Cultura

MAAT apresenta as últimas três exposições do ano

Escrito por Ana Rita Caldeira

Depois da inauguração, a 5 de Outubro, o Museu de Arte, Arquitetura e Tecnologia começa a entrar no ritmo de museu. O Ardinas 24 pôde espreitar três exposições antes da abertura oficial, com a presença dos respetivos artistas e curadores. “Liquid Skin”, “Walking Distance” e “Misquoteros” são as últimas três exposições do ano do MAAT e abrem ao público esta quarta-feira. 

“Liquid Skin”, do tailandês Apichatpong Weerasesethakul e do português Joaquim Sapinho, nasce da visão dos dois cineastas e da junção de vários trabalhos dos dois artistas. Mas a particularidade desta exposição reside na relação entre os trabalhos expostos e o espaço em que são projetados. Numa relação necessária com a luz que entra na Central Tejo e a maquinaria do espaço, “Liquid Skin” só pode ser admirada na sua ligação à luz, à energia e às sombras. O curador Alexandre Melo fala de uma “imagem moldada no suporte industrial que a recebe”. Esta exposição, que deve ser visitada durante o pôr do sol, potencia uma interatividade entre a plateia, que pode ver imagens refletidas na sua pele, e as projeções. Há até filmagens que só existem a partir de uma determinada posição ou em escassos momentos em que a luz o permite. Apichatpong diz-se “impressionado com o espaço”, uma espécie de “cave de aço que pode armazenar a [sua] luz”. A exposição poderá ser visitada até dia 24 de Abril do próximo ano.

“Misquoteros – A selection of t-shirt fronts”, de Eduardo Batalha, assinala 50 anos desde que o pintor organizou a sua primeira exposição. Eduardo Batalha diz que não está a celebrar “coisa nenhuma” e apresenta um conjunto de pinturas que baralham frases retiradas de artigos sobre exposições de arte. Muitas dessas frases dizem respeito a artistas em “fase terminal”, representando a ideia recorrente de que os artistas mais velhos “devem arrumar as botas”. Eduardo Batalha responde a esse estigma roubando frases que falam da obra de Picasso, um pintor que produziu intensamente nos seus últimos anos de vida (o ciclo “Misquoteros”). Ao todo, fazem parte desta exposição 30 pinturas em que figuram 646 frases numeradas, com diferentes cores e tipografias. Numa clara referência à própria velhice do artista, a exposição recorre ao sarcasmo e à ironia para reproduzir pensamentos sobre a arte. Mas Eduardo Batalha, um dos grandes pintores portugueses contemporâneos, reforça: “Não é uma lamentação, não se trata de queixinhas. É uma colagem de texto”. A exposição está no MAAT até dia 13 de Fevereiro.

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“Walking Distances”, de Rui Calçada Bastos, aproxima a plateia do percurso de um artista sem lugar, que regista, não só através da fotografia, momentos do seu percurso pelo mundo. A obra que mais comprova o carácter auto-biográfico da exposição é a reprodução de um grande mapa em que figuram várias cidades importantes para o artista, como se fossem apenas uma. Lisboa, Budapeste, Berlim, Paris e Estocolmo estão separadas por rios e por tracejados. Esta peça, que se demarca das restantes – quase todas fotografias – representa o “shrinking das cidades”, como disse Rui Calçada Bastos numa press review, um dia antes da abertura da exposição. O MAAT apresenta o artista como “um predador visual” e não um “mero voyer”, que junta pequenos fragmentos do seu percurso e viagens, incluindo um conjunto de caixas de cartão, empilhadas até ao tecto, que simbolizam o peso daquilo que adquirimos numa determinada viagem, representam a ideia do desiquilíbrio. Poderá visitar esta exposição até dia 16 de Janeiro.

Sobre o autor

Ana Rita Caldeira

Vivo e estudo em Lisboa, mas o meu coração está em Albufeira, perto da minha família, das praias, do sol, do silêncio, dos meus 6 cães e 2 gatos.
Sou fã de Gabriel García Marquez, de José Saramago, de escrever, de descobrir, de viajar, do Sporting, de jogar voleibol, de esplanadas e programas de culinária.
Como Ardina, quero conseguir produzir o que não vejo nos jornais portugueses e tornar o jornalismo um mundo menos assustador.

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