Centros Comerciais: A Antevisão do Futuro

Até à data, os centros comerciais têm servido como espaços utilitários, dirigidos a um público-alvo massificado e com uma perspetiva fortemente comercial. E, se no futuro, os centros comerciais se tornassem em espaços de envolvimento com o consumidor? Esta é a visão de futuro da A.T. Kearney. No relatório “The Future of Shopping Centers”, a empresa de consultoria empresarial define os quatro modelos de centros comerciais que serão erguidos nos próximos 12 anos.

Em 2030, com a natural evolução demográfica, o principal alvo de comunicação dos shopping centers será constituído pelos millennials e a geração Z, ou seja, pelas gerações nascidas entre 1981 e 2016. Este público impõe um conjunto de novos desafios aos retalhistas e operadores, destacando-se a diversidade e personalização como palavras-chave. Contrariamente aos baby boomers (1946-1964), estas faixas etárias apresentam um maior grau de complexidade, pois verifica-se uma maior diferenciação de indivíduo para indivíduo e do padrão de comportamento de cada um deles ao longo do tempo. Um exemplo disto é o facto de o consumidor assumir diferentes personas online, sendo cada vez mais difícil de identificar um comportamento padrão único.

Numa Era em que as fronteiras entre o online e o offline se desvanecem e o verbo “fazer” ganha voz face ao “ter”, os centros comerciais tornar-se-ão, acima de tudo, centros de experiências, dando origem a quatro diferentes modelos: os Centros de Destino, os Centros de Valor, os Centros de Inovação e os Espaços Retalho-Residenciais.

Os Centros de Destino serão grandes centros de atrações, destinados não só ao público nacional como internacional. Nestes espaços, podemos esperar atrações como parques temáticos, pistas interiores de ski ou salas de concertos. Aqui, os consumidores terão acesso a serviços de reserva de hotéis nas redondezas ou mesmo a ofertas de entretenimento à distância. Outra grande novidade será a possibilidade do consumidor fazer compras de “mãos-livres” e recolher os artigos comprados no final da sua visita ou selecionar um ponto de recolha à sua escolha. A possibilidade de dar feedback através de ecrãs dispostos no centro ou através do telemóvel será um grande incentivo à obtenção de ofertas personalizadas em tempo real e de promoções exclusivas.

Os Centros de Valor serão espaços comerciais desenvolvidos a partir de um determinado valor ou ideia que irá refletir a identidade de um determinado segmento ou nicho de mercado. Poderá ser, por exemplo, um espaço criado a pensar nos defensores dos direitos dos animais, onde todos os restaurantes sejam vegetarianos ou um espaço construído sobre a ideia de “serenidade”. Por outro lado, esta categoria de centros comerciais também dará a oportunidade ao consumidor de cocriar produtos em tempo real e permitirá às marcas testarem os seus novos produtos diante de um público extremamente segmentado.

Já os Centros de Inovação tratam-se de centros tecnológicos, altamente inteligentes, onde “serão empregados colaboradores para constantemente observarem, gravarem e analisarem os consumidores”, afirma polemicamente a empresa de consultoria. Esta é uma previsão um pouco assustadora daquilo que parece um laboratório de teste de cobaias. Com o reforço da política de proteção de dados, resta-nos perceber até que ponto estarão os consumidores dispostos a disponibilizar as suas informações pessoais em troca do acesso a um centro com tecnologia de última geração. Também aqui poderão ser testadas as versões beta de novos conceitos de loja, produtos ou serviços, tornando-se num lugar perfeito para empresas como a Amazon, Google ou Apple, acrescenta a consultora.

Os Espaços Retalho-Residenciais, por sua vez, serão segmentados para um público-alvo de uma determina faixa etária, oferecendo serviços e produtos que respondem às necessidades desse grupo da população através de uma oferta especializada de retalho, restauração, entretenimento e serviços. Um exemplo deste centro será um espaço pensado para os seniores.

Podemos concluir que a grande transformação deste setor passará não só por uma segmentação mais rigorosa do público-alvo, logo por uma especialização da oferta, mas sobretudo por um investimento na criação de espaços que permitam um envolvimento direto e contínuo com o consumidor. Os centros comerciais do futuro serão locais que oferecem experiências e não somente espaços de transação de bens e serviços.

Foto de capa: Designed by topntp26 / Freepik

2 Comentários

  1. Gostei de conhecer as perspectivas do futuro. Está bem caraterizado e descrito o que poderão vir a ser os novos centros comerciais. Curioso é interessante para um leigo como eu. É mérito da articulista prender a curiosidade até ao fim do artigo.

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