Quais as grandes tendências de consumo para 2019? Uma viagem no tempo com aterragem no Novo Ano

Vivemos tempos atribulados, dinâmicos e com valores conflituantes. Na atualidade, as forças do capitalismo desenfreado, as exigências da ecologia, a descrença nas forças políticas, juntamente com o consumismo irresponsável e o hedonismo narcisista, fazem com que o vislumbre de 2019 seja o reflexo de uma sociedade que, poupo a pouco, procura a mudança.

No fabuloso documentário “The Century of the Self”, Adam Curtis explora a ideia de que a sociedade de consumo nasceu como o meio de controlar as massas num mundo democrático. Assente na teoria psicanalítica de Sigmund Freud e no reconhecimento da existência de forças inconscientes e primitivas de natureza sexual e agressiva, as empresas começaram a usar estes princípios para criar a necessidade por parte dos consumidores de produtos desnecessários e supérfluos. Assim, eram fabricados produtos em massa que, associados aos desejos inconscientes do ser humano, serviam como brinquedos apetecíveis para acalmar e alienar o espírito dos consumidores do início do século XX. Embora, nos nossos dias, ainda possamos reconhecer alguns resquícios deste paradigma, o consumerismo e a disponibilidade de informação criaram um consumidor muito mais esclarecido e interventivo, deitando por terra o poder inexorável das marcas.

Se, atualmente, o consumidor é exigente, defensor de causas e dos seus direitos, responsabilizando as empresas pelos seus comportamentos e ações, também é verdade que, cada vez mais, é exigido às marcas que assumam ativamente uma posição de responsabilidade social e encarnem os valores nos quais os consumidores acreditam. Contudo, no próximo ano, esta tendência irá mais longe. Mais do que um alinhamento com valores e causas, os consumidores querem “Marcas Legislativas”.

Este ponto conduz-nos à primeira tendência para 2019. De acordo com David Mattin, Global Head of Trends & Insights na TrendWatching, “as pessoas querem sentir que a vida que levam se alinha com os seus valores mais profundos”. Esta procura por autenticidade leva então à criação deste novo conceito de “ Marcas Legislativas”.

Com a descrença nas forças políticas, o consumidor passa a atribuir às marcas o dever de participar e intervir na alteração das leis vigentes. Espera-se que as “Marcas Legislativas” sejam ativistas e defensoras de causas sociais e ambientais, bem como grandes promotoras da mudança. Um exemplo desta realidade é a marca de cosméticos norte-americana Beautycounter, que levou os seus representantes a Washington para pressionar a criação de uma nova lei sobre a segurança dos produtos de beleza, promovendo uma maior regulamentação deste setor.

Outra grande tendência, apontada pela TrendWatching, será a de nos tornarmos em “Ratos de Laboratório”. Se juntarmos a obsessão pelo bem-estar, a saúde, o corpo e a longevidade ao espírito cada vez mais experimentalista da nossa sociedade, percebemos que o consumidor estará, mais disposto do que nunca, a testar produtos e serviços que lhe permitam o maior controlo possível sobre estes aspetos. Com vista a atingir um estágio ótimo e o equilíbrio perfeito, os gadgets e aplicações que medem o estado fisiológico são já um sucesso. Contudo, haverá muito espaço para inovar e dar resposta a esta necessidade dos consumidores. Um exemplo extremo desta tendência é o programa pioneiro lançado pela Nestlé no Japão, onde amostras de ADN são utilizadas para formular um produto adaptado unicamente às necessidades de cada consumidor. Parece mentira, não é!?

Esta previsão transporta-nos para a terceira tendência de 2019: a Personalização. Desde comida adaptada ao nosso código genético, passando por lojas do futuro com espelhos de realidade aumentada e terminando com publicidade ajustada às preferências de cada utilizador, não haverá freio às inovações neste campo.

Como última tendência, temos a “Pegada Verde”. Os consumidores, motivados pelas preocupações ambientais, a saúde e o bem-estar, irão continuar a procurar ativamente produtos mais naturais, saudáveis e com um menor impacto sobre o meio-ambiente, sendo aqui de destacar a influência do papel legislativo das marcas e a procura pela longevidade e melhor qualidade de vida.

Desde os primórdios da sociedade de consumo até a atualidade, houve uma grande evolução social, económica e tecnológica. No novo ano, espera-se que o ativismo das marcas, o experimentalismo, a personalização e o comportamento verde estejam na pauta de cada dia.

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