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Eleições nos EUA: Dez estados que vão decidir tudo

Escrito por Tiago Miguel Caeiro

Todos votam mas a chave da eleição do próximo presidente norte-americano está nas mãos de dez imprevisíveis estados. Ora votam no candidato democrata, ora votam no republicano. Valem 130 dos 538 delegados.

Nevada

Nas últimas quatro eleições, o estado onde se situa a cidade de Las Vegas repartiu as vitórias. Em 2008, Barack Obama ganhou com mais de 10 pontos de vantagem. Em 2012, os democratas voltaram a levar os 6 delegados, mas a votação foi mais renhida (52%-45%).

Em 2004, o republicano George W.Bush arrebatou os cinco delegados numa disputa quase até ao último voto (50%-48%). Quatro anos antes tinha vencido de forma um pouco mais folgada (50%-46%), ficando com os quatro representantes eleitos pelo estado – o Nevada teve uma explosão populacional desde o início da década, o que fez com que ganhasse o direito a eleger 6 delegados ao Colégio Eleitoral, em vez de 4.

É impossível prever o que vai acontecer no Nevada no próximo dia 8 já que as sondagens mostram que Donald Trump leva vantagem de apenas 1 ponto.

Flórida

Bem mais importante na contagem final, a Flórida pode assumir um papel verdadeiramente decisivo na definição do vencedor. É o maior dos estados-oscilantes (ou swing states) – elege 29 delegados. Obama ganhou as últimas duas eleições neste estado mas sempre vantagens inferiores a dois pontos. Aliás, mesmo quando a Flórida deu a vitória aos republicanos, houve sempre suspense até ao último voto.

O site 270towin.com, que faz a média das últimas sondagens, revela que para já Hillary conserva um avanço de 2 pontos. Mas, se olharmos para outro site especializado, o fivethirtyeight.com, é Trump que está 0.3 pontos à frente na Florida. 

O que à partida devia ser um estado cada vez mais virado para os democratas, com o crescimento da população negra e hispânica, não o é. A explicação está na enorme diversidade étnica da Flórida: zonas como Palm Beach e Miami, a sul, votam democrata, enquanto à medida que vamos avançando para norte, o vermelho dos republicanos começa a ganhar força.

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(Foto: www.oann.com)

Colorado

Desde 1968, o Partido Democrata só conseguiu vencer três vezes neste estado, duas delas em 2008 e 2012, com Barack Obama e com diferenças de 9 e 5 pontos, respetivamente.

A média das sondagens dão uma vantagem de apenas três pontos a Hillary – o Colorado elege 9 delegados. Surpreendente poderá ser a votação no candidato do Partido Libertário, Gary Johnson, que poderá arrecadar cerca de 7 a 8% dos votos, a maioria de republicanos incapazes de votar em Clinton, e que pode tirar a vitória a Trump neste estado.

Iowa

Nas últimas sete presidenciais, os republicanos só conseguiram levar os 6 deputados do Iowa por uma vez – foi em 2004, com Bush a vencer aqui por apenas 0,5 pontos.

Mas a tendência “azul” do estado poderá mudar este ano, com a sondagens a darem uma média de 3 pontos de avanço a Donal Trump (46%-43%).

Wisconsin

De entre os 10 swing states, o Wisconsin deve ser por esta altura o menos indeciso. A história ajuda a explicar porquê: desde 1988 que os democratas vencem o estado, nas últimas duas eleições até com algum conforto.

As previsões indicam que o estado deverá continuar pintado de azul, já que todas as sondagens, sem exceção (o que é raro, diga-se), atribuem a vitória a Hillary, que assim deverá ter garantidos aqui mais 10 delegados para a ajudar à sua eleição no Colégio Eleitoral.

Carolina do Norte

Quando pensa neste estado, a cúpula do Partido Republicano tem razões para sorrir: desde 1980, os democratas só aqui ganharam por uma vez – foi na primeira vitória de Obama, em 2008, e por apenas 0,3 pontos.

Na Carolina do Norte, vale mesmo a regra “prognósticos só no fim do jogo”: as empresas de sondagens não se entendem quanto ao vencedor, com resultados contraditórios, o que torna impossível saber quem vai levar os 15 delegados em jogo.

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(Foto: www.chicagotribune.com)

Ohio

Foi aqui, num estado onde as votações são renhidas por natureza e que é importante nas contas finais (elege 18 delegados), que Hillary Clinton decidiu encerrar a campanha, ao lado de Beyoncé. Foi o último esforço no apelo aos indecisos a nível nacional, mas sobretudo no Ohio. Nas últimas dez eleições neste estado, cinco vitórias para cada lado. Mais equilibrado era impossível.

Tudo indica que esta eleição volte a ser decidida em cima da linha de meta, mas para já o site 270towin.com fez as contas à média das sondagens e Trump segue na frente com 46,8% das intenções de voto, contra 44,2% de Clinton. A diferença está dentro da margem de erro.

Virginia

A mudança de cor aqui parece ter vindo para ficar: o Partido Republicano venceu sempre neste estado da costa Leste desde 1952, até que Obama inverteu a tendência em 2008 e 2012, quando conquistou os 13 delegados em disputa.

Tudo indica que Hillary também vença o estado este ano já que as sondagens lhe dão uma vantagem de 6 pontos.

New Hampshire

Já em New Hampshire prevê-se uma luta muita mais renhida. Os registos dizem que os democratas ganharam 5 das últimas seis eleições neste estado. Contudo, o discurso anti-globalização de Trump é particularmente eficaz num estado que tem sido muito afetado pelo fecho de fábricas, deslocalizadas para a Ásia.

As sondagens dão uma vantagem média de 2 pontos a Clinton, o que indica que tudo pode acontecer. No entanto, o New Hampshite é pouco relevante em termo eleitorais, uma vez que só elege 4 delegados.

Pensilvânia

Se Hillary decidiu apostou os últimos cartuchos no Ohio, Trump optou por encerrar a campanha na Pensilvânia, um clássico bastião democrata que ele ainda acredita poder vencer. Os democratas têm ganho sempre aqui desde 1992. Este estado elege 20 delegados e o segundo mais importante de entre os estados-oscilantes, logo a seguir à Flórida.

O último fôlego do candidato republicano pode ter chegado tarde demais. As sondagens dão a Hillary uma vantagem de 5 pontos (48%-43%), que ela dificilmente deixará escapar.

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Tiago Miguel Caeiro

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