Setor do Luxo: As 7 Tendências que Ditam a Moda

Nos últimos anos, tem-se verificado uma gradual abertura das marcas de luxo aos avanços da tecnologia. Se até há bem pouco tempo este mercado gritava “não” à mudança por recear a perda de diferenciação, a verdade é que atualmente são precisamente as inovações tecnológicas que têm acrescentado o “Q” de único ao posicionamento das marcas. Com base num recente estudo* da CBINSIGHTS, quisemos explorar a forma como estas transformações estão a moldar o setor.

De acordo com a empresa de Market Intelligence, a resistência dos retalhistas de luxo tradicionais à criação do seu próprio comércio online fez com que uma série de startups tomasse a dianteira e criasse modelos inovadores de negócio que abalaram o mercado da moda. Empresas como a Farfetch e Net-a-Porter ditaram um novo rumo num setor que resistia a apostar no digital. Agora, passados alguns anos, os retalhistas começaram timidamente a lançar as suas plataformas de e-commerce, disponibilizando o seu inventário 24 sobre 24 horas num ambiente que se pretende tão envolvente e magnético como a loja física.

Se na loja online a usabilidade é a linha maestra, na loja física adotar a realidade virtual já não é ficção científica.

Empresas como a MemoMi Labs criam espelhos para provadores que refletem a imaginação dos consumidores, permitindo-lhes experimentar virtualmente diferentes peças e alterar as suas cores sem que para isso tenham de mudar de roupa.

Com base em informações minuciosas sobre o comportamento e preferências do consumidor fornecidas pelas ferramentas de web analytics, as marcas conseguem hoje oferecer produtos online totalmente personalizados, com custos de produção inferiores, que vão desde perfumes masculinos que exalam a dieta, temperatura corporal e ambiente de trabalho dos seus compradores até malas de senhora com 120 combinações possíveis à escolha.

Também o aluguer de produtos de luxo é cada vez mais uma tendência comum e transversal. Este modelo de negócio, concebido e desenvolvido pelas startups ao longo dos últimos 10 anos, atrai agora alguns olhares de empresas de grande dimensão que veem nos serviços de subscrição uma oportunidade de aumentar a lealdade à marca e de recolher dados sobre os consumidores, criando experiências altamente personalizadas. Na indústria automóvel, a Porsche para captar um público-alvo mais jovem lançou, no ano passado, um serviço flexível de subscrição, o Porsche Passport, em que o utilizador pode escolher um veículo consoante a ocasião e mudar regularmente de viatura, estando este serviço coberto por um seguro.

As crescentes preocupações ambientais têm também dado lugar ao que podemos chamar de “luxo responsável”. Os consumidores exigem cada vez mais alternativas aos produtos de origem animal e de extração mineral. Hoje em dia, por mais difícil que seja de acreditar, já existem empresas a fabricar couro a partir do ananás e a produzir diamantes em laboratório. Para acabar com a poluição associada à extração de minerais do solo, a Diamond Foundry consegue criar diamantes artificialmente com o recurso a um reator que simula a alta temperatura e pressão do manto da Terra.

Para além de criar tesouros que valem milhões, a tecnologia ajuda ainda a autentificar os artigos de luxo, combatendo a contrafação e a fraude. Uma vez mais, a inteligência artificial desempenha um papel crucial na deteção de bens contrafeitos. Graças à tecnologia blockchain, que também tem sido utilizada na autentificação dos produtos de luxo, o investimento neste mercado é agora mais simples, económico e seguro.
São incontáveis as mudanças trazidas pelos avanços tecnológicos ao setor do luxo, mas no cerne de todas elas, como não poderia deixar de ser, está a afirmação da exclusividade.

* The Disruption Of Luxury

 
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