Lá Fora

11 de setembro: a guerra começou há 15 anos

É o dia que ninguém esquecerá. A 11 de setembro de 2001, o mundo caiu do estado de paz aparente em que vivia e percebeu que estava em guerra. O ataque terrorista às torres do World Trade Center, em Nova Iorque, foi mais do que uma afronta aos Estados Unidos e aos seus dirigentes: foi uma declaração de guerra religiosa e política ao mundo ocidental e à sua forma de encarar os problemas étnicos do Médio Oriente. A 11 de setembro, começou uma guerra que ainda hoje está longe do fim.

Pouco passava das nove da manhã, no fuso horário de Nova Iorque, quando dois aviões embateram nas torres gémeas, os edifícios mais altos da cidade e os seus maiores ícones. De imediato instalou-se o pânico nas ruas: milhares de pessoas corriam sem destino fugindo do fumo e da possibilidade de mais embates acontecerem. Na altura do primeiro embate, colocou-se na comunicação social a hipótese de se tratar de um acidente, talvez fruto de alguma avaria do próprio avião, mas o choque do segundo não deixou margem para dúvidas (ainda mais dissipadas com os ataques ao Pentágono): os Estados Unidos estavam a sofrer um ataque.

Todas as pessoas a bordo dos aviões morreram no embate, incluindo os 19 sequestradores que desviaram os aviões das suas rotas originais, e centenas das que trabalhavam nas torres também não resistiram. O desmoronamento de ambas as torres também provocou vítimas, além de ter deteriorado muitos edifícios vizinhos. Ao todo, faleceram quase três mil pessoas neste dia; muitas mais terão morrido com doenças provocadas pelo contacto com o fumo e os gases tóxicos.

Mentes mais criativas e perspicazes defendem que o governo do país da altura, chefiado por Georg W. Bush, esteve envolvido no ataque com o objetivo de fazer dele um pretexto para iniciar uma ocupação do Iraque e, com isso, beneficiar da exploração do petróleo. No entanto, oficialmente, a autoria do atentado foi assinada pela Al-Qaeda, liderada por Osama Bin Laden mas composta por muitos outros radicais anti-ocidente. Queriam castigar os americanos pela sua presença na Arábia Saudita e em outros lugares do Médio Oriente (incluindo lugares considerados santos para os muçulmanos), pela forma como intervinham tão diretamente na política e sociedade locais, pelas sanções aplicadas ao Iraque e pelo apoio permanente dos Estados Unidos a Israel, na já longa guerra contra os palestinianos e os restantes Estados islâmicos.

Por estas razões, a Al-Qaeda ia motivando todos os muçulmanos a “matar os americanos e seus aliados, civis e militares”, sendo esse “um dever individual de todo o muçulmano”, como deixava expresso nas mensagens que ia divulgando. A retaliação muçulmana mereceu a retaliação de Washington, e então foi lançada a Guerra ao Terror. Exércitos norte-americanos invadiram o Afeganistão, sede da Al-Qaeda, e dois anos depois iniciou-se a Guerra do Iraque, cujo desfecho ditou o afastamento de Saddam Hussein da Presidência do país.

Deste dia ficam imagens que ninguém esquecerá e que ainda hoje perseguem, não apenas os norte-americanos, como cidadãos de todo o mundo. Os ataques do 11 de setembro serviram de mote a vários documentários, a muitas reportagens e a inúmeros portefólios fotográficos, que oferecem uma visão única de um dia que tem ainda tanto para contar.

Foto: Pixabay

Sobre o autor

Gonçalo Esteves Coelho

Sou um poço de contradições. Não gosto de falar mas sou jornalista. Adoro escrever mas cada vez leio menos. Sou sereno mas não consigo resistir a soltar a minha alegria quando escuto música popular. Não gosto do calor mas adoro o mar português, a sua frescura, o seu sal, as histórias que tem para nos contar. Odeio tomar decisões e, no entanto, sou o CEO deste projeto.
Nasci em Lisboa, há 21 anos. O meu coração, vermelho e verde, bate por Portugal e por todos aqueles em cujas veias corre igual amor a este país, à nossa gente, à nossa cultura. Vivo perto de Sintra, esse livro de História a céu aberto, em cujos recantos gosto de me perder. Adoro museus, palácios, castelos e igrejas. Regressei ao Ensino Superior e lancei-me numa nova aventura, sem a qual não conseguiria realizar-me totalmente: o estudo da História.
Em pequeno, havia quem me dissesse que iria ser jornalista. Também me diziam que deveria ser professor de História e que tinha tudo para ser um novo José Hermano Saraiva. Se calhar sou muito transparente naquilo de que gosto, ou então essas pessoas conheciam-me muito bem. Acertaram. O que virá depois eu não sei. Escolha que caminho escolher, terei de ser eu próprio. Sempre.

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