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Web Summit: No dia pós eleições dos EUA conseguimos olhar para o futuro?

O dia de ontem no Web Summit foi marcado pelo resultado das eleições nos Estados Unidos, pela influência das redes sociais e ainda por projetos futurísticos gigantes.

As eleições

O dia começou com a habitual contagem decrescente para o início das conferências no palco principal do evento no MEO Arena e a saudação do seu fundador Paddy Cosgrave. Pouco depois, num debate dedicado às eleições americanas, que deu o mote para o resto da conferência, houve diversas opiniões a destacar. Owen Jones, do jornal The Guardian, começou por dizer, em relação ao resultado das eleições, que além de ter sido uma surpresa “foi a maior calamidade que ocorreu no Mundo Ocidental desde a guerra”; já Bradley Tusk, CEO e fundador da Tusk Holdings, não se mostra surpreso dizendo que “isto foi resultado da única estratégia de Clinton ser apelar a que era a sua vez de liderar e ainda uma combinação de um país zangado e insatisfeito ”, acrescentando ainda que acredita que a América sobreviverá independentemente deste resultado.

Shailene Woodley, atriz conhecida por interpretar Beatrice na série Divergente e cofundadora da iniciativa Up to US, também participou no debate sobre as eleições e fez um apelo: “este é um assunto internacional e que não projeta a ideia certa da América para o resto do mundo”. Já Bradley Tusk pensa que “a América não quer saber o que a Europa pensa sobre ela!”, no entanto tem a certeza de que o “o resultado das próximas eleições será muito diferente deste”.

Ao ser interrogada sobre se a eleição de Donald Trump como presidente, o candidato mais misógino de sempre, teria sido um passo atrás para o feminismo, Shailene Woodley responde: “O feminismo é um movimento que não irá abaixo apenas por Trump se ter tornado Presidente, quanto mais isto irá unir as pessoas que perceberão finalmente que têm de começar a agir em relação ao assunto! Seja os direitos das mulheres como os direitos das minorias. (…) As pessoas vão-se unir finalmente porque têm mesmo de o fazer!”

Shailene Woodley no debate sobre as eleições Americanas

Shailene Woodley no debate sobre as eleições Americanas.

Depois do debate principal, as opiniões sobre as eleições Americanas não pararam, uma vez que a maioria dos oradores da conferência são norte-americanos e todos tiveram algo a dizer sobre o assunto. No entanto, o momento mais marcante foi quando o multimilionário Dave McClure, fundador da incubadora de empresas 500 start ups, revoltado com a eleição de Trump, pôs a plateia toda em pé contra Donald Trump e o que aconteceu dizendo: “É o nosso dever como cidadãos não deixar esta porcaria acontecer. Levantem-se, ****! Levantem-se contra esta porcaria”. Acrescentando ainda que estava plenamente revoltado e envergonhado com o seu povo.

O futuro

Apesar da mancha das eleições, que marcaram o Web Summit, houve espaço para pensar no futuro. William Sargent, CEO da Framestore, demonstrou-nos que dado os avanços na tecnologia cinematográfica digital, “atualmente cada personagem que imaginemos poderá estar disponível quando quisermos e onde quisermos!”. Elmar Frikenstein, vice-Presidente do grupo da BMW na área de veículos automáticos, apresentou-nos os carros do futuro, que pensa chegarem em 2021 e que serão “totalmente automáticos na condução e estacionamento, dando ao condutor a oportunidade de relaxar e deixar-se ser conduzido enquanto responde a e-mails ou põe as séries em dia!”.

O palco do Web Summit foi visitado ainda por Sophia, o robot com inteligência artificial apresentado por Ben Goertzel da Hanson Robotics, que diz querer ser ensinada pelos humanos de modo “a ficar mais inteligente ao ponto de [se] puder reprogramar para ainda ficar mais inteligente”. Quando questionado sobre se seria perigoso um robot reprogramar-se pois deixaríamos de o entender, Ben Goertzel responde: “Não acredito que isso seja um problema, nós também ainda não nos entendemos a nós mesmos”.

