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Sim, Passos. A economia está a crescer

Escrito por Goncalo Nuno Cabral

Esta semana, Pedro Passos Coelho e o PSD levaram o maior murro no estômago desde que a chamada “Geringonça” governa o país. O Instituto Nacional de Estatística divulgou os dados do terceiro trimestre e os resultados apenas deram mais força ao governo e motivos para Passos e companhia se esconderem.

Os resultados dizem (surpreendentemente) que a economia, em relação ao mesmo período do ano passado, cresceu qualquer coisa como 1,6%. Nem nas perspetivas mais otimistas do governo tal coisa poderia acontecer. O maior crescimento da Zona Euro é, sem dúvida, uma boa notícia para a economia mas uma hecatombe no seio do PSD.

Desde que António Costa tomou posse como primeiro-ministro, a estratégia de Pedro Passos Coelho foi sempre a mesma: o diabo está para chegar, só não sabemos quando. O objetivo era dizer que a devolução de rendimentos e a redução de impostos diretos era um passo para o desastre e que se o caminho não fosse alterado não se avizinhava um futuro risonho para Portugal. E esse foi o discurso utilizado no debate no Orçamento: Bruxelas “de certeza” que não iria aceitar o documento e iria impor medidas adicionais de “austeridade” para cumprir os compromissos assumidos.

Ora, depois de a Comissão Europeia ter aceitado o Orçamento português (primeiro abanão no discurso da direita), chegam agora estes dados que deixam Passos Coelho K.O. Não vou aqui referir as declarações de muitos deputados do PSD que disseram à imprensa que estes números dão uma machadada no que tem sido dito ultimamente. Mas as declarações do líder parlamentar social-democrata devem merecer destaque. Luís Montenegro até concordou que estas eram boas noticias para o país mas não resistiu a fazer o papel da oposição ao dizer que os números sabem a pouco.

Eu pergunto o que é que o cidadão comum pensa ao ouvir estas declarações. Depois de quatro anos em que acusaram a oposição de não saber reconhecer os avanços que a economia e o país estavam a fazer, vêm agora fazer exatamente o mesmo mas de uma forma mais subtil. Que Portugal nunca teve em 40 anos de democracia oposições construtivas já todos sabemos, mas agora fazem propaganda de que serão melhores e depois aparecem com o mesmo discurso.

Muito se tem falado sobre se esta não foi a gota que transbordou o copo para abrir de novo a corrida à liderança do PSD. Depois de recusar fazer comentários e confirmar os rumores, Rui Rio disse numa entrevista que está já a fazer contactos para poder candidatar-se nas diretas do partido. Luís Montenegro é outra das hipóteses, mas muito remota, já que é um dos homens de confiança de Passos Coelho.

Especulações à parte, o certo é que a tolerância do PSD será muito curta em relação ao seu líder e à sua nova estratégia depois deste forte revés. Porque o que já todos percebemos é que a política de negação social-democrata consolidou o sucesso do PS e da maldita “Geringonça”.

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Goncalo Nuno Cabral

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