Sociedade

Cavaco Silva terá sido avisado sobre escutas no âmbito do processo “Face Oculta”

Escrito por Rafael Pinheiro

A revelação foi feita ao Diário de Notícias por Fernando Lima, assessor de imprensa do ex-Presidente da República. Mais informações estarão expressas no seu livro “Na Sombra da Presidência”, que será apresentado amanhã.

Segundo Fernando Lima, que esteve em Belém durante os dez anos da Presidência de Cavaco Silva, o ex-Presidente terá sido avisado por um magistrado, em 2009, que o seu genro constava nas escutas do processo “Face Oculta”, no período inicial da investigação

“Quando a transcrição das escutas do “Face Oculta” foi divulgada, em Fevereiro de 2010, para Cavaco Silva não constituía uma novidade que nelas constassem o nome de Luís Montez. Em meados de Outubro de 2009, fora informado por um magistrado de que esse processo incluía uma alusão ao seu genro, uma vez que no negócio da PT/TVI, estava ainda previsto ser-lhe atribuída uma das rádios da Media Capital, pertencente à Prisa”, afirmou Fernando Lima ao DN.

Recorde-se que, nas alegações finais do julgamento do “Face Oculta”, o magistrado do Ministério Público Marques Vidal alegou que “o poder político estava informado não só da existência das escutas como da existência do processo”.

Fernando Lima também se pronunciou sobre o caso BPN, suspeitando da nomeação de Dias  Loureiro para conselheiro de Estado. Dias Loureiro é uma figura muito próxima de Cavaco Silva, tendo sido seu ministro e secretário-geral do PSD durante os governos do cavaquismo. Foi também administrador da Sociedade Lusa de Negócios, dona do BPN antes da sua nacionalização, que escapou à penhora depois de ter sido verificado que o seu património estava registado em nome de familiares ou de empresas sediadas em paraísos fiscais.

O processo ”Face Oculta”, que terminou com a leitura da sentença em Setembro de 2014, foi um caso de corrupção onde foram julgados e condenados 34 arguidos, de entre os quais Armando Vara, ex-ministro pelo Partido Socialista e, na altura, Vice-Presidente do banco Milennium BCP e Domingo Paiva Nunes, administrador multi-milionário da EDP e primo de José Sócrates. O escândalo envolveu lavagem de dinheiro, tráfico de influências e evasão fiscal. A pena mais pesada foi para o empresário Manuel Godinho, que foi condenado a 17 anos e meio de prisão.

Sobre o Autor

Rafael Pinheiro

Rafael Pinheiro sonha em resgatar heroicamente o Socialismo da gaveta em que Mário Soares o arrumou em 1978. Para além da leitura e da escrita, gosta de tocar guitarra nos tempos livres, optando sobretudo pelo Blues e por Jimi Hendrix.

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