Economia Circular: Nada se Perde, Tudo se Transforma

Vivemos no paradigma da economia linear, onde o ciclo de vida limitado dos produtos, a exploração desenfreada dos recursos e o consequente desperdício e poluição são sinais graves de um modelo insustentável e imediatista. Com a sensibilização para os problemas ambientais e o desenvolvimento sustentável, a economia circular surge como uma alternativa aos tradicionais sistemas de produção e consumo.

Enquanto a economia linear define um processo cuja lógica é produzir, consumir e deitar fora, a economia circular tem como pilares-base a redução, reutilização e reciclagem, defendendo um modelo de crescimento económico que deixa de estar ligado ao aumento da exploração de novos recursos, mas antes ao reaproveitamento dos recursos já existentes.

Podemos perguntar se esta abordagem é uma utopia ou realidade iminente. No entanto, embora mundialmente o sistema económico ainda seja escravo do modelo linear, existem vários exemplos que demostram que, pouco a pouco, as organizações estão a consciencializar-se dos benefícios do modelo circular, entre eles, a redução da pegada ambiental, a estabilização do preço das matérias-primas e a redução dos riscos de fornecimento.

Este é o caso da Soditud, uma empresa portuguesa que transforma o descartável em sustentável ao comercializar pratos, tigelas e talheres a partir do farelo de trigo. Para além de substituir o plástico, uma das matérias mais poluentes do mundo, por um material biodegradável, também vende palhinhas comestíveis de diversos sabores. Contudo, é o mercado da cortiça que se tem assumido como porta-estandarte da economia circular em Portugal. Da moda e design ao setor ferroviário, as empresas nacionais conseguiram encontrar um substituto biológico de materiais não renováveis e aplica-lo às mais diversas finalidades.

De acordo com a McKinsey & Company, prevê-se que a economia circular gere um lucro anual de 1.8€ triliões em 2030. Em certos setores, tais como a construção, os custos poderão baixar para metade e no setor automóvel “o car sharing, a condução autónoma, os veículos elétricos e a utilização de melhores materiais poderá baixar o custo de condução em 75%”.*

Numa sociedade extremamente consumista, espera-se que esta nova corrente económica venha combater o fim de vida precoce e planeado dos produtos. Segundo a Teoria da Obsolescência Programada, os fabricantes decretam propositadamente o fim do funcionamento dos bens de consumo. Neste sentido, a economia circular poderá servir como movimento de pressão junto das forças políticas e legislativas no sentido de acabar com o desperdício e o lixo eletrónico.

*Dados do Relatório “The Circular Economy: Moving from Theory to Practice”
Designed by mindandi / Freepik

Seja o primeiro a comentar

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado.