Cultura

Luis de Matos: um ‘Chaos’ de talento

Escrito por Sofia Felgueiras

“O caos é uma ordem por decifrar”. Afinal de contas, quantos são aqueles que se entendem na desordem dos seus quartos? Tudo parte desta frase de José Saramago, e das de outros autores, e se transpõe para o palco. Predomina o preto, existe luz e o vermelho destaca-se. E ali está ele. O mais premiado ilusionista português. Quanto ao resto, é preciso manter os olhos bem abertos e deixar a magia acontecer.

Ficam algumas regras no ar. A importância de um sorriso, a vontade por um aplauso e o pedido para que ninguém adormeça. Só para evitar baba nas cadeiras e o mal estar do espectador ao lado. Pelas palavras de Luís, um espetáculo nas mãos do mágico é sempre algo dúbio e muito comum entre os entendidos nesta arte. Assim, achou por bem passar a responsabilidade de uns 90 minutos bem passados para as mãos da plateia. Uma luta entre a ilusão e a realidade aberta a toda a família, aos curiosos e aos céticos.

O artista pede ainda que se repare na coincidência incrível que é estar ali naquela sala, naquele lugar, com aquelas pessoas, apesar das combinações quase infinitas que o universo podia ter feito para aquele instante. Mas escolheu aqueles que estavam presentes, para um momento que não se voltará a repetir em condições iguais àquelas ali vividas. E isto é tão complexo de se pensar quanto aquilo que se vê. Partem-se cordas que se voltam a unir, desaparecem lenços que se transformam em peixes e caminha-se sobre vidro. E isso é nem metade.

É de destacar o ponto alto da noite: aquele em que são dados a cada elemento da plateia quatro cartões, com frases. Depois de serem rasgados pela metade, vão ser baralhados, trocados com as pessoas do lado, baralhados novamente com a ordem que cada um entender, outros atirados ao ar. Mas, o resultado tem sentido e deixa qualquer um boquiaberto. Assim, não vale acusar o mágico de batota.

Para juntar a tudo isto, não é impossível que as escolhas do público se venham a revelar possíveis e verdadeiras, num contexto de muito suspense e intensidade, capaz de arrebatar qualquer um, principalmente quem sobe ao palco. Uma tour a não perder, que passa por várias salas de espetáculo, até ao final do ano.

Foto: Facebook Luis de Matos

Sobre o Autor

Sofia Felgueiras

Escrever sobre mim própria é um enorme desafio, mas é também algo aliciante.Talvez porque o Jornalismo foi feito para contarmos como é o mundo às pessoas e não olharmos tanto apenas para nós.
Sou uma eterna criança. Onde há um baloiço, aí está a Sofia. Sei que tenho curiosidade infinita sobre o mundo, continuo todos os dias a perguntar “porquê” e arregalo os olhos a cada descoberta. Gosto daquele sentimento de novidade.
Sou uma eterna apaixonada: pelo mundo, pelo Algarve, por viajar e pelo que a vida tem de melhor. E por "gordices", claro.
Quando era pequena, a minha professora da primária disse-me que eu ia ser escritora. Disse-lhe que não. Entretanto, quis ser veterinária. Mas, os animais mordem e rapidamente desisti da ideia. Aos catorze queria seguir dança.
Hoje, vejo que não foi esse o caminho. É outro. Olho para o Jornalismo
enquanto a arte de levar às pessoas as melhores histórias e uma pequena marca que pode fazer uma grande diferença.
Nos próximos tempos, podem encontrar-me no ARDINAS e no E2, projectos ambiciosos que quero agarrar. Porque devemos sempre querer chegar mais longe. E ainda acredito em magia.

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