Cultura

Casa cheia para a estreia de D.A.M.A no MEO Arena

Escrito por Sofia Felgueiras

“Cora, que eu não digo a ninguém / Fica, que eu não digo a ninguém / Podes fazer o que quiseres que eu não digo a ninguém”.

E nesta noite valeu mesmo tudo. Crianças, adultos, filhos, pais e as “damas” que estão prontas a pedir estes três rapazes em casamento. A certo ponto, é difícil perceber quem grita mais: se as filhas, se os pais. Miguel, Miguel e Francisco pisaram o palco do MEO Arena pela primeira vez e deram um espetáculo que ficará na mente dos presentes e que não esgotou por pouco: “Vejam o que nós fizemos, vejam o que vocês fizeram”.

O êxtase começou quando o relógio digital, no palco, marcava um minuto para o aguardado concerto. A contagem era acompanhada de gritos e alguns choros, e depois aparece Miguel Cristovinho, com a sua guitarra, bem no topo do palco. Luzes, cartazes e as vozes uniram-se para abrir o concerto com “Sinto”.

Ao contrário de alguns artistas que não gostam de telemóveis durante o concerto, a própria da banda pediu que se tirassem selfies para o tema Luísa. Os fãs com mais likes seriam os vencedores de alguns prémios, no fim do concerto. Para além deste facto, fizeram questão de garantir o wi-fi disponível para todos, com o nome D.A.M.A, para que não restassem dúvidas.

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“Fazer da minha vida um beat/ Seja o que Deus quiser / Living a vida loca / Ter os meus palcos em família/ Tudo boa onda / Não sou de modas / Quero por a cena toda à roda”.

É assim que tentam levar a vida, a carreira e a fase de sucesso que estão a viver. Agradecem o apoio, aos fãs de sempre e aos que se juntaram agora. São da opinião de que a música portuguesa está a caminhar em bons terrenos, porque quando “apoiam artistas portugueses, eles vão sempre querer retribuir esse voto de confiança com o seu trabalho”. E contra qualquer risco, aceitam o desafio de continuar a escrever na língua mãe.

Este concerto contou com a presença de três convidados essenciais. Em primeiro lugar, e recebido com um carinhoso aplauso, Sebastião Antunes. Autor da música que “há 19 anos mudou as nossas vidas, e talvez as vossas também”, a Balada do Desajeitado.

A este seguiu-se o também jovem artista Diogo Piçarra, que foi acompanhado num palco suspenso, no meio da plateia, com uma iluminação muito intimista. Os temas escolhidos foram Por quem não esqueci e Tu e Eu. E aí, o histerismo multiplicou-se. Francisco ainda sugeriu “trocar um Miguel por um Diogo”, dando início a uma gargalhada colectiva.

E foi a vez de o terceiro convidado ganhar o seu espaço em palco. Gabriel, O Pensador, cantou Cachimbo da Paz, improvisou um rap sobre tudo aquilo que se passava no momento e ainda fez uma maratona pelo palco com a bandeira portuguesa, porque afinal, “Gabriel já é da casa”.

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“Abre a tua mente / Segue o teu coração / Se o que importa é o dinheiro e não a profissão / Eu não faço questão / Não, não, não, não”.

E assim se uniram as vozes dos quatro artistas para cantar Não Faço Questão. Para além deste tema, Às Vezes, Agora é Tarde, Na Na Na, Não Dá e Era Eu são os preferidos do público.

A banda vê-se enquanto uma parte da comunidade, sendo que se o seu trabalho conseguir contribuir para a melhorar, sentir-se-ão bem mais realizados. Assim, decidiram acrescentar à setlist um dos temas que foi criado com esse propósito, Sou o Maior, hino de segurança rodoviária.

Tropeções uns nos outros, insultos meiguinhos e pancadas afectivas demonstram que estes três não sabem ser quem são sem os outros e que eles já não são apenas uma banda, mas sim uma família.  E ainda se ofereceram para dar aulas de zumba.

Os Skills and the Bunny Crew foram responsáveis pela abertura do concerto, num espetáculo em que os bilhetes rondavam entre os 15 e os 40 euros e se prolongou pela noite fora, para aqueles que tinham Meet&Greet, para conhecer a banda e tirar algumas fotografias.

Fotos: Joana Bento/ARDINAS 24

Sobre o Autor

Sofia Felgueiras

Escrever sobre mim própria é um enorme desafio, mas é também algo aliciante.Talvez porque o Jornalismo foi feito para contarmos como é o mundo às pessoas e não olharmos tanto apenas para nós.
Sou uma eterna criança. Onde há um baloiço, aí está a Sofia. Sei que tenho curiosidade infinita sobre o mundo, continuo todos os dias a perguntar “porquê” e arregalo os olhos a cada descoberta. Gosto daquele sentimento de novidade.
Sou uma eterna apaixonada: pelo mundo, pelo Algarve, por viajar e pelo que a vida tem de melhor. E por "gordices", claro.
Quando era pequena, a minha professora da primária disse-me que eu ia ser escritora. Disse-lhe que não. Entretanto, quis ser veterinária. Mas, os animais mordem e rapidamente desisti da ideia. Aos catorze queria seguir dança.
Hoje, vejo que não foi esse o caminho. É outro. Olho para o Jornalismo
enquanto a arte de levar às pessoas as melhores histórias e uma pequena marca que pode fazer uma grande diferença.
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