Crónicas Pontos Nos I's

Já não era sem tempo

Escrito por Goncalo Nuno Cabral

Dez meses depois do começo das negociações, Espanha terá um novo governo em funções em breve. O PSOE desbloqueou o entrave que se verificava desde Dezembro do ano passado e Mariano Rajoy será (finalmente) reeleito. Ou não será bem assim?

Se fizermos um throwback ao início do filme percebemos que não há ninguém que se possa excluir do rumo que todo este processo tomou. E se quisermos fazer uma discussão séria não podemos dizer que a culpa é de x ou y de uma forma direta e concreta. Claro que é muito fácil um socialista apontar o dedo a Rajoy ou um membro do PP gritar de viva voz que Pedro Sanchez foi o culpado de toda esta crise.

O que vimos durante 10 meses foi meia dúzia de políticos a brincar à dança das cadeiras e o Rei a assistir de poltrona. É que se o objetivo era descredibilizar o país e os políticos que nele atuam, foi mais do que conseguido. Tentaram, portanto, uma “solução à portuguesa” mas a um nível a que ninguém, até hoje, se atreveu a chegar.

Mas chegaram a tempo de redimir-se. Depois de Pedro Sanchez sofrer uma valente humilhação perante o seu próprio partido, Rajoy conseguiu vencer as batalhas e aparentemente está prestes a vencer a guerra. Isto porque, apesar de ter sido chumbado no parlamento hoje, os socialistas prometeram-se abster na segunda votação já este sábado para deixar passar o governo do PP.

Como disse, e bem, a correspondente da RTP em Espanha, Daniela Santiago, “comprem [PSOE] antiácidos para os ‘sapos’ que tiveram de tragar”, os tempos que se aproximam não vão ser de fácil digestão. De facto, não se avizinham dias fáceis. Para além de terem passado meses no “no es no”, poderão ter de dizer sim a Rajoy.

Crises internas à parte, é de salientar que no meio de tudo isto está previsto que Espanha tenha um crescimento de 3% já no final deste ano e o desemprego baixou para os 18,4%, sendo que já foi das mais altas da União Europeia.

Não fazendo futurologia – até porque sou adepto do “ver para crer” – não creio que Espanha tenha saído totalmente da crise política em que esteve metida. Não me parece que esta amnistia socialista dure por muito tempo nem o espírito dialogaste de Rajoy se estenda para lá de Maio de 2017 quando puder marcar eleições antecipadas.

Segue Espanha na vanguarda da democracia moderna.

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Goncalo Nuno Cabral

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