Sociedade

De Itália para Portugal: Sismo iminente?

Escrito por Marta Costa

Há anos que se diz que Portugal está sob o risco de ter um sismo como aquele que aconteceu em 1755. Esta quarta-feira, o centro de Itália sofreu um grande abalo pelo sismo de magnitude 6,2 na escala de Richter. Poderá Portugal sofrer com este sismo? O ARDINAS 24 conta-lhe tudo.

Muito se ouve falar de um possível sismo em Lisboa cada vez mais próximo, muito por causa da História e de previsões com base no que foi acontecendo no passado. Fomos saber junto do professor Mário Lopes, perito em Sismologia e professor do Instituto Superior Técnico, se nos podemos basear nestas previsões.

O professor afirmou que estas previsões não têm base científica e, por essa razão, não podemos dizer que haverá outro sismo só porque até aos nossos dias têm ocorrido de 400 em 400 anos. Há, sim, risco de sismo e cada vez mais forte, mas não podemos dizer “uma data, um mês ou um ano.” Outra razão dada pelo professor pelo intervalo de tempo entre sismos no passado é a de que não tiveram origem no mesmo sítio, daí que sejam apenas suposições.

“Não podemos garantir que vá acontecer um novo sismo dentro de 20 ou 30 anos.”

Temos, no entanto, a certeza de que um sismo em Lisboa terá um impacto bastante mais forte do que aquilo que aconteceu em Itália. A 7 de Novembro de 2009, já o especialista César Andrade dizia ao Diário de Notícias que “se houver um tsunami que afecte Lisboa, será de uma magnitude e um impacto impressionantes”, e, com o passar dos anos, segundo o professor Mário Lopes, a tendência é que seja ainda pior.

Em relação a uma eventual ligação com o sismo em Itália, ficámos a saber que não existe nenhuma. Aquele que afectou o centro de Itália foi um sismo local e com uma magnitude baixa comparativamente com o que pode acontecer em Portugal.

“Estima-se que, se um sismo abalar Portugal, seja três vezes pior do que aquele que abalou o centro de Itália.”

Portugal não só sofreria economicamente com um grande abalo, como também sairia prejudicado a nível humano. Em 2005, o Laboratório Nacional de Engenharia previa a morte de 17 mil a 27 mil pessoas em caso de sismo. No entanto, o professor Mário Lopes acredita que esta estimativa seja menor do que poderá realmente acontecer.

“Tendo em conta o estado dos edifícios, o número de mortos seria muito maior.”

A falta de políticas preventivas deve, no entanto, ser uma preocupação séria porque poderão fazer as vítimas – sejam elas os nossos filhos, netos ou bisnetos – pagarem a conta, que não será pouca. Estima-se que os danos causados em Itália serão apenas um terço do que Portugal poderá vir a sofrer, não só ao nível do PIB português como à quantidade de mortos.

É importante saber-se que as zonas de risco – Algarve, litoral Alentejano e a grande Lisboa – têm no seu geral edifícios fracos, mesmo após restauros recentemente feitos, e as medidas preventivas não são implementadas correctamente.

“Não são implementadas políticas preventivas. Neste momento, apenas a Assembleia da República estará devidamente preparada.”

Como o professor Mário Lopes referiu, actualmente, apenas a Assembleia da República recebeu obras de reforço anti-sísmico. Nem edifícios habitacionais nem sequer hospitais estão preparados. Qual a importância da vida humana de todos aqueles que não tiverem acesso à Assembleia da República? Essa é uma questão que fica em aberto, pois esse será dos poucos edifícios seguros.

Mário Lopes deixa ainda uma certeza: “Será uma catástrofe.”

Saiba mais sobre esta questão AQUI e AQUI.

Pós-sismo no centro de Itália.

Pós-sismo no centro de Itália.

Sobre o Autor

Marta Costa

Gosto da vida. Gosto do mundo. Sou uma miúda de 21 anos com ambições fortes e ideias fixas. Com 14 anos escolhi o jornalismo para mim... Nunca soube bem porquê mas senti que tinha a ver comigo. Hoje, 6 anos depois, sei que seguir os meus instintos foi a minha melhor decisão. Ando à procura de trabalho mas enquanto espero pela minha oportunidade vou fazendo aquilo que amo e espero que gostem!

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