Cultura

Despediu-se o festival que pôs Lisboa a mexer

Escrito por Carina Ferreira

Foi no sábado que decorreu o tão aguardado segundo dia do Vodafone MEXEFEST 2016. Desta vez, apenas os mais corajosos seguiram este trilho musical lisboeta, e não foram poucos, pois todas as salas tiveram muita procura, tal como aconteceu no primeiro dia.

Este ano, para além do estilo já habitual de indie/alternativo, foram incluído outros estilos musicais no cartaz, como o da brasileira Mallu Magalhães, que deslumbrou com o seu vestido branco e doce voz. Também a ritmada cabo-verdiana Mayra Andrade marcou pela diversidade do repertório apresentado, fazendo as delícias dos fãs e dos curiosos presentes – e o momento final, cantado a capella, foi incrível. Toda a textura da sua voz marcou para sempre quem esteve presente.

O R&B sentido e inigualável de Gallant marcou a diferença nesta noite, surpreendendo muitos dos presentes com a sua qualidade, originalidade vocal e presença em palco. Será sem dúvida um nome de que iremos ouvir falar de futuro. Golden Slumbers conseguiu marcar este Mexefest com a inocência da sua voz.

Branko, nome artístico de João Barbosa, um dos membros dos Buraka Som Sistema, trouxe ao Coliseu dos Recreios uma sensualidade envolvente e conseguiu colocar todos a dançar ao seu ritmo. A muito aguardada Elza Soares chegou de vestido preto, samba na voz e de cabelo roxo, surpreendendo neste segundo dia de Mexefest. Muitos foram aqueles que a chamaram “a rainha da noite”. Com uma mistura de samba, rock, punk e funk sujo, foi no seu trono que pautou o espetáculo e em uníssono todos presentes lhe respondiam com grandes aplausos.

Kevin marcou com um estilo indie rock bastante animado, conseguiu ser contagiante e ficou na memória dos que testemunharam o seu concerto. Fábia Rebordão, considerada por muitos uma das vozes de referência do Fado moderno, apresentou músicas do seu novo álbum, “Eu”, e, com os seus diferentes traços de soul, blues e de jazz, justificou o porquê de ter ganhado em 2012 o prémio de “Artista Revelação dos Prémios Amália”.

Yaite Ramoz Rodriguez, conhecida como “La Dame Blanche”, compõe, canta e toca flauta e percussões, através de uma mistura incrível de hip hop, cúmbia, dancehall e reggae, proporcionando uma sonoridade poderosa e cheia de ritmo que contagiou o público. Taxiwars foi do jazz ao pop, sem se comprometer com um único género musical; a adesão foi enorme e muitos enfrentaram a chuva para os ouvir, ainda que à distância.

Os Digable Planets, grupo de hip-hop/rap alternativo, foram das bandas mais procuradas da noite, sendo que o seu concerto foi marcado pela interacção do público, porque ninguém se sentou e ninguém ficou indiferente às suas letras e ritmos. Na varanda do Coliseu, apareceu ainda Capitão Fausto, que com o seu estilo retro conquistou quem por ali passou.

Foram cerca de 15 mil pessoas que passaram por este Mexefest 2016 e, apesar da chuva, todas as expectativas foram superadas. É, por isso, de coração cheio que encerramos este festival tão diferente e intimista, onde o público está a dois passos dos seus ídolos e onde as vozes são testemunhas de palcos intemporais da nossa Lisboa. Neste ano, tivemos muitas descobertas e confirmações da música nacional e internacional, e ficamos, por isso, desde já, a sonhar com o que o Mexefest 2017 nos irá reservar.

Fotos: Bruno Fragata, Carina Ferreira, Eduardo Filipe e Joana Bento / ARDINAS 24

Sobre o autor

Carina Ferreira

Sou uma pessoa energética que adora escrever e fotografar.
A música é a base da minha vida!

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