A desconexão perfeita

Planeámos ficar 3/4 dias e nos primeiros dias chegámos a pensar em ir embora, mas no final, acabámos por ficar três semanas’’. Pois é, a nossa estadia pelas ilhas de Perhentian começou atribulada ao percebermos no dia seguinte que simplesmente não existia internet pela ilha toda! Isto de trabalhar online permite-nos viver em ilhas paradisíacas mas também requer que essas mesmas ilhas tenham internet! E por esta mesma razão chegámos a pensar deixar a ilha! Tinha passado um dia e se o acordar foi maravilhoso, com a vista que tínhamos do nosso bungallow que estava por cima do mar, o anoitecer foi uma experiência bem pior connosco a tentar publicar uma fotografia no nosso Instagram por 4horas no sítio da ilha com a, supostamente, ‘’melhor wiffi da ilha’’. Nem wifi, nem dados… faria sentido ficar? Tínhamos trabalhado bem o mês anterior, só faltava ter a certeza que esta ilha compensava deixarmos um pouco o trabalho de lado!

E não demorou muito até percebermos que viver esta ilha compensaria tudo, e que na verdade não haveria melhor sitio para se estar do que ali mesmo, naquele momento. Assim que nos abstraimos da desconexão com o mundo real e que adoptámos a verdadeira vida de ilha apercebemo-nos do tesouro que estávamos a viver e acabamos por viver experiências incríveis que hoje tanta falta sentimos. Na verdade, apesar de termos considerado ir embora cedo, foi um dos tempos mais felizes da nossa viagem!

Durante o dia aproveitar as imensas praias paradisíacas de areia branca e água transparente tipo cristal, enquanto apreciamos uma diversidade incrível de vida marinha. Ao final da tarde aproveitar o pôr do sol deitado num Hammock (cama de rede) com nada mais do que nós e os nossos pensamentos para divagar.  Não havia como não gostar disto.

Já sabíamos os melhores e mais baratos sítios para comer o pequeno-almoço, o almoço e o jantar! E assim começámos a nossa rotina nesta ilha, a nossa bela vida de ilha. Levantar a olhar o mar, fazer exercício, tomar um pequeno almoço cheio de fruta e panquecas por dois euros, ir diretos para o mar e ficar horas e horas a ver peixes de todos os formatos, cores e tamanhos. Voltar para comer um belo prato asiático por outros dois euros com os pés na areia e e regressar para a água até o sol se pôr. A essa hora voltamos a casa, tomamos um banho de água fresca (não havia outra opção) e seguimos para a sessão de cinema ao ar livre (que havia todos os dias) num restaurante a dois minutos de casa. Comer umas pipocas a um euro, ver o filme, um espetáculo de fogo e percorrer 15 min a pé para ir ao outro lado da ilha ao único bar da mesma e conhecer novos habitantes da ilha! Felicidade pura (risos)

Tínhamos escolhido a mais pequena das ilhas Perhentian, a Perhentian Kecil e já conhecíamos a zona onde vivíamos, Coral Bay, de trás para a frente, tal como o outro lado da ilha habitável, onde era a zona da festa, a Long Beach. Mas ainda não conhecíamos uma zona muito importante para realmente perceber a vida nesta ilha! É que pela Coral Bay e a Long Beach os Malaios que existem são os que gerem negócios locais para os turistas (que não são muitos), negócios de restauração e acomodação. E todos os restantes habitantes da iha, os verdadeiros residentes vivem numa vila de pescadores, onde existe uma escola para todas as crianças (apenas até ao secundário), uma mesquita e várias casas e restaurantes humildes, que servem o melhor peixe da ilha! Claro está, tivemos que ir visitar!

Quisemos explorar ao máximo a ilha e por isso decidimos percorrer o trilho desde a Coral Bay, passando pela Mira Beach, Pitany Beach até chegar à Vila e depois subir até à Long Beach (mapa na na foto em baixo)

Entre a nossa casa e a vila o trilho estava fantástico, em que em todo o caminho tivemos diferentes praias paradisíacas à nossa direita, claro está que tivemos que aproveitar para tirar muitas fotografias e ainda para fazer um pouco de snorkeling. Escusado será dizer que se em qualquer outra altura da nossa vida, fôssemos onde fossemos não íamos sem o telemóvel, aqui na ilha não íamos sem as nossas máscaras de snorkeling (risos).

