Rules: As regras de Life is Strange 2

Life is Strange 2 Rules

Cá estou eu, depois de estradas e caminhos, de regresso ao universo de Life is Strange, para escrever sobre “Rules”, o segundo episódio da segunda temporada de Life is Strange, protagonizada por Sean e Daniel Diaz, dois irmãos forçados a fugir de casa em segredo e em busca de abrigo, convivendo com algo que desconhecem, mas que aos poucos vão começando a entender.

[Atenção: este artigo contem informações e revelações sobre o enredo da série Life is Strange 2, nomeadamente do Episódio 2 de Life is Strange 2.]

Depois de “Roads”, o primeiro de cinco episódios de Life is Strange 2, chegou no final da semana passada “Rules”, dando continuidade à jornada dos irmãos Diaz a caminho de Puerto Lobos, México, e recordando, como um conto, a estreia, que marcou o arranque da aventura e da descoberta dos poderes de Daniel, o mais novo dos dois irmãos.

Rules”, como o nome indica, baseia-se no ensinamento quanto à forma de agir e reagir perante as situações, tendo como base comportamentos fundamentais que Sean passa a Daniel. Neste episódio, o jogador vai recebendo pequenas pistas e subtis elementos que podem condicionar ou catalisar decisões, conduzindo a finais de episódio distintos, de acordo com todo caminho trilhado. É aqui ainda que têm lugar decisões de Sean que poderão comprometer, a longo prazo, muitos comportamentos de Daniel.

As principais diferenças que encontro entre “Roads” (episódio 1) e “Rules” (episódio 2) passam pela maior carga emocional e pela maior extensão das decisões, um ponto que é igualmente claro em Life is Strange (2015), mas que evoluiu desde então.

Em Life is Strange, as decisões de Max Caufield atingiam primária e imediatamente a própria personagem a nível emocional, seguidas de um impacto direto e determinante em personagens secundárias como Chloé Price ou Kate Marsh. Em Life is Strange 2, as decisões têm o mesmo peso emocional em Sean, mas um impacto primário e imediato na personagem secundária, o irmão mais novo, Daniel, que poderá agir de forma independente em função das decisões tomadas anteriormente pelo irmão (e pelo jogador, neste caso).

Esta mudança condiciona de forma brusca todas as decisões tomadas, uma vez que, além de o jogador ponderar as implicações que podem surgir para a personagem que controla, Sean, e para o irmão mais novo, é obrigado a considerar as implicações originadas pelo segundo interveniente. Como se esta extensão não fosse complexa o suficiente, em “Rules”, acaba por haver um impacto prolongado que alcança ainda uma terceira personagem.

 

Bem-vindo de volta, Capitain Spirit!

Chris “Captain Spirit” Eriksen, de The Awesome Adventures of Captain Spirit, está de regresso à narrativa principal de Life is Strange 2, mesmo que de uma forma pontual neste segundo episódio. Gostei muito do título protagonizado por Chris e de toda a sensibilidade envolvida na criação da linha de enredo, e como tal não podia deixar de ficar feliz por ver toda a sua imaginação e o espírito do Capitão regressarem à história:

Depois de abandonarem o pequeno refúgio que os protegia da neve e do frio, Sean e Daniel caminharam em direção a Beaver Creek, onde procuraram abrigo em casa dos avós maternos, Claire e Stephen Reynolds, após vários anos de separação (recorde-se que Karen, a mãe de Sean e Daniel, saiu de casa, deixando-os para trás). Os dois irmãos foram então acolhidos pelo casal, podendo descansar e recuperar de um mês de vagueio, frio e ravioli enlatado.

Apesar de os irmãos ficarem hospedados em casa dos Reynolds, uma parte significativa do episódio “Rules” tem como base o background das personagens de The Awesome Adventures of Captain Spirit, a família Eriksen, que vivem ao lado de Claire e Stephen. Desta forma, é criado, além de um paralelo, um ponto de contacto entre o que antes tínhamos encontrado, como o momento em que Daniel salva Chris, e o que iremos mais tarde encontrar.

