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Roteiro Pelo Tempo – Paços do Concelho de Lisboa

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A construção do edifício dos Paços do Concelho não data dos anos da Primeira República, mas foi aqui que ela teve início. Por isso, a sede da Câmara Municipal de Lisboa entra no nosso “Roteiro Pelo Tempo”, pois no seu salão nobre colocou-se um ponto final a oito séculos de Monarquia e iniciou-se o regime que ainda hoje vigora. No mês em que se comemora a República, tanto no mundo real como na nossa rubrica, visitamos o local onde ela nasceu.

pacos-do-concelhoNa manhã do dia 5 de outubro de 1910, José Relvas assome à varanda da Câmara Municipal de Lisboa para proclamar a República. Ao mesmo tempo, o último rei português, D. Manuel II, e a sua mãe, a Rainha Dona Amélia, partiam para o exílio, enquanto as ruas festejavam a queda da Monarquia. Quem estava em Lisboa acorreu de imediato à Praça do Município, para festejar com os republicanos em frente do edifício dos Paços do Concelho.

Apesar de ter sido construído pela primeira vez no século XVIII e de ter sido quase completamente remodelado em 1863, depois de um grande incêndio ter destruído o edifício que lá havia, é nos anos da Primeira República que os Paços do Concelho de Lisboa se tornaram um dos edifícios mais importantes para a sociedade portuguesa. Afinal, foi lá que nascera o novo regime político, que, segundo as convicções da grande maioria da população da época, iria trazer liberdade, ordem, igualdade e progresso.

A História mostrou-nos que não foi bem assim: em 16 anos de regime, Portugal conheceu oito Presidentes da República e 45 governos. Mas a importância simbólica dos Paços do Concelho atravessou os anos e chegou intacta aos nossos dias. Ainda este ano, nas comemorações do 5 de outubro, o edifício-sede da Câmara Municipal de Lisboa foi escolhido por Marcelo Rebelo de Sousa, António Costa e Fernando Medina para proferirem os seus discursos.

Do edifício saltam automaticamente à vista as oito colunas que suportam o frontão, onde estão esculpidas várias figuras humanas. No centro delas está, curiosamente, um escudo com uma caravela lá inserida, encabeçadas por uma coroa, esquecida pela euforia republicana, a lembrar os oito séculos em que Portugal foi comandado por pessoas de sangue azul.

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A bandeira no topo do frontão, onde se destaca a coroa por cima do escudo.

O interior, muito raramente aberto ao público, impressiona pela sua escadaria central, bem como pelo mítico Salão Nobre. As diferentes salas foram enriquecidas com as pinturas e esculturas de grandes artistas portugueses, como Columbano Bordalo Pinheiro ou José Malhoa. Cada divisão transmite uma sensação de magnificência e autoridade.

Há precisamente 20 anos, um novo incêndio deixou praticamente destruídos os pisos superiores, o que obrigou a uma nova intervenção de recuperação, que fez o edifício tomar, tanto ao nível interno como de fachada, o seu aspeto atual.

Fotos: Gonçalo Esteves Coelho/ARDINAS 24

Sobre o Autor

Gonçalo Esteves Coelho

Sou um poço de contradições. Não gosto de falar mas sou jornalista. Adoro escrever mas cada vez leio menos. Sou sereno mas não consigo resistir a soltar a minha alegria quando escuto música popular. Não gosto do calor mas adoro o mar português, a sua frescura, o seu sal, as histórias que tem para nos contar. Odeio tomar decisões e, no entanto, sou o CEO deste projeto.
Nasci em Lisboa, há 21 anos. O meu coração, vermelho e verde, bate por Portugal e por todos aqueles em cujas veias corre igual amor a este país, à nossa gente, à nossa cultura. Vivo perto de Sintra, esse livro de História a céu aberto, em cujos recantos gosto de me perder. Adoro museus, palácios, castelos e igrejas. Regressei ao Ensino Superior e lancei-me numa nova aventura, sem a qual não conseguiria realizar-me totalmente: o estudo da História.
Em pequeno, havia quem me dissesse que iria ser jornalista. Também me diziam que deveria ser professor de História e que tinha tudo para ser um novo José Hermano Saraiva. Se calhar sou muito transparente naquilo de que gosto, ou então essas pessoas conheciam-me muito bem. Acertaram. O que virá depois eu não sei. Escolha que caminho escolher, terei de ser eu próprio. Sempre.

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