Perdemo-nos na beleza desta ilha, o que não era difícil! Chegámos à Vila já se aproximava o fim da tarde. Era tempo de comer e experimentar as especialidades desta ilha! E assim o fizemos! Deliciámo-nos com o marisco que o mar do Sul da China oferecera aqueles humildes locais enquanto analisávamos as crianças da vila a brincarem! Realidades diferentes fazem-nos também ter brincadeiras diferentes! Os mais novos brincavam com os mais velhos, todos juntos, provavelmente todos uma grande família! Todos descalços a brincar com petardos! A cada segundo um estoiro diferente e os pais ajudavam as crianças mais pequenas a prepararem o material pra rebentar (muitos deles eram demasiado pequenos para terem força para o que quer que seja)! Outros comiam gelados e deitavam o lixo para o chão de forma automática, de como quem vê todas as suas gerações acima fazer o mesmo diariamente! Um outro miúdo vem ter connosco, não fala inglês mas choraminga algo em Malaio. As pessoas na rua iam afastando-o e mandando-o embora, calculámos que fosse sem abrigo! Situações que claramente, mesmo depois de isto ser uma constante diária na índia, ainda nos fazer muita pena! Acabámos por lhe dar apenas aquilo que tínhamos e que poderia mudar um pouco mais a sua vida naquele dia, um abraço forte e uma fotografia (abaixo) para lhe mostrar que tanto o fez sorrir!

Era hora de voltar, pelas contas do tempo que demorámos a percorrer o caminho até à Vila e o caminho que nos faltava até à Long Beach já tínhamos que apressar o passo, pois não tarda estava a escurecer e nós não conhecíamos o caminho, mesmo calculando que o estado fosse o mesmo até então, bom!

Ora adivinhem lá? Enganámo-nos! Vá-se lá compreender porquê, o caminho depois da Villa estava todo estragado e com ervas até ao joelho a tapar o caminho! Fora isso e nós os dois, tudo o que se via naquele caminho deserto de selva eram sinais a avisar para ter cuidado com os macacos que eram perigosos! What? Isto não estava a ajudar! Supostamente nem havia macacos nesta ilha! Já lá estávamos há uma semana e meia e nunca tínhamos visto nenhum! Continuámos caminho, o sol põe-se! Estar naquela mata sem luz não era bem pensado, houvesse ou não macacos, cobras haveriam de certeza!

Só tínhamos uma opção! Continuar caminho pela praia, de rochas! Saltando de rocha em rocha com cuidado deveríamos ir ter à Long Beach, a primeira praia com civilização, esperávamos nós…

O que é que vocês acham? Conseguimos ou não conseguimos?! Deixem a vossa opinião aqui nos comentários e descubram toda esta história (a mais louca da nossa viagem toda, sem dúvida) no próximo artigo no Ardinas 24.

De uma coisa não temos dúvida: após oito meses pela Ásia este continua a ser o nosso sítio preferido e voltávamos já hoje! Por isso mesmo, não queremos que deixem de visitar esta ilha e escrevemos tudo o que têm de saber sobre a mesma no nosso Guia Completo das Perhentian Islands.

Até lá, acompanhem também as novidades no nosso site Instagram e/ou Facebook , enquanto é altura de explorar o nosso lindo país! Pois é, estamos de volta a casa, a Portugal, e uma coisa vos garantimos: vamos explorar Portugal de Norte a Sul!

Sobre TravelB4Settle 25 artigos
Somos a Matilde e o Miguel, um casal de portugueses que deixou tudo para trás e decidiu seguir o sonho em comum! E que sonho é esse? Viajar a tempo inteiro e explorar todo o mundo enquanto trabalhamos online! Não, não somos especialistas em tecnologia e nunca fizemos nada online, mas, hoje em dia, tudo aquilo de que precisas é conexão à internet e uma forte vontade. Assim, podes aprender qualquer coisa e consegues o que quiseres! E isto foi o que fizemos: virámos as costas à sociedade e ao caminho tradicional (imposto por esta) e lançámo-nos nesta aventura com o objetivo principal de ajudar todos os que têm o mesmo sonho que nós! Estamos nas grandes redes sociais como “Travelb4Settle” e agora estamos no ARDINAS 24 a partilhar as nossas experiências e conhecimento sobre o mundo que andamos a descobrir! O online e o planeta terra!

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