Veganismo: De Nicho a Tendência do Ano

A preocupação com a saúde, o estilo de vida saudável, o meio ambiente e os direitos dos animais veio questionar fortemente os nossos hábitos alimentares. Neste sentido, muitos consumidores já praticantes ou não do vegetarianismo decidiram adotar uma dieta vegana ou simplesmente diminuir o consumo de carne. Como é que uma prática de nicho se tornou numa das principais tendências de 2018?

Hoje em dia, encontrar opções de alimentos que excluem ingredientes de origem animal já não é a mesma dor de cabeça de há uma década atrás. Nos últimos anos, a oferta da restauração e retalho tem-se adaptado a esta crescente procura por produtos de origem exclusivamente vegetal. Isto é visível na proliferação dos substitutos do leite.

Em Portugal, é cada vez mais frequente encontrar nos lineares dos supermercados alternativas como as bebidas de soja, amêndoa, arroz ou aveia. Esta tendência fez-se sentir no mercado do leite que, após uma quebra de consumo nos últimos dez anos em prol das bebidas vegetais, mostrou desde o último ano sinais de estabilização. O lobby do leite reagiu com campanhas de sensibilização da opinião pública, ao mesmo tempo que apostou na oferta de leites sem lactose e no lançamento de produtos inovadores, como os leites sem lactose com sabor a aveia ou amêndoa, lançados recentemente no mercado.

“Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades”. Segundo um estudo do Centro Vegetariano, divulgado pela Revista Grande Consumo, não só a perceção da dieta vegetariana mudou, sendo que mais de 4 em cada 10 portugueses consideram este regime alimentar nutritivo, como também o número de consumidores vegetarianos não para de crescer, tendo quadruplicado na última década. Se, em 2007, existiam apenas 30 mil vegetarianos em Portugal, atualmente existem 120 mil, dos quais 60 mil são veganos.

Qual é então o perfil do consumidor vegano? São habitualmente mulheres ou jovens entre os 25 e os 34 anos. Francisco Reis, CEO do Grupo Equanto, afirma que “o perfil exato dos consumidores vegan são jovens adultos com preocupações vincadas pelo respeito e direito à vida e pela saúde em geral”, declarou numa entrevista à mesma revista.

Podemos destacar o papel dos millennials enquanto agentes de mudança nos hábitos de alimentação. Graças à demanda por um maior número de alternativas à proteína animal, verificamos um aumento e diversificação da oferta de produtos veganos em Portugal e no mundo. De acordo com um estudo da Technavio, prevê-se que o mercado de produtos vegan cresça 11% ao ano até 2020.

São inúmeras as oportunidades de mercado alavancadas pelo veganismo, seja pelo aumento do número de adeptos deste tipo de dieta, seja pela quantidade de curiosos ou consumidores ocasionais deste tipo de produto. A realidade é que este movimento leva-nos a ponderar as nossas escolhas e, por vezes, a entrar na secção bio do supermercado com a simples tentação de experimentar uma opção mais natural e saudável.

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