Desporto

As glórias que Portugal não vai esquecer

Este foi o ano de Portugal. Duas grandes competições conseguiram renovar um orgulho com centenas de anos. O verão foi doce para o país plantado à beira- mar na Europa.

Tudo começou em meados de Junho, com o Europeu 2016. Portugal não estava muito bem na competição e já se previa que viesse mais cedo para casa. O selecionador nacional tinha feito uma promessa: só voltaria para casa no dia 11 de julho, mas com os empates e a ineficácia da equipa em vencer faziam tremer até os mais fervorosos adeptos.

A verdade é que os portugueses são um povo de fé e em campo a equipa foi conseguido, de empate em empate, chegar sempre à fase seguinte. No prolongamento daquele interminável jogo frente à Polónia, chegou o momento dos enervantes penaltis. Era o tudo ou nada. Ronaldo assumiu a responsabilidade de marcar o primeiro. E marcou. Todos marcaram para ambas as eeuipas menos um: Blaszczykowski. O polaco não falhou, mas Rui Patrício defendeu. Foi a explosão da esperança. Quaresma foi chamado para o momento decisivo. Já nos tinha levado aos quartos-de-final mesmo no final do jogo e agora tinha nos pés a oportunidade de fazer Portugal chegar às meias. E conseguiu. Estávamos lá.

Na meia-final, Ronaldo encontrou o colega do Real Madrid, Bale, mas ali eram adversários e lutavam pelo mesmo objetivo: chegar à final. Portugal já tinha chegado lá em 2004, onde acabou por perder para a Grécia o título. Era hora de chorar…de alegria. Portugal venceu. Venceu os galeses e estava na final.

Era no estádio de Marcoussis que tudo se decidiria. França seguia como favorita e Portugal já estava contente por ter alcançado a final, mas agora lá queria vencer. Foram 118 minutos de agonia em Portugal e em França. De um lado um país a querer vencer pela primeira vez a grande taça e fazer história; do outro um país que já vencera competições anteriores e queria renovar o título perdido no passado.

Foto: Seleções de Portugal.Cristiano Ronaldo enfrentava o jovem Antonie Griezmann, descendente de portugueses, por isso estava em casa o título. Ou não. Era a camisola das quinas que tinha de trazer a grande taça para casa e foram precisos 118 minutos para ver isso acontecer. Pela Europa (e pelo mundo) foram muitos os portugueses que gritaram a plenos plumões o golo de Éder. O golo da vitória, da história. Com Ronaldo fora de campo por lesão, mas como segundo treinador a equipa venceu o que durante todo o Europeu ninguém acreditava ser possível: a taça de campeão da europa era de Portugal.

Braço ao peito (ao jeito da tradição americana), vozes embragadas das lágrimas e da emoção, todos prontos: vai-se cantar o hino do Campeão da Europa. E Fernando Santos cumpriu a promessa: só voltou dia 11 de julho. Com uma taça e com 11 milhões à espera.

O verão não acabaria sem Portugal ver 29 atletas partirem para o Rio de Janeiro para telma monteiro bronzelutarem pelas medalhas e por novos recordes. E fomos felizes. No judo, Telma Monteiro trouxe a tão ansiada medalha. Não era de ouro, mas soube a mais do que isso. No terceiro lugar do pódio, Telma conseguiu o que nunca uma mulher havia conseguido no judo português: vencer uma medalha olímpica. Só nos homens, 16 anos antes, Nuno Delgado vencera também uma medalha de bronze.

Depois de uma grave lesão no joelho, Telma não desistiu do objetivo: chegar aos JO e alcançar as medalhas. E alcançou. Mais uma vez, Portugal sentia-se campeão. Era o ano das cores de Portugal. A bandeira portuguesa voltar a ser erguida. À medalha olímpica os atletas juntaram um recorde de diplomas olímpicos e novos recordes.

Mas Portugal não se ficaria por aqui. Nunca fica. Havia mais uma competição onde arrecadar medalhas: os Jogos Paralímpicos. Foram 37 os atletas que rumaram ao Brasil – 25 homens e 12 mulheres.

Representaram Portugal no atletismo, no Boccia, no ciclismo, na equitação, na natação e estreámo-nos em duas modalidades: no judo e no tiro. E as medalhas vieram. Foram quatro conquistadas: 2 Medalhas Bronze no Boccia e 2 Medalhas de Bronze no Atletismo. Estava escrita mais uma linha na história do desporto falado em português.

Este foi o ano em que Portugal deixou de chorar de tristeza o seu “triste” fado para desenhar a mais bonita história. Portugal chorou de alegria, de emoção, de luta e de vitória. Um ano que nenhum português vai esquecer. Fomos campeões e lutadores. Em todas as frentes.

Sobre o autor

Bárbara Duarte Mota

Chamo-me Bárbara Mota, tenho 20 anos e sou apaixonada pela minha terra: Tercena. Sou uma sonhadora que vê o mundo à sua maneira e que um dia pretende pisar todos os territórios destruídos por guerras e mostrar o que ali um dia foi um país. Quero ser repórter de guerra, mas acima de tudo quero falar de pessoas para pessoas. Estou a acabar o curso de jornalismo.

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