O Sótão dos Criativos Rubricas

O Sótão do Tempo #2: Cerveja para todos os gostos

Escrito por Diogo Ventura

Há uma semana, embarcámos numa criativa viagem pelo tempo. Partimos cedo e só parámos quando demos de caras com dois anúncios que nos deixaram como novos. Esta semana, falamos de algo que, consumido em excesso, deixa os outros (também eles) com uma nova cara. Peçam um pratinho de caracóis e sentem-se aqui à mesa porque é um tema que dá pano para mangas.

Já todos temos algumas saudades do Verão, embora o calor por aí apareça de vez em quando. Depois de uns banhos de Sol e de um banhinho bem tomado, o que sabe mesmo bem é uma bebida fresca e um petisco a acompanhar. Uma das mais populares e refrescantes opções para combater o calor é a cerveja, e por essa razão, decidi falar sobre minis, médias e imperiais esta semana.

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A primeira peça que vos trago é um anúncio à conhecida Tuborg. “A primeira vez que beber Tuborg peça também caviar…” é o destaque textual deste anúncio e remete-nos de imediato para um certo tipo de público: as classes mais altas, dado que nos é confirmado pelo slogan da marca: “Só para alguns”. Esta é, à semelhança de vários anúncios da época, uma peça carregada de texto: temos a descrição principal, o nome da marca, o slogan e ainda uma receita de como deve ser o consumo e o acompanhamento da bela e fina Tuborg. A componente visual fica então a cargo da cerveja e do copo, elementos recorrentes em praticamente todos estes anúncios.

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Por outro lado, temos este anúncio à Marina, “a cerveja bem portuguesa”, que se faz acompanhar por uma tacinha bem portuguesa com um petisco bem português. Contrariamente ao anúncio anterior, no qual a garrafa era fechada de um modo elegante, aqui vemos que as garrafas Marina são fabricadas com uma carica pronta a ser arrancada, mesmo com o cabo de uma colher. Olhando para este anúncio, vemos que a cerveja Marina é dirigida a uma classe e a um consumidor muito diferentes dos do anúncio anterior e também que a linguagem difere bastante de uma peça para a outra.

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A Cergal é uma das mais conhecidas marcas de cerveja a nível nacional. Trata-se de uma cerveja que apela às tradições, ao espírito académico, à inspiração e ao que nos orgulha de sermos quem somos. Na imagem podemos ver que não há muito texto sobre a Cergal, mas sim bastantes referências visuais à cultura nacional, nomeadamente a guitarra que dá o mote para o anúncio e para o texto principal: “Cerveja em Si melhor”, fazendo o trocadilho entre o Si Menor e a qualidade desta “saborosíssima” cerveja. É uma comunicação direta e simples, que faz um uso inteligente das poucas (mas por vezes caras) palavras que emprega.

Por fim, chega-nos à mesa a Clok, uma cerveja saborosa, mas leve. Não há muito a dizer sobre este anúncio porque já está tudo escrito numa das peças. A Clok, à semelhança da Marina e ao contrário da Tuborg, é uma cerveja simples, com pouca excentricidade e que prima pela frescura e pelo sabor. A principal diferença entre esta e as restantes marcas é que a Clok se assume como mais leve, sendo capaz de trepar pelo copo e flutuar como balões de hélio coloridos. Um conceito interessante, trabalhado de forma muito literal, mas que, dentro da categoria e do que se fazia então a nível de Publicidade, acaba por conseguir ser bastante criativo.

Espero que toda esta mistura não vos tenha caído mal… Por enquanto, ficamos assim: com as cascas dos tremoços (ou o pratinho do caviar, como preferirem) e uns quantos copos de cerveja vazios. Eu regresso para a semana, para que possamos continuar a nossa sóbria e atribulada viagem pelo Sótão do Tempo. Até breve!

 

Sobre o Autor

Diogo Ventura

Praticamente toda a minha família é alentejana, mas eu fiz um desvio e fui nascer a Vila Franca de Xira. Ainda assim, passei algum tempo da minha infância no Alentejo, o que fez com que me apaixonasse por aquela que considero ser uma das mais bonitas regiões de Portugal.
Licenciei-me em Publicidade e Marketing, pela Escola Superior de Comunicação Social, mas interesso-me por muitas outras áreas como o Jornalismo, a Televisão, a Rádio e o Cinema. Gosto de ler, escrever, ouvir e contar histórias. Na minha opinião, os contos, as histórias e todas aquelas fábulas que bem conhecemos não são apenas para as crianças, mas também para os adultos. Para mim, uma história bem contada é a melhor forma de ilustrar uma ideia ou uma teoria e de transmitir um pensamento.
Acredito que a humildade não é, de forma alguma, inimiga do sucesso e que, independentemente da idade, da escolaridade ou da profissão, todos nós temos algo a aprender com os outros e alguma coisa para ensinar a quem nos rodeia.

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