Life is Strange 2: A próxima escolha

Life is Strange foi um dos grandes e mais impactantes sucessos dos últimos anos. Diferente do que, até então, podíamos encontrar no mercado, Life is Strange (2015) surgiu como uma lufada de ar fresco, com um videojogo de consumo leve, mas conteúdo rico e forte em termos de enredo, ambiente, emoções e envolvimento do jogador.

Escolhas, escolhas e escolhas. Decisões, decisões e decisões. Estas são as duas (ou seis) palavras que mais bem descrevem o universo Life is Strange, que, com um formato inovador, descobriu um nicho bastante grande, pelo qual tem feito alastrar a tempestade que abalou o panorama moderno dos videojogos. De Max Caufield a Chris Eriksen, foram muitas as personagens que cruzaram o universo criado pela DONTNOD e que, desde então, têm dado asas à criatividade de profissionais e fãs, em novos títulos e conversas online que parecem não ter fim.

 

Life is Strange ou Max & Chloé?

Foi em 2015 que Max Caufield e Chloé Price se deram a conhecer aos jogadores de todo o mundo, no título Life is Strange (2015), vencedor de dezenas de prémios internacionais, conquistando de imediato um lugar único no universo do Gaming e permanecendo, desde então, no imaginário de fãs e gamers, entre as muitas teorias e fanfics que giram em torno daquele que é – a meu ver – um dos melhores e mais bem conseguidos videojogos dos últimos tempos. E por “últimos tempos”, entendam-se uns bons pares de anos.

Para ser franco, uma das razões pelas quais considero o universo de Life is Strange tão fascinante e envolvente passa, precisamente, pelas inesgotáveis discussões que orbitam a narrativa, as personagens e a forma como momentos e acontecimentos transversais a episódios e capítulos acabam por coincidir e encaixar de forma lógica e credível. Talvez façam todo o sentido, talvez até estejam corretas; certo é que, do ponto de vista estratégico, trata-se de um Marketing que compensa e chega para recompensar.

 


Após o sucesso alcançado em 2015, Life is Strange regressou com a prequela Life is Strange: Before the Storm (2017), protagonizada pela rebelde Chloé Price, um dos dois maiores astros de Life is Strange. O destaque dado a Chloé em Life is Strange: Before the Storm faz (um pouco mais de) justiça ao poder e impacto que a personagem tem no universo Life is Strange. Ainda assim, o recente e emergente protagonismo dado à personagem acaba por ser mais uma vez abafado, agora por Rachel Amber, a misteriosa rapariga desaparecida no original Life is Strange (2015). Sim, sou contra spoilers e, como sei que nem todos experimentaram Life is Strange, prefiro deixar a conversa assim.

 


Chloé Price foi sempre o centro da ação e da narrativa, nunca o sendo necessariamente. Grande parte do enredo gira em torno da casa de Chloé, da família de Chloé e do passado de Chloé, mas a personagem em si acaba por ser um pouco esquecida, mesmo atendendo a todos os acontecimentos que giram sempre ao seu redor.

 

Chris Eriksen, o herói improvável

Deixando Max e Chloé para trás – embora contra a vontade de muitos fãs – o universo Life is Strange prossegue caminho, tendo sido recentemente anunciado o novo Life is Strange 2, cuja principal rampa de lançamento foi a promoção do gratuito The Awesome Adventures of Captain Spirit (TAAoCS). Mais uma vez, e como é apanágio da série, o pequeno TAAoCS fez explodir redes sociais, fóruns e chats, com opiniões mais ou menos fundamentadas relativamente ao que tinha acontecido e ao que estaria para acontecer em breve.

The Awesome Adventures of Captain Spirit contou, como personagem principal, com Chris Eriksen, um menino de 10 anos capaz de tocar o coração de todos os jogadores com a sua ingenuidade, a sua bondade e a sua infinita e fértil imaginação, que deixou no ar o indício da sua presença – como possível protagonista – em Life is Strange 2. Sabemos, neste momento, que tal não irá acontecer.

Podem ler mais sobre a história de Chris Eriksen, protagonista de The Awesome Adventures of Captain Spirit, no artigo que escrevi há umas semanas.

 

Uma história, dois irmãos e mil caminhos

Com o passar do tempo, muita expectativa foi criada em torno de Life is Strange 2, quer pelo impacto que Life is Strange (2015) teve e tem, quer pelo recente percurso trilhado no caminho de toda a série. Certo é que o final de The Awesome Adventures of Captain Spirit deixou em aberto inúmeras possibilidades relativamente a Life is Strange 2, mas não tardou muito até se descobrir o fio à meada.

 


Daniel e Sean são as personagens principais de Life is Strange 2
e, apesar de não terem um passado com o qual estejamos familiarizados, como o de Max Caufield, o de Chloé Price ou o de Rachel Amber, não nos são de todo estranhos. Os dois irmãos, Daniel, o mais novo, e Sean, o mais velho, foram a chave que desencadeou o mistério e a enorme especulação decorrente do final de The Awesome Adventures of Captain Spirit, falando-se, deste logo, nas suas possíveis participações em Life is Strange 2.

Nesta nova aventura, os super-poderes estão novamente de regresso e a ação tem início com o acontecimento ilustrado no teaser, decorrendo então pelo tempo e pelo espaço. O jogador assumirá o papel de Sean e será levado numa jornada (em fuga) com o irmão mais novo, Daniel, por cenários e ambientes clássicos, com o toque nostálgico de Life is Strange, podendo ainda cruzar-se com elementos do título de 2015, o que fomentará certamente as teorias já existentes e dará coesão ao universo criado pela DONTNOD.

 

 

Enquanto fã e seguidor da série, não posso esconder o entusiasmo pela chegada de um novo capítulo desta história; e a verdade é que o enredo, a banda sonora, as personagens e a profundidade de Life is Strange não deixam ninguém indiferente. Sem dúvida, uma das minhas próximas escolhas (ainda que setembro seja um mês forte em termos de lançamentos e novidades).

Life is Strange 2 desenrola-se, tal como Life is Strange (2015), por episódios. O primeiro chega no próximo dia 27 de setembro.

Sobre Diogo Ventura 103 artigos
Cedo percebi que o meu caminho passaria pela criatividade e pela imaginação. Comecei com desenhos e rabiscos, passei a pequenas histórias e mais tarde cheguei à publicidade e às peças de humor. Foi também desde cedo que dei por mim a mergulhar no mundo dos videojogos, quase antes de começar a andar - até porque, quando jogava, jogava sentado. Anos mais tarde, licenciei-me em Publicidade e Marketing e trabalho há algum tempo na área do Marketing e da Criatividade Digital. No Ardinas 24, já escrevi e opinei, e sou agora autor da rubrica semanal Bonus Stage, um pequeno espaço sobre videojogos e o mundo do Gaming.

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