Fronteiras).
Contudo, profissionalmente, os meus palcos foram outros. Licenciei-me em Ensino de História, dou aulas desta disciplina desde 2008, já trabalhei numa biblioteca e já transcrevi até um livro de posturas do século XIV. Faço parte da equipa do site “Festivais da Canção” desde 2008, e também colaboro no site “Brinca, Brincando”, sobre a temática televisiva. Porque o passado também fala, aceitei o desafio de viajar no tempo no ARDINAS.

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