O Robot A.I Sophia e Ben Goertzel

O Robot A.I Sophia e Ben Goertzel

Em relação ao espaço, Naveen Jain, fundador da Moon Express e Viome, prometeu: “Daqui a 4/5 anos estarão a levar a vossa namorada à Lua para a pedirem em casamento. Parem de prometer a Lua às vossas amadas, deem-lhes mesmo a Lua!”. Já o antigo Astronauta da NASA Mike Massino acha que vai demorar um pouco mais para que isso aconteça e “os avanços na tecnologia espacial, retirando toda a oportunidade empresarial ligados à colonização da Lua ou Marte, vão permitir-nos antes de mais conhecermos e sabermos melhor quem somos e de onde viemos”

 

Naveen Jain, fundador da Moon express e Viome, e Mike MAssimino, antigo astronauta da NASA, a debaterem o futuro da exploração espacial

Naveen Jain, fundador da Moon express e Viome, e Mike MAssimino, antigo astronauta da NASA, a debaterem o futuro da exploração espacial.

Os Media e as Redes sociais

Durante toda a conferência os Media foram acusados de não saberem ser imparciais nem passar informações conscientes durante a campanha presidencial nos EUA bem como as Redes sociais, que foram acusadas de gerarem publicidade, boa ou má, em relação a Trump. No entanto, quem gere estes organismos teve muito a ensinar e a dizer.

“Os media têm de tomar responsabilidade pelas coisas que publicam, a solução não está em apenas uma fonte de informação, mas sim fontes de informação o mais responsáveis possíveis. E também nós como líderes de empresas devemos ter essa responsabilidade sobre a influência que temos”, referiu Eileen Burbidge, parceira da Passion Capital. E Cait O’Riorden, CPIO do Financial Times, assume que “na revista queremos sempre chegar aos nossos clientes com todas as justificações económicas e financeiras que os ajudem a tomar atitudes conscientes (…), reforçando agora no ambiente de crise económica que se vai viver daqui para a frente com a eleição de Trump”.

Bradley Tusk referiu que não existiu um algoritmo certo nas Redes Sociais que tenha levado Trump a ganhar as eleições. Alexis Ohanian, co-fundador do Reddit, e Ryan Hoover, fundador da Product Hunt, debateram precisamente a importância dos algoritmos nas redes sociais, bem como os votos do que gostamos e não gostamos e ainda o papel dos media secundários das Redes sociais dizendo que: “estas ferramentas permitem melhorar a experiência do utilizador; no entanto, devem ser usadas com responsabilidade”.

Já Alex Stamos, chefe do gabinete de segurança do Facebook, subiu ao palco para nos alertar sobre a segurança no Facebook pessoal, em páginas de empresas, e para referir quais os mecanismo que cada pessoa pode adotar para se proteger melhor. Pois quando um hacker se apodera de uma conta, “é muito difícil alguém, ou uma empresa, recuperar de tal coisa”, uma vez que as Redes Sociais são uma plataforma de elevada influência. E esta influência tem crescido a pique, tanto que Alfie Deyes, youtuber do canal Pointless Blog, acredita que “as celebridades do futuro (com potencial para influenciar o mundo) vão passar a nascer todas nas redes sociais”. E ainda Sean Rad, cofundador e CEO do Tinder, remata dizendo que “[as Redes Sociais], tal como o Tinder, são uma plataforma que dá poder ao indivíduo”.

Sean Rad cofundador e CEO do Tinder

Sean Rad cofundador e CEO do Tinder.

Hoje será o dia final do Websummit, que além de contar com novos oradores, ideias e empresas, permitirá avaliar se esta iniciativa teve lucro para Portugal.

Fotos: Margarida Pereira

Sobre o autor

Ana Margarida Pereira

Mulher das Ciências de diploma e aprendiz de Comunicadora de Ciência aventuro-me pelo mundo do Jornalismo - aqui no Ardinas escrevo na secção de Ciência.

Os meus traços mais peculiares, fora a personalidade, para a maioria das pessoas, é viver na Amadora, ser alérgica à canela e apesar de não ter piada nenhuma querer ser comediante.

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