Os bens de grande consumo e a estratégia omnicanal

Hoje, o mercado dos bens de grande consumo atravessa tempos difíceis. Num período em que o comportamento do consumidor é cada vez mais volátil, prevê-se a estagnação num mercado que, no último ano, registou apenas um crescimento global de 1.9%. É, por isso, urgente a reinvenção do retalho. Com base nesta ideia, a Kantar WorldPanel, empresa especialista mundial no comportamento do consumidor, lança o relatório “Winning Omnichannel: Finding Growth in Reinvented Retail”.

Para entendermos melhor esta tendência, não basta apenas termos em consideração os aspetos demográficos, como a diminuição da taxa de crescimento da população e o seu envelhecimento; há também que salientar o facto de os consumidores estarem a gastar menos na compra de bens de grande consumo e realizarem menos visitas ao supermercado. Assim sendo, não é de estranhar o crescimento acelerado das discounts, supermercados onde proliferam as marcas próprias e que, em Portugal, já representam 15.6% das vendas. Além disso, verifica-se também a generalização das promoções, assim como o aumento considerável do volume de vendas das marcas da distribuição, mais popularmente denominadas por “marcas brancas”.

Não obstante este cenário, existem ainda oportunidades de crescimento, entre elas, a criação de produtos e canais de distribuição que se encaixem na crescente tendência de estilo de vida saudável. Em Espanha, por exemplo, o crescimento em valor da comida orgânica já ultrapassou os 26% desde 2014.

Outra tendência de peso é o crescimento do consumo out-of-home (OOH), que afeta diretamente a estratégia de distribuição dos produtores de bens de grande consumo. Em termos globais, 4 em cada 10 dólares são gastos em bebidas não alcoólicas e snacks para consumir fora de casa. Esta tendência reflete-se também na abertura de cafés e restaurantes dentro dos próprios super e hipermercados.

Graças à tecnologia e à mudança do comportamento do consumidor, também o comércio online tem registado um avanço significativo a nível global, com um crescimento de 15% no ano passado, esperando-se que cresça mais de 7% até 2020, sendo o setor da saúde e da beleza aquele com maior expressão.

No entanto, a estratégia omnicanal é a principal oportunidade alavancada pela Kantar WorldPanel, a qual defende a integração e a coerência dos múltiplos canais de distribuição de forma a permitir a melhor experiência de compra. Esta abordagem pode criar novas oportunidades para o mercado de bens de grande consumo, na medida em que permite criar diferentes pontos de contacto com o consumidor no processo de compra, uniformizando a comunicação ao longo da consumer journey. De acordo com a empresa de estudos de mercado, “criar uma estratégia que verdadeiramente integre as ofertas, tanto online como offline, é crucial para o crescimento”.

3 Comentários

  1. As empresas têm múltiplos canais de comunicação, é um facto, mas geralmente, em Portugal, as informações que prestam via facebook, por exemplo, não são atempadas e muitas vezes são insuficientes.(:

  2. Os Bens de Grande Consumo fecharam o ano com um crescimento de 4,2%, com as marcas de fabricante (4,3%) a crescerem em paralelo com as marcas da distribuicao (4,2%). A categoria das bebidas foi a que mas cresceu (8,4%) seguida da categoria de higiene do lar (3,8%), alimentacao (3,4%) e higiene pessoal (3,1%). No setor da alimentacao, os produtos de mercearia e congelados crescem 4%, demonstrando uma maior procura por produtos premium, saudaveis e de conveniencia. De destacar tambem o crescimento de 2% da categoria dos lacticinios, que no periodo homologo nao registava crescimento. No que refere aos formatos de loja, os supers grandes foram o canal mais dinamico, com um crescimento de 6,7% em relacao ao periodo homologo.

  3. Neste Natal, todas as categorias apresentam fortes crescimentos, contribuindo tambem para o crescimento deste ano. Foi neste periodo que os Bens de Grande Consumo apresentaram o maior dinamismo, com um crescimento de 9,1% em Dezembro face a um crescimento de 2% no periodo homologo. Neste Natal, foram as marcas de fabricante (10,1%) que tiveram um crescimento superior as marcas da distribuicao (6,8%). A categoria das bebidas teve neste periodo o crescimento mais elevado (12,1%), seguindo-se a alimentacao (8,6%, que foi o mais alto valor alcancado ao longo do ano), higiene pessoal (7,9% tendo tambem sido este o maior crescimento do ano) e higiene do lar (7,1% quando em periodo homologo apresentava um decrescimo de 1,4%).

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