Ambienta-te – Movimento slow fashion

A indústria da moda é maioritariamente composta por grandes retalhistas que produzem roupas descartáveis baratas que estão sujeitas a problemas que vão da poluição ao desperdício a condições de trabalho inseguras. Ao mesmo tempo que precisamos de roupas no nosso dia-a-dia devemos tornar-nos consumidores mais conscientes no que toca à roupa que compramos. A resposta a este problema é o movimento “slow fashion” (moda lenta).

A nível ambiental a indústria da moda é a segunda indústria mais poluente do mundo – A produção de fibras sintéticas e o beneficiamento do couro geram químicos tóxicos e/ou utilizam uma grande quantidade de petróleo, a libertação de compostos voláteis na produção contaminam o ar que respiramos, toneladas de água são usadas e contaminadas durante o fabrico de roupas e ainda são emitidas toneladas de gases poluentes no transporte das roupas pelos diversos países onde são parcialmente produzidas antes de chegar à lojas.

A nível social, a indústria têxtil é assustadora: milhares de pessoas no mundo, especialmente em países em desenvolvimento ou subdesenvolvidos, trabalham nas chamadas “sweatshops” (fábricas do suor) onde são exploradas em fábricas, com salários abaixo do mínimo necessário à sobrevivência, muitas vezes ganham menos de um euro por dia, e trabalham em condições precárias: edifícios a degradarem, 12 horas ou mais de trabalho e tratados como lixo. É eticamente angustiante e desafia todas as leis da humanidade e dignidade.

É alarmante que muitos dos produtos são descartados rapidamente poluindo o ambiente não só pela produção dos mesmos ser de baixa qualidade, mas também pelo consumismo. O movimento da “fast fashion” é muito difícil de combater uma vez que as marcas de roupa fazem questão de alimentar um consumo exagerado de produtos ao produzirem imensas coleções diferentes por ano, fazendo publicidade às mesmas utilizando os “influenciadores” nas redes sociais, produzindo roupas baratas e aliciantes e ainda fazendo jogo psicológico para fomentar na sociedade um desejo de consumir roupas de forma extravagante.

A verdade é que a moda ecológica e ética sofre muito pelos preços que tem: compramos mais barato porque ou queremos mais – se virmos uns ténis por 40€ produzidos eticamente e ecologicamente provavelmente não os vamos escolher tendo mesmo ao lado a hipótese de comprar 4 ténis diferentes por 10€ que podem não ser ecológicos nem eticamente produzidos, ou porque temos mesmo pouco dinheiro – vemos uma camisa por 30€ ecólogica e ética e não temos dinheiro para a pagar e iremos comprar as de 5€. Só que os 40€ e 30€ são a realidade de preço de roupa produzida com materiais não poluentes e principalmente que as pessoas que o produzem são pagas de forma justa e digna.

A slow fashion é um movimento que surge como a escolha deliberada de comprar itens de melhor qualidade, ecológicos e produzidos de forma ética. Optando ainda por comprar apenas o necessário e essencial para puder pagar itens mais caros, comprar em segunda mão roupas que foram descartadas da fast fashion ou reciclar e atualizar itens que já existem no nosso roupeiro se queremos estar mais “na moda”. Esta opção é essencial se queremos deixar de contribuir para a destruição do nosso planeta e para o nível de vida degradante ao qual trabalhadores da indústria estão aprisionados. O que devemos fazer para adotar a slow fashion no nosso dia-a-dia?

  • Olhar sempre para as etiquetas das roupas que comprarmos para assegurar que são ecológicos (evitar em especial roupas com plástico) e eticamente produzidos. E pesquisar sobre a produção de uma determinada marca que vamos consumir se tivermos dúvidas.
  • Comprar apenas o que necessitamos e nos faça feliz: nada de comprar algo que os nossos ídolos adoram e patrocinam, mas que em nós não nos traz alegria nem fica bem, nem comprar roupa que não nos serve porque ambicionamos que sirva quando perdermos/ganharmos peso.
  • Consumir menos itens de roupa: existem alguns projetos que ajudam a ter um guarda-roupa pequeno não comprometendo o nosso estilo e gosto por roupas como o projeto 333, em que se opta por ter um guarda-roupa de 33 peças versáteis para serem combinadas de várias formas, ou o capsule wardrobe (guarda-roupa cápsula), em que se compra poucos itens intemporais que combinem para serem versáteis.
  • Optar por remendar em vez de deitar fora roupa que se estraga, e caso o dano seja irreversível tenta doar a roupa num centro de reciclagem. Doar toda a  roupa que já não precisarmos para quem precisa em vez de deitar fora.

Aderir ao movimento slow fashion é um grande compromisso por um mundo melhor ao qual todos devemos aderir com passos pequenos. Escolhe comprar roupa ética e ecológica. Humaniza-te. Ambienta-te.

Imagem via Flickr

Sobre Ana Margarida Pereira 77 artigos
Mulher das Ciências de diploma e aprendiz de Comunicadora de Ciência aventuro-me pelo mundo do Jornalismo - aqui no Ardinas escrevo na secção de Ciência. Os meus traços mais peculiares, fora a personalidade, para a maioria das pessoas, é viver na Amadora, ser alérgica à canela e apesar de não ter piada nenhuma querer ser comediante.

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