Neste segundo episódio de Life is Strange 2, à medida que Daniel vai controlando o seu poder e ganhando força, cabe ao pequeno Chris assumir a fragilidade que, no primeiro episódio, era evidente em Daniel. Há assim um afastamento relativamente à proteção do irmão mais novo, dando lugar às consequências que os poderes de Daniel podem vir a ter sobre Chris.

Life is Strange Rules

Um ponto que ainda realço em Life is Strange 2 – “Rules” é este: as decisões a tomar são em maior número e com maior complexidade, visto que todas elas, apesar de nos darem duas opções, deixam em aberto muitos mais caminhos do que podemos calcular. Ainda assim, seria bom poder explorar mais o passado e a história da família Eriksen, algo que nos despertou o interesse logo em The Awesome Adventures of Captain Spirit, mas que ainda não conseguimos ter em “Rules”. 

 

Comboios

O outro principal eixo de “Rules” passa pela exploração da casa dos Reynolds, em especial da divisão junto à grande maquete de comboios de Stephen que, até determinado momento do jogo, se encontra encerrada e impossível de visitar. Deste modo, acaba por ser criada, quer em Sean e Daniel, quer para no próprio jogador, curiosidade relativamente ao que estará escondido para lá da porta.

Como é óbvio, Sean e Daniel não descansam enquanto não entram no quarto, para descobrirem por que razão Claire lhes veda a entrada e o que está guardado atrás da fechadura trancada. Este é um clássico momento de narrativa ambientada, que não tem grande dificuldade, mas permite ao jogador, involuntariamente, explorar o meio e descobrir mais sobre personagens e contextos, auxiliando-o na compreensão da história, até alcançar o objetivo principal.

Após algumas gavetas reviradas, a chave aparece e o mistério resolve-se. Novamente, com a disposição do quarto, os criadores recorrem a um espaço íntimo para transportar estados de espírito para a cena – melancolia, esquecimento e desconforto. É neste momento que Sean encontra uma carta de Karen, abrindo espaço a muitas mais dúvidas.

Life is Strange Rules

(Se estão perdidos relativamente ao enredo, Sean e Daniel estão em fuga e praticamente todos sabem que eles são procurados pela polícia, daí Karen pedir aos pais que protejam e tomem conta dos dois irmãos.)

O diálogo no quarto de Karen, com um misto de arrependimento e raiva, é o passo final do episódio, antes da derradeira decisão e do encerramento de “Rules”, que termina com a fuga dos irmãos, num momento que, não dependendo do jogador, segue diferentes caminhos, em função de duas decisões anteriormente tomadas.

Ao deixarem a casa dos Reynolds, como seria de esperar, Sean e Daniel cruzam a floresta e seguem viagem à boleia de um comboio de mercadorias e ao som de “I Found a Way”; quem sabe à procura de Karen e com dezenas de dúvidas e questões na cabeça.

Comparativamente ao episódio 1, “Roads”, encontramos aqui um enredo mais denso, ainda que com muitos e prolongados momentos de estagnação, menos movimento e mais escolhas, assim como mais hesitação, um elemento muito forte na narrativa de Life is Strange.

Confesso que gostei bastante mais deste segundo episódio, porque me trouxe aquilo que realmente me conquistou em Life is Strange: o verdadeiro peso de uma opção bem – ou mal – escolhida. De qualquer forma, fica sempre no ar a sensação de que algo está em falta em Life is Strange 2… Será suspense, momentos de ação ou apenas tempo? O tempo o dirá; resta-nos esperar pelo próximo episódio (ainda sem data anunciada).

Sobre Diogo Ventura 105 artigos
Cedo percebi que o meu caminho passaria pela criatividade e pela imaginação. Comecei com desenhos e rabiscos, passei a pequenas histórias e mais tarde cheguei à publicidade e às peças de humor. Foi também desde cedo que dei por mim a mergulhar no mundo dos videojogos, quase antes de começar a andar - até porque, quando jogava, jogava sentado. Anos mais tarde, licenciei-me em Publicidade e Marketing e trabalho há algum tempo na área do Marketing e da Criatividade Digital. No Ardinas 24, já escrevi e opinei, e sou agora autor da rubrica semanal Bonus Stage, um pequeno espaço sobre videojogos e o mundo do Gaming.

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