A nossa vida salva por um louco!

No último artigo ficou a pergunta no ar: será que conseguimos chegar à praia pelas rochas à noite, sem luz nenhuma?! Bem, nós respondemo-vos já: sim, conseguimos! Mas não sozinhos! E não antes de gritar por socorro!

A saltar de rocha em rocha, sem luz nenhuma, só com a luz de um telemóvel (o outro já tinha ficado sem bateria) e a praia nunca mais aparecia! Decerto não víamos nenhuma luz ao fundo do túnel (risos)! Apenas víamos a luz que saía da lanterna do nosso telemóvel, que já dava sinal de pouca bateria, enquanto atestávamos que rochas seriam seguras para subirmos e descermos. Ambos já com pouca esperança em relação ao plano traçado, começámos a desesperar (mesmo que não demonstrando um ao outro)… Vimos um quarto de um resort num cume mais à frente de nós e a esperança volta a iluminar-se! Teríamos apenas de trepar uns grandes rochedos, soltar para o lado do resort e bater à porta dos guests deste quarto na esperança que nos deixassem entrar pela janela para finalmente voltar a estar em terras habitáveis! Fácil, certo?! Bem…

Na tentativa de chegarmos o mais perto do quarto do resort, deparámo-nos com um enorme espaço entre duas grandes rochas, apenas com mar entre as duas a uma distância perigosa demais para tentarmos saltar. Não conseguíamos saltar, e a esperança morreu de novo.

Entretanto a última bateria acabou, e ficámos sem telemóveis e de vez sem luz… E não só estávamos rodeados de rochas cheias de lixo espalhado, que nem sequer havia onde pormos os pés, como ainda começámos a ouvir barulhos de ratos a chiarem. Esse, sim, foi o grande desafio. A Matilde tem uma fobia enorme de ratos e entrou em pânico com o acumular das situações e acabou por cair de uma pequena rocha. Esfolou uma perna e partiu uma unha que acabou por ter de arrancar umas semanas depois… Não foi fácil, acreditem.

Já não víamos nada e, mesmo com a maré baixa, não sabíamos o que iríamos encontrar e tínhamos todo o material fotográfico! Não tínhamos alternativa: tivemos de começar a gritar por socorro. “HEEELP, HEEEEEELP, HEEEEEEEEEEEEEELP”. E foi disto durante alguns minutos até que alguém desse quarto nos ouviu e apareceu na janela. Numa comunicação aos berros e muito atrapalhada lá conseguimos pedir que nos chamasse um pequeno barco, alguém que nos fosse buscar, pois estávamos presos. Entretanto, a senhora abanou a cabeça dando sinal de que tinha entendido, mas na verdade não tínhamos a certeza disso e esperámos, esperámos… Até não aguentarmos mais e voltar a gritar por ‘’socorro’’.

De repente, apareceu uma luz vinda do mar. Seria a nossa ajuda? Só podia! Começámos a acenar e a gritar mas não tínhamos nada que nos iluminasse. A luz foi-se aproximando na nossa direcção e notámos que ela vinha de baixo de água! Por momentos pensámos que nos tinham enviado um submarino de salvamento (risos). Entretanto, a luz chegou ao pé de nós e está, nada mais, nada menos, do que na cabeça de um homem que tem uns óculos e barbatanas de snorkeling… E pergunta se precisamos de ajuda! Na verdade não era o barco para nos salvar… Era apenas um argentino meio louco que decidiu ir fazer snorkeling à noite… Sozinho!

De facto um episódio único, mas a verdade é que esse louco, Christian de seu nome, acabou por nos salvar e até acabámos por ficar grandes amigos. Ainda hoje mantemos o contacto! É por estas situações que tanto amamos viajar e explorar o desconhecido! Dificilmente nos esqueceremos deste episódio e, como é óbvio, o louco estará sempre ligado a ela.

