Ciência

Foi premiada uma nova estratégia terapêutica para a doença inflamatória intestinal

A ECCO – European Crohn’s and Colitis Organisation distinguiu recentemente com um prémio de 40 mil euros uma proposta da investigadora do i3S Salomé Pinho para a realização de  ensaios pré-clínicos com o objetivo de encontrar uma nova estratégia terapêutica para a Doença Inflamatória Intestinal (DII).

A Doença Inflamatória Intestinal é uma doença que afeta cerca de 2,5 milhões de habitantes na Europa, estando a incidência a aumentar em todo o mundo. Esta doença engloba a Doença de Crohn e a Colite Ulcerosa que são doenças crónicas do trato gastrointestinal e que resultam de uma resposta inflamatória exagerada no intestino dos doentes afetados, sendo altamente debilitante.

Apesar dos recentes avanços nas estratégias terapêuticas disponíveis para o tratamento da DII, uma grande percentagem de doentes não responde ao tratamento e cerca de metade dos doentes não consegue atingir remissão ou controlo sustentado da doença.

A European Crohn´s and Colitis Organization (ECCO) tem como principal missão a melhoria dos cuidados de saúde de doentes com DII através de diretrizes (guidelines) internacionais para a prática clinica, educação, investigação e colaboração na área da DII. Deste modo a ECCO premiou a estratégia inovadora terapêutica para a DII da investigadora do instituto i3S Salomé Pinto de modo a que esta possa avançar com os ensaios pré-clínicos.

A investigadora premiada Salomé Pinto exolica que “este prémio é um motivo de grande orgulho pessoal, mas sobretudo um estímulo para a equipa de investigação que integra o projeto. A missão da nossa equipa de investigação é usar uma abordagem multidisciplinar, desde a investigação fundamental, até à validação pré-clínica e clínica de estratégias terapêuticas racionais para a inflamação, e em particular para a DII”.

“Ao longo dos últimos anos a nossa investigação tem-se focado na identificação de novos mecanismos moleculares da doença que possam ser alvos específicos de novas terapias. Recentemente, identificámos que doentes com DII apresentavam uma deficiência na composição de açúcares nos linfócitos T [células do sistema imunitário que defende o nosso organismo] do intestino. E que essa deficiência promovia uma resposta imunológica exagerada no intestino. A partir desta evidência temos vindo a desenvolver métodos experimentais que permitam reparar e corrigir a deficiência de açúcares nos linfócitos T e desta forma controlar a resposta inflamatória do intestino”, explica a investigadora do i3S.

Por agora, continua Salomé Pinho, “temos evidências experimentais que apontam para o facto de estarmos perto de uma nova formulação terapêutica na DII com resultados promissores no controlo da inflamação intestinal e severidade da doença”.

Este projeto resulta da colaboração entre o i3S e o serviço de Gastrenterologia do Centro Hospitalar do Porto/Hospital de Santo António (CHP), em particular com a unidade de DII, coordenada pela Dra Paula Lago.

Foto: Julie Daniluk

Sobre o autor

Ana Margarida Pereira

Mulher das Ciências de diploma e aprendiz de Comunicadora de Ciência aventuro-me pelo mundo do Jornalismo - aqui no Ardinas escrevo na secção de Ciência.

Os meus traços mais peculiares, fora a personalidade, para a maioria das pessoas, é viver na Amadora, ser alérgica à canela e apesar de não ter piada nenhuma querer ser comediante.

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