Cultura

A noite em que uma Superlua competiu com David

Escrito por Jessica de Sousa

O Casino Lisboa já está mais do que habituado a receber David Fonseca no seu palco circular, não tivesse o músico, em 2008, encantado a solo, já sem os Silence 4, e se tornado um dos grandes nomes que por lá passaram. Em 2014 foi o segundo artista, depois de a banda The Gift ter estreado a série de concertos do Arena Lounge’14, a iluminar o casino e, este ano, regressou para um ofuscante concerto em noite de lua cheia que, por acaso ou não, foi a mais aguardada das últimas décadas. 

O desafio não era fácil para David Fonseca. Lá fora, em noite fria de segunda-feira, reinava desde o anoitecer o super satélite natural da Terra, a maior superlua dos últimos 100 anos, segundo os dados científicos que chegaram até nós em força ao longo das últimas semanas. “Eu sei que a lua está linda lá fora. Eu vou tentar fazer com que a luz aqui seja maior do que ela. Há uma bela competição esta noite”, disse, depois de saudar Lisboa com Superstars. Estava, então, aceite a proposta. 

Era noite de festa e, por isso, David não poupou o público. Com uma energia contagiosa, dançou e pediu para dançar, cantou e pediu para cantar e, com constante preocupação, perguntava: “Estás a gostar, Lisboa?”. “Queres dançar, Lisboa?”, pergunta antes de Futuro eu e de desafiar o público com Let’s dance, pondo os dois andares do casino a tremer com passos de dança.

O álbum Futuro eu foi editado há um ano e foi o primeiro trabalho discográfico do cantor com músicas totalmente em português e cujo trabalho revela muita intimidade do artista. Como não poderia deixar de ser, algumas dessas canções fizeram parte do repertório do músico nesta noite. Chama-me que eu vou, Deixa ser Hoje eu não sou foram alguns dos temas desta obra com os quais o público vibrou. 

Chamado muitas vezes, ao longo da sua carreira, “génio criativo”, pelas suas performances plásticas e cénicas únicas em palco, David Fonseca iluminou, sim, o céu do Casino Lisboa, enquanto a lua lá fora brilhava ainda mais por isso. Com êxitos como Kiss me, oh kiss me, Someone that cannot love, entre outros, o artista garantiu o divertimento de quem assistia. Contudo, foi com Ela gosta de mim assim que o casino realmente abrilhantou. Antes da “explosão” musical do tema, o cantor ensaiou uns segundos com o público e pediu para que o esforço do mesmo não permitisse que se ouvisse o barulho das slot machines. E foi assim, Lisboa acatou e brilhou em conjunto com a energia inesgotável de David Fonseca numa noite de encantos.

Houve tempo para conversar, rir, dançar e ainda homenagear um dos seus génios maiores: António Variações. “As canções são dele mas, acima de tudo, são nossas. Cantem com toda a força que tiverem”, disse antes de se ouvir O corpo é que paga Quero é viver. 

Quanto a nós e a lua, teremos encontro marcado tão de perto daqui a 18 anos. Contudo, contaremos, mais frequentemente, com o brilho de David Fonseca. 

Fotografias: Beatriz Silva 

 

Sobre o Autor

Jessica de Sousa

Mais tarde direi que com 19 anos tomei a decisão mais perigosa da minha vida. Eu, pessoa que não lida bem com “voos muito altos”, que está sempre de pés assentes na terra, meti-me num avião e vim em busca de algo que não sabia se era capaz de conhecer. Com medo, da Madeira para Lisboa vim sem experiência, sem certezas, sem amigos, sem família. Hoje tenho isso tudo e mais ainda. Tenho sonhos.
Já quis a todo o custo seguir medicina. Quis também ser socióloga. Na ânsia de querer melhorar a sociedade, quero ser jornalista. Sou apaixonada pela escrita e pela literatura, pela informação, por histórias, por vidas. Talvez seja esta a maneira mais estranha de ser médica de uma coisa que me fascina: o mundo.

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