Desporto

Afinal, o que se passou com Maria Sharapova?

Escrito por Sofia Costa Lima

Quando se fala em ténis feminino é quase impossível não mencionar Maria Sharapova. A tenista russa, de 29 anos, anda pelo circuito há mais de dez anos, já foi número um do mundo e este ano envolveu-se numa das maiores polémicas da carreira: foi suspensa por dopping. A suspensão foi agora revista e sabe-se já a partir de que data poderemos voltar a ver Sharapova nos courts. Mas, afinal, o que se passou? O ARDINAS24 explica-lhe tudo o que há para saber sobre este caso.

Tal como é normal em qualquer desporto, os atletas são aleatoriamente submetidos a exames. No início deste ano, durante o Open da Austrália, Maria Sharapova foi chamada a fazer um exame. Algo normal e totalmente inocente. O problema foi o resultado. Sharapova acusava uma substância nos exames: meldonium. A tenista tomava essa substância desde 2006 e alegou não saber que fazia parte de substâncias proibidas desde o dia 1 de janeiro de 2016.

O que é meldonium?

O meldonium, também chamado de meldronate, é um medicamento usado para combater a insuficiência cardiovascular e permite que o coração suporte grandes cargas de trabalho físico ou intelectual. Esta substância é proibida na Europa Ocidental e nos Estados Unidos, mas é bastante popular em países da antiga União Soviética. A Agência Mundial Antidopagem decidiu proibir a substância este ano porque recebeu dados alarmantes que confirmavam o seu uso recorrente por parte de desportistas profissionais nos países resultantes do desmembramento da União Soviética.

A suspensão

Depois de ter sido notificada por ter falhado o controlo anti-dopping, Maria Sharapova convocou uma conferência de imprensa em Los Angeles, no início de março, quando era número sete do ranking WTA. Na altura, reforçou que sempre tomou o medicamento de forma legal e que não sabia que o medicamento fazia agora parte da lista de proibições, uma vez que não tinha lido o e-mail recebido com a lista de novas substâncias proibidas.

Cometi um erro enorme. Desiludi os meus fãs, o desporto. Jogo desde os quatro anos e amo tanto isto. Sei que isto tem consequências. Não quero terminar a minha carreira desta forma e espero ter outra oportunidade de jogar este desporto.

Por acusar positivo neste controlo, Sharapova foi suspensa, a contar a partir do dia 12 de março, e estava, por isso, impedida de jogar. A suspensão poderia ir até quatro anos, mas Sharapova e o advogado esperavam o melhor. Como é óbvio, muitas vozes do mundo do ténis e do desporto decidiram pronunciar-se sobre o caso. Todos foram apanhados de surpresa. A conferência de imprensa, pensavam, seria para anunciar um novo contrato de publicidade ou para anunciar o fim de carreira. Afinal, era algo pior… muito pior. Uns foram a favor da suspensão, outros achavam que a história estava mal contada. A russa decidiu não contestar a decisão, declarando-se apenas inocente, por desconhecer a proibição. Algumas das marcas que tinham contratos de publicidade com ela romperam-nos.

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Porquê a redução da pena?

Depois de meses complicados, Maria Sharapova soube esta terça-feira que pode voltar aos courts a partir do dia 26 de abril de 2017. A pena de suspensão foi, assim, reduzida para quinze meses. O motivo é explicado pelo documento que o Tribunal Arbitral de Desporto divulgou: declara-se que Maria Sharapova não tentou utilizar o meldonium para melhorar a sua performance desportiva, ou seja, não tem culpa significativa. Tem culpa, isso sim, em termos de negligência, uma vez que não se informou sobre a proibição da substância. O Tribunal Arbitral do Desporto culpa ainda todas as pessoas com quem Sharapova trabalha, principalmente o empresário Max Eisenbud, por não a terem ajudado a impedir este caso de negligência.

E agora?

Sharapova já disse que vai reunir com os seus médicos para encontrar um medicamento substituto (e legal). Em entrevista ao Today’s Show, Sharapova disse ser uma “lutadora” e admite que quer “dar a volta por cima”. Além disso, a dificuldade psicológica que o regresso implicará não a assusta, nem os assobios: “Muita gente está ansiosa para que volte, mas se tiver de ser assobiada não há problema. Já fui no passado e serei no futuro pelas mais diversas razões.

Maria Sharapova admitiu estar muito feliz com esta redução da suspensão e, no seu Facebook, deixou uma mensagem aos fãs onde diz:

Sinto que me tiraram algo que eu adoro e é muito bom tê-lo de volta. O ténis é a minha paixão e eu senti a sua falta. Estou a contar os dias para poder voltar ao court. Tenho aprendido com esta situação, e espero que a Federação Internacional de Ténis (ITF) também.

Sharapova regressa aos courts a partir de abril de 2017, sem qualquer ranking. A tenista russa não pode usar o ranking protegido, uma vez que não esteve lesionada, mas tem direito a um número ilimitado de wild cards, já que é campeã de grand slam, mas isso está nas mãos dos torneios.

Wild card: é dado permissão a um jogador para participar num torneio, mesmo que a sua classificação não o permita, que não se tenha registado a tempo, ou a jogadores cuja classificação caiu devido a uma lesão a longo prazo. Juan Martín del Potro teve direito a alguns este ano, depois de ter estado ausente por lesão.

Sobre o autor

Sofia Costa Lima

1994 foi um ano bom: estreou o Pulp Fiction, o Rei Leão e FRIENDS, e foi o ano em que os Muse se formaram. A par de tanta coisa boa, nasci eu, numa aldeia chamada Fiães, no interior do país, onde algumas operadoras continuam a não ser uma boa opção para redes móveis.
Em 2016 licenciei-me em Jornalismo, na Escola Superior de Comunicação Social, em Lisboa, onde colaborei em alguns dos núcleos extracurriculares. Pelo meio publiquei dois livros e comecei a escrever mais de uma dezena deles, que nem sempre terminei. Tenho um blog, sou adepta do FC Porto e dona de uma cadela espetacular.
Continuo a acreditar numa versão de mim que vai viajar pelo mundo, ler muitos livros e ver ainda mais concertos. Até lá, é possível que me encontrem sempre com fones por perto.

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