Ambienta-te – Estamos a esgotar a Terra (Earth Overshoot Day)

Ontem, dia 1 de agosto, foi um dia triste para a humanidade – foram utilizados todos os recursos que a Terra consegue fornecer num ano para alimentar e abrigar os seres humanos, e foi emitido mais carbono do que os oceanos e florestas conseguem absorver. Atingimos, assim, o Earth Overshoot Day (Dia de superação da Terra).

O Earth Overshoot Day (Dia de superação da Terra) marca a data em que a demanda da humanidade por recursos e serviços ecológicos num dado ano excede o que a Terra pode regenerar naquele ano, ou seja, usámos mais recursos e serviços ecológicos do que a natureza pode regenerar, através da sobrepesca, da exploração excessiva de florestas e da emissão de mais dióxido de carbono na atmosfera do que aquilo que os ecossistemas podem absorver. A partir de ontem, todos os recursos que a natureza pode dar num ano foram consumidos, e ainda faltam cinco meses para o ano acabar! É uma data alarmante que desde que começou a ser assinalada em 1970 tem sido cada vez mais cedo, sendo este ano o mais cedo de sempre.

Para determinar este dia, para cada ano, a Global Footprint Network calcula a biocapacidade do planeta (a quantidade de recursos ecológicos que a Terra é capaz de gerar naquele ano) e divide pela Pegada Ecológica da humanidade (necessidade ecológica da humanidade para esse ano), multiplicando depois pelos 365 dias do ano. Foi calculado também que hoje precisaríamos de 1,7 Terras para satisfazer as necessidades dos seres humanos, o que é bastante preocupante uma vez que só temos uma Terra! A distribuição do consumo é desigual no mundo, e os números são ainda mais alarmantes quando nos focamos nos dados de Portugal: os habitantes portugueses precisariam de 2,9 Terras para saciar os seus padrões de consumo, e o Portugal Overshoot Day este ano foi a 16 de Junho, quase dois meses antes do global.

É como um salário e as contas que se têm de pagar. Do lado do salário, a biocapacidade de uma cidade, estado ou nação representa a sua área terrestre e marítima biologicamente produtivas, incluindo terras florestais, pastagens, terras cultiváveis, áreas de pesca e terras construídas. Do lado das contas, a Pegada Ecológica mede o requerimento de uma população por alimentos vegetais, produtos de fibra, gado, produtos de peixe, madeira e outros produtos florestais, espaço para infraestrutura urbana e floresta para absorver as emissões de dióxido de carbono de combustíveis fósseis. No link: http://data.footprintnetwork.org/#/ podes explorar todos os dados relativos à pegada ecológica e biocapacidade do planeta e dos vários países.

Estes dados são alarmantes e é necessário todos tomarmos medidas de modo a mover este dia para o final do ano, muitas das coisas têm de mudar a nível governamental como: ajudar os países a gerirem os seus resíduos e emissões de gases, aplicar leis de mudança de consumo de recursos, investir na ciência e tecnologia ecológica, modificar infraestruturas e o modo como obtemos recursos, entre outros… No entanto, existem várias medidas que cada um de nós pode tomar, como nesta rubrica “Ambienta-te” já deves ter lido – uma dieta à base de plantas, um consumo de produtos não embalados em plástico, o dizer não aos produtos de consumo único descartáveis, a compra de produtos reutilizáveis e sustentáveis, e muito mais. A diferença no consumo de cada um de nós pode fazer a diferença no total! No link: – http://www.footprintcalculator.org/ podes calcular a tua pegada ecológica pessoal e descobrir onde o teu consumo tem de mudar para teres uma vida mais sustentável.

Toma consciência da tua pegada ecológica, Ambienta-te.

Imagem via organização Earth’s Overshoot Day

Sobre Ana Margarida Pereira 77 artigos
Mulher das Ciências de diploma e aprendiz de Comunicadora de Ciência aventuro-me pelo mundo do Jornalismo - aqui no Ardinas escrevo na secção de Ciência. Os meus traços mais peculiares, fora a personalidade, para a maioria das pessoas, é viver na Amadora, ser alérgica à canela e apesar de não ter piada nenhuma querer ser comediante.

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