Como serão os Estudantes do Futuro?

Apesar do envelhecimento da população e da consequente diminuição da percentagem de jovens, sobretudo nos países desenvolvidos, o crescimento de inscrições no ensino superior é notoriamente uma tendência mundial. Com base nesta previsão, a Euromonitor lança o relatório “Students of Tomorrow: Global Trends Driving Demand for Education”.

De acordo com a empresa de market intelligence, este acréscimo na procura de educação superior é explicado pelo aumento dos rendimentos das famílias, pelo incremento da oferta de ensino no estrangeiro e de cursos de formação para adultos.

Em termos globais, a taxa de inscrição no ensino superior subiu de 35% em 2011 para 41% em 2016. Simultaneamente, em 2016, 52% dos estudantes universitários eram mulheres. Este fenómeno deve-se à diversificação da oferta e às mudanças culturais observadas nos últimos anos nos países em desenvolvimento. Contudo, de um modo geral, esta diferença percentual não se traduziu no aumento das oportunidades de trabalho, existindo ainda uma desigualdade entre homens e mulheres.

Em Portugal, segundo a Direção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência, houve um crescimento de cerca de 1% no número de inscritos no ensino superior em 2016/2017, comparativamente com o ano letivo anterior, sendo que neste mesmo período aproximadamente 54% dos alunos eram do sexo feminino.

No entanto, embora o aumento do número de estudantes a frequentar o ensino superior seja uma tendência mundial, serão os países emergentes, tais como a Índia e a China, que registarão um maior crescimento.

Paralelamente, tem-se verificado nos últimos anos uma subida das despesas com a educação e espera-se que estas atinjam mais 21% até 2021, devido ao acréscimo do valor das propinas e do número de estudantes dos mercados emergentes. Outra grande tendência é o aumento dos empréstimos para financiar o acesso à educação, prevendo-se que cresçam em 17% nos próximos 3 anos.

Regra geral, tem-se observado uma gradual desresponsabilização por parte dos governos no suporte dos custos da educação, sendo cada vez mais frequente o esforço feito pelas famílias e estudantes para fazer face a estas despesas. Embora ainda não se pague propinas em cerca de 40 países, as propinas nos EUA, Reino Unido e Japão são extremamente elevadas. Nos Estados Unidos, por exemplo, a dívida média de empréstimo correspondia, em 2016, a 37.000 dólares.

Outra tendência importante é a crescente mobilidade dos estudantes. Graças à globalização, no ano passado, cerca de 5 milhões de alunos universitários estudaram no estrangeiro. De momento, uma região particularmente atrativa para acolher estudantes vindos de fora é a Ásia-Pacífico, destacando-se o Japão, Hong Kong e Singapura. No caso de Singapura, em 2016, já 45% da população estudantil era estrangeira.

No que toca ao comportamento de compra dos estudantes, observa-se claramente que as suas prioridades assentam sobre os gastos em tecnologia, produtos de conveniência e experiências. Este público vive segundo a máxima do “carpe diem”, desvaloriza a poupança, é utilizador frequente de serviços como a Uber e o BlaBlaCar e é consumidor habitual de comida preparada e refeições de takeaway. Os alunos universitários valorizam acima de tudo a qualidade de vida, a sociabilidade, a criação de memórias e a vivência de experiências e, como tal, são o alvo perfeito do mercado de entretenimento, viagens e festivais.

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