Lá Fora

Ex-escravas do Daesh pegam em armas para retaliação

Escrito por Rafael Pinheiro

Há por volta de 142 mulheres da minoria religiosa yazidi a combater o auto-proclamado Estado Islâmico. Os yazidi, uma minoria pacífica, têm sido dizimados pelos combatentes do Daesh, com excepção das mulheres, que são convertidas em escravas sexuais. Depois de terem sido resgatadas, algumas destas jovens receberam treino da milícia curda “Peshmerga” e procuram vingança. Chamam-se a si mesmas “The Sun Girls”, uma alusão ao facto de as suas práticas religiosas envolverem adorar o sol.

As motivações por trás destas combatentes surgem sobretudo devido à tortura e desumanização de que foram alvo e às mortes de familiares. Esta minoria já é alvo de repressões e de ataques sob o pretexto de divergências religiosas desde os tempos do ditador Saddam Hussein. Em 2014, foram alvo de massacres por parte do Daesh, que pretendia expulsar do Iraque e dos seus países vizinhos as influências não muçulmanas. Estima-se que nesta chacina tenham sido mortas inclusivamente as crianças yazidi.

O principal objectivo das “The Sun Girls” é o de resgatar as 3500 escravas sexuais que, de acordo com os dados da ONU, ainda estão nas mãos do Daesh. De acordo com as informações cedidas pela capitã desta brigada, Khatoon Khider, numa entrevista à Fox News, existem ainda outras 500 recrutas à espera de treino para se juntarem às 123 combatentes que já lutam na linha da frente, ao lado da Peshmerga.

A capitã Khider afirmou também que a brigada teve um papel importante em confrontos no mês de Novembro do passado ano, quando as suas casas, no Monte de Sinjar, foram recuperadas e retiradas ao Daesh, tendo participado em confrontos directos.

O próximo objectivo, para o qual as “Sun Girls” se preparam, é o de expulsar o Estado Islâmico da cidade de Mossul, a sua capital no Iraque, onde se crê estar um elevado número de escravas yazidi em cativeiro.

Libertas da escravatura, de agressões e de violações diárias, treinadas pelos Curdos e, hoje, lutando para defender a sua terra natal, a brigada das Sun Girls tornou-se uma “força de elite e um modelo para as outras mulheres na região”, acrescentou a capitã Khider.

Foto: Emily Wither / Reuters

Sobre o Autor

Rafael Pinheiro

Rafael Pinheiro sonha em resgatar heroicamente o Socialismo da gaveta em que Mário Soares o arrumou em 1978. Para além da leitura e da escrita, gosta de tocar guitarra nos tempos livres, optando sobretudo pelo Blues e por Jimi Hendrix.

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