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Roteiro Pelo Tempo – Castelo de Evoramonte

Portugal do Liberalismo

O aspeto exótico do Castelo de Evoramonte tem sido aproveitado por escritores e realizadores que fazem deste monumento o pano de fundo das suas produções. Muitos jovens terão conhecido esta localidade e o seu castelo graças ao livro de Uma Aventura que Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada escreveram sobre o local. Mas a história de Evoramente assume grande importância para a História de Portugal, pôs foi aqui que se pôs fim à última guerra civil portuguesa e onde a Democracia teve a primeira de muitas vitórias.

templo romano de évoraÉ no concelho de Estremoz, em Évora, que se localiza esta interessante peça de arquitetura militar. A sua construção iniciou-se no reinado do primeiro rei português, mas só possível graças aos feitos quase míticos de Geraldo Sem Pavor. Este guerreiro corajoso liderou um pequeno grupo de homens e tomou várias cidades aos mouros, quase estendendo o território português para o interior da atual Espanha. Uma das povoações conquistadas foi mesmo a de Evoramonte, e as elevações da Serra d’Ossa foram aproveitadas para a construção de um castelo e de uma extensa muralha que cercava a vila, que só foram inaugurados por D. Dinis.

A muralha e o paço vistos da base do monte.

A muralha e o paço vistos da base do monte.

Ambos ainda hoje existem e continuam robustos, depois de terem sofrido constantes intervenções ao longo do tempo. A estrutura que hoje vemos no centro das muralhas, com planta quadrangular e torres cilíndricas, deve-se à imaginação sempre fértil de D. Manuel I, que ordenou a reconstrução do paço seguindo exemplos vindos de Itália depois de o sismo de 1531 ter destruído boa parte do que lá existia.

A entrada de Evoramonte em todos os manuais de História dá-se a 26 de maio de 1834. Nesta vila e especificamente neste castelo, a guerra civil que se travava há mais de uma década entre defensores da Monarquia Absoluta e do Liberalismo chegou ao fim. Os irmãos D. Miguel e D. Pedro encontraram-se no Paço e assinaram a Convenção de Evoramonte, que definia a rendição do primeiro e a autorização para o segundo dar início à conversão do país numa Monarquia Liberal. Esta foi a primeira vitória da Democracia no país, praticamente 100 anos do golpe militar que veio instituir a Ditadura Militar, o embrião do Estado Novo.

Fotos: Direção Geral do Património Cultural

Sobre o autor

Gonçalo Esteves Coelho

Sou um poço de contradições. Não gosto de falar mas sou jornalista. Adoro escrever mas cada vez leio menos. Sou sereno mas não consigo resistir a soltar a minha alegria quando escuto música popular. Não gosto do calor mas adoro o mar português, a sua frescura, o seu sal, as histórias que tem para nos contar. Odeio tomar decisões e, no entanto, sou o CEO deste projeto.
Nasci em Lisboa, há 21 anos. O meu coração, vermelho e verde, bate por Portugal e por todos aqueles em cujas veias corre igual amor a este país, à nossa gente, à nossa cultura. Vivo perto de Sintra, esse livro de História a céu aberto, em cujos recantos gosto de me perder. Adoro museus, palácios, castelos e igrejas. Regressei ao Ensino Superior e lancei-me numa nova aventura, sem a qual não conseguiria realizar-me totalmente: o estudo da História.
Em pequeno, havia quem me dissesse que iria ser jornalista. Também me diziam que deveria ser professor de História e que tinha tudo para ser um novo José Hermano Saraiva. Se calhar sou muito transparente naquilo de que gosto, ou então essas pessoas conheciam-me muito bem. Acertaram. O que virá depois eu não sei. Escolha que caminho escolher, terei de ser eu próprio. Sempre.

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