Desporto

Pinto da Costa, o rei dos Dragões

Escrito por Sofia Costa Lima

Uns amam-no, outros odeiam-no, mas ninguém lhe fica indiferente. Jorge Nuno Pinto da Costa é presidente do Futebol Clube do Porto há 34 anos. Conhecido principalmente por estar constantemente envolvido em polémicas, Pinto da Costa é mais do que um presidente para os dragões. Com um reinado maioritariamente forte, traçamos hoje o perfil do presidente que mais títulos venceu à frente de um clube de futebol.

Nasceu em Cedofeita, no Porto, a 28 de dezembro de 1937, no seio de uma família com um estatuto relativamente confortável, da burguesia do Porto. Estudou no Colégio Almeida Garret, enquanto tinha aulas particulares de inglês e francês. Depois, estudou em Santo Tirso, no Colégio Jesuíta das Caldinhas. Pinto da Costa, no entanto, não conseguia adaptar-se às exigências de disciplina dos clérigos. Quando regressa à cidade do Porto tem dezanove anos e procura trabalho. Começa a trabalhar no Banco Português do Atlântico. Chegou a jogar futebol no Infesta e foi também guarda-redes no Sporting de Coimbrões, de Vila Nova de Gaia. Aos 35 anos, com ajuda de Cesário Bonito,  entra no mundo FC Porto. Pinto da Costa era adepto do clube da cidade desde pequeno, por influência de um tio.

O seu primeiro cargo foi o de chefe da secção de hóquei em patins. Depois, passou para o hóquei de campo e ainda passou pelo pugilismo. Em 1976, por indicação de Américo de Sá, passa a chefiar o departamento de futebol, numa altura em que o clube atravessava uma época complicada, sem vencer um campeonato desde 1959. Com o apoio de Américo de Sá e com Pedroto como treinador, Pinto da Costa começou a lutar pelo campeonato, que haveria de ser celebrado com a azul e branco na época 1977/78. Segue-se o bicampeonato e o tri escapa, mas por pouco. No entanto, isso acaba por levar a alguns problemas entre Américo de Sá e Pinto da Costa. Américo de Sá fala mal de Pinto da Costa em público e tal atitude provoca um mal estar geral no clube, com Pedroto e a sua equipa técnica a abandonarem o Porto e vários jogadores entram em greve. Está aberto o Verão Quente da Invicta.

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Pinto da Costa regressa ao clube em 1982, com Américo de Sá numa posição cada vez mais debilitada. Pinto da Costa é recebido como um herói e ganha as eleições com bastante à-vontade, tornando-se o 33.º presidente da história do clube nortenho. É então que começa a trabalhar numa revolução no funcionamento do clube, principalmente a nível do futebol. Com uma filosofia de fazer das adversidades uma forma de vencer, o Porto volta a ser bicampeão e vence a Taça dos Campeões em 1986/87, com jogadores como Futre, Gomes e João Pinto no plantel. Estava de volta o grande Porto, o Porto das vitórias, que haveria de perdurar por vários anos.

Mas nem tudo é vitórias na vida de Pinto da Costa. Envolto, desde sempre, em várias polémicas, Pinto da Costa é apanhado no meio de um megaprocesso judicial, o caso Apito Dourado, de corrupção de árbitros e dirigentes desportivos. Foi indicado por corrupção desportiva, mas acabou, uns anos depois, por ser ilibado. Na mesma época, Carolina Salgado, ex-companheira de Pinto da Costa, publica um livro, que dá origem a um filme, que torna Pinto da Costa cada vez mais controverso para a opinião pública nacional.

Mais uma vez, Pinto da Costa faz dos problemas motivação e entre 2005 e 2009, o Porto é soberano e sagra-se tetracampeão. Conhecido por não ter papas na língua e por ter sempre algo a dizer sobre tudo e todos, Pinto da Costa tem vindo a perder alguma presença mediática mas sem nunca deixar de ser uma figura influente no mundo do desporto e, acima de tudo, no Porto. Em 34 anos de presidência, venceu 58 títulos, só no futebol.

Sobre o autor

Sofia Costa Lima

1994 foi um ano bom: estreou o Pulp Fiction, o Rei Leão e FRIENDS, e foi o ano em que os Muse se formaram. A par de tanta coisa boa, nasci eu, numa aldeia chamada Fiães, no interior do país, onde algumas operadoras continuam a não ser uma boa opção para redes móveis.
Em 2016 licenciei-me em Jornalismo, na Escola Superior de Comunicação Social, em Lisboa, onde colaborei em alguns dos núcleos extracurriculares. Pelo meio publiquei dois livros e comecei a escrever mais de uma dezena deles, que nem sempre terminei. Tenho um blog, sou adepta do FC Porto e dona de uma cadela espetacular.
Continuo a acreditar numa versão de mim que vai viajar pelo mundo, ler muitos livros e ver ainda mais concertos. Até lá, é possível que me encontrem sempre com fones por perto.

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