Ele contou-nos que tinha acabado de chegar à ilha no último barco da tarde e que lhe disseram que fazer snorkeling à noite naquela ilha era algo a não perder! Nós ficámos um pouco surpresos como é que alguém se aventurava num primeiro dia na ilha, mas na verdade não podíamos criticar muito, tendo em conta a situação em que nos encontrávamos, e só podíamos era agradecer o facto de o Christian se ter aventurado nessa noite, pois acabara por nos salvar!

Estávamos bem perto da praia e na verdade acabámos por sair pela água, com o mar ao nível do peito. Christian apenas nos indicou o caminho de areia mais alto de maneira a não molharmos as nossas coisas. A Matilde, a coxear, e o Miguel, com as coisas na cabeça, nós chegámos à praia em 5-10 minutos! Christian despediu-se de nós com um “adeus” em francês, mais um dos muitos que confunde o português (risos). Não sabíamos se o voltaríamos a ver mas agradecemos-lhe como se, caso ele não tivesse aparecido, acabaríamos por ter morrido (exageradamente).

Depois destes momentos intensos, na verdade os mais intensos da viagem inteira, estávamos esgotados, e ainda nos esperava uma caminhada de 15 minutos até ao quarto, de novo sem luz. Sentámo-nos na areia e era altura de respirar fundo, bem fundo. Aproveitámos o facto de estar a dar um espetáculo de malabaristas com fogo e fomos beber uma cerveja para relaxar. Não conseguíamos fazer esse caminho já. A cerveja satisfez muito menos do que esperávamos pois, na verdade, tudo aquilo de que precisávamos era da nossa cama!

Era altura de uma nova aventura: fazer o caminho entre praias (percurso a vermelho na imagem abaixo), sem luz, novamente. Esperámos que alguém passasse com luz para a Coral Bay, mas àquela hora seria hora de ir da Coral Bay para a Long Beach para os bares (na verdade, só existem dois), e não o contrário. Então tínhamos que arranjar outra solução! A nossa única alternativa foi ligar a nossa câmara fotográfica, o nosso único aparelho eletrónico com bateria e usar o flash. Resultava apenas quando carregávamos no botão para tirar fotografia e por meros microssegundos. Conseguem imaginar este caminho?! Bem, nós sabíamos que já estávamos em segurança, portanto já só nos divertíamos com a situação!

Chegámos ao nosso humilde quarto, ligámos a ventoinha e adormecemos.

Imaginam com quem tomámos o pequeno almoço no dia a seguir? Está bem que Kecil é a ilha pequena das Perhentians Islands, mas nós não estávamos à espera deste reencontro! Fiquem para o nosso próximo artigo do Ardinas 24 para acompanharem este reencontro!

Até lá, acompanhem também as novidades no nosso site Instagram e/ou Facebook , enquanto exploramos o melhor do nosso país! Estivemos no Gerês e agora estamos no Algarve! Não percam!

Com amor,

Matilde e Miguel.

PS: Interessados também num estilo de vida nómada, trabalhando online, onde quiserem? Seja nas Perhentian Islands ou no conforto da vossa casa? Vejam como aqui.

Sobre TravelB4Settle 27 artigos
Somos a Matilde e o Miguel, um casal de portugueses que deixou tudo para trás e decidiu seguir o sonho em comum! E que sonho é esse? Viajar a tempo inteiro e explorar todo o mundo enquanto trabalhamos online! Não, não somos especialistas em tecnologia e nunca fizemos nada online, mas, hoje em dia, tudo aquilo de que precisas é conexão à internet e uma forte vontade. Assim, podes aprender qualquer coisa e consegues o que quiseres! E isto foi o que fizemos: virámos as costas à sociedade e ao caminho tradicional (imposto por esta) e lançámo-nos nesta aventura com o objetivo principal de ajudar todos os que têm o mesmo sonho que nós! Estamos nas grandes redes sociais como “Travelb4Settle” e agora estamos no ARDINAS 24 a partilhar as nossas experiências e conhecimento sobre o mundo que andamos a descobrir! O online e o planeta terra!

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