Conveniência: A Lei do Menor Esforço

No início dos anos 50, estudos de mercado levados a cabo por fabricantes de alimentos preparados confirmaram a recetividade das consumidoras face a estes nos novos produtos. Curiosamente, o entusiamo das entrevistadas não se traduziu nas escolhas que eram depois feitas no supermercado, antes pelo contrário. Foi então que um focus group conduzido por Edward Bernays para a Betty Crocker Foods sobre a aceitação dos preparados para bolos pelas donas de casa revelou que existia uma importante barreira psicológica a ultrapassar: lidar com o sentimento de culpa suscitado pela ideia de instantaneidade e conveniência. A solução encontrada foi simples. Às instruções de preparação foi acrescentada a adição de um ovo e assim as consumidoras poderem experimentar um maior sentimento de participação.

Desde o despontar da sociedade de consumo até aos dias de hoje, o conceito e as implicações do termo conveniência mudaram drasticamente, assim como as noções dos papéis de género. Atualmente, será difícil imaginar uma mulher a sentir-se culpada por pouco ou nada participar na confeção dos alimentos. Aliás, num mundo tão veloz, frenético e exigente, onde coabitam papéis por vezes tão difíceis de conciliar, o tempo é precioso e devemos aproveitá-lo para realizar tarefas que nos tragam autossatisfação. Apesar de esta definição variar de pessoa para pessoa, cada vez mais estas tarefas são de cariz hedonista e egoísta. Hoje, conveniência é sinónimo de poupar tempo para gastá-lo naquilo que de facto nos dá prazer.
O recente estudo “The Quest for Convenience” da Nielsen identificou 6 fatores que influenciam neste momento a valorização da conveniência por parte dos consumidores. Para além da mudança dos papéis sociais e de género, o rápido aumento da densidade populacional das cidades a nível mundial, a superlotação dos meios de transporte, o envelhecimento da população, bem como os avanços tecnológicos e a menor dimensão dos agregados familiares tem um forte impacto sobre a procura por produtos de fácil e rápida utilização.
De acordo com a empresa de estudos de mercado, os hábitos de alimentação estão a ser profundamente modificados pelo acelerado estilo de vida. Na atualidade, o consumo de snacks está a substituir as refeições principais em todo o mundo. Os valores chegam mesmo a ser alarmantes. Em cerca de 40% dos casos um snack substitui um almoço ou um jantar, sendo que em mais de metade das vezes um snack é um substituto de um pequeno-almoço.
Também as visitas ao supermercado são agora mais frequentes, mas prossupõem um menor volume de compras e respondem a necessidades momentâneas. No presente, 10% dos consumidores fazem compras no supermercado apenas para aquele dia.
Ao falarmos de conveniência, não podemos deixar de referir a tecnologia, o seu maior aliado. O comércio online e a realidade aumentada têm ajudado a que exista uma diminuição das visitas às lojas físicas para comprar bens duradouros, artigos de moda ou para contratar um serviço. Embora as vendas online dos bens de grande consumo ainda fiquem atrás dos bens duradouros e serviços, a grande tendência é de esta realidade mudar nos próximos tempos, sendo a conveniência o principal fator motivador.
Se a Revolução Industrial deu origem à produção em massa e criou as raízes da sociedade de consumo, a Revolução Tecnológica deu um novo sentido à satisfação das necessidades dos consumidores, sendo a conveniência um dos benefícios centrais dos produtos e serviços do século XXI.

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