Ciência

Nasceu em Aveiro a nanopartícula bimetálica mais pequena alguma vez produzida

Uma equipa de investigadores da Universidade de Aveiro (UA) desenvolveu uma partícula com diâmetro 50 mil vezes mais pequeno do que o diâmetro de um fio de cabelo, potencializando as atuais aplicações das nanopartículas.

Uma nanopartícula é uma partícula microscópica inferior a 100 nm. A partícula produzida pela UA é constituída por dois metais: cobalto e platina e foi desenvolvida por uma equipa de investigadores da Universidade. As nanopartículas, como a produzida, podem ser utilizadas em memórias de computadores, em exames de ressonância magnética e em tratamento de tumores. O tamanho e as propriedades magnéticas da partícula metálica da UA multiplicam a eficácia da sua utilização.

“Conseguimos desenvolver as mais pequenas nanopartículas bimetálicas de sempre, com menos de dois nanómetros [um nanómetro é um milhão de vezes mais pequeno que um milímetro], feitas à base de platina e de cobalto, com propriedades superparamagneticas [apresentam magnetização na presença de um campo magnético externo]”, anunciou Robert Pullar, um dos autores do estudo levado a cabo pela equipa dos departamentos de Física e de Engenharia de Materiais e Cerâmica e do CICECO – Instituto de Materiais de Aveiro da UA.

Os investigadores da UA Robert Pullar, David Tobaldi, João Amaral, João Labrincha e Mohamed Karmaoui (atualmente investigador na Universidade de Birmingham)

Os investigadores da UA Robert Pullar, David Tobaldi, João Amaral, João Labrincha e Mohamed Karmaoui (atualmente investigador na Universidade de Birmingham)

A biomedicina e as novas tecnologias têm gerado novas necessidades no âmbito das nanopartículas magnéticas, em particular, sublinha Robert Pullar, “as nanopartículas magnéticas bimetálicas com alta coercividade magnética [capacidade de um elemento magnético manter os seus elementos presos numa posição] têm atraído muitas atenções devido às respetivas aplicações em memórias de armazenamento e computação magnéticos, em exames de ressonância magnética e em tratamentos de cancro”.

No que diz respeito à terapia oncológica através da hipertermia magnética, uma técnica que conduz as nanopartículas pelo organismo até aos tumores, e cujo aquecimento por indução magnética destrói as células malignas, o tamanho reduzido é uma vantagem. Quanto menor e mais magnética for a partícula, melhor poderá ser levada até ao alvo e mais termicamente eficaz pode ser.

Na utilização de nanopartículas magnéticas em ressonância magnética, estas servem de agente para contraste nas imagens e para obtenção assim de melhores resultados. Aqui também quanto mais magnéticas e pequenas forem as nanopartículas, maior contraste e melhor resolução espacial se obtêm com o exame.

Já no armazenamento de informação, a densidade que se pode armazenar num disco rígido magnético de computador é medida em bits/área. Considerando que cada nanopartícula representa um bit, quanto menor for o tamanho das nanopartículas utilizadas, maior será a densidade de informação. Assim a indústria informática poderá oferecer computadores com muito mais memória disponível sem necessidade de aumentar o volume das máquinas.

A nanopartícula obtida e o seu diâmetro.

A nanopartícula obtida e o seu diâmetro.

O trabalho total foi desenvolvido pelos investigadores da UA Robert Pullar, David Tobaldi, João Amaral, João Labrincha e Mohamed Karmaoui (atualmente investigador na Universidade de Birmingham) e já foi publicado no último número da revista Journal of Physical Chemistry Letters.

Sobre o autor

Ana Margarida Pereira

Mulher das Ciências de diploma e aprendiz de Comunicadora de Ciência aventuro-me pelo mundo do Jornalismo - aqui no Ardinas escrevo na secção de Ciência.

Os meus traços mais peculiares, fora a personalidade, para a maioria das pessoas, é viver na Amadora, ser alérgica à canela e apesar de não ter piada nenhuma querer ser comediante.

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