Expensive Soul: “conseguimos reinventar-nos sem perder o nosso estilo”

Ocupados com a gravação do novo disco e com a promoção do mais recente single, “Limbo”, os Expensive Soul estão a ganhar balanço para um regresso grandioso aos holofotes. Demo e New Max estão juntos há 20 anos e já deram à música portuguesa alguns êxitos inesquecíveis, como O Amor É Mágico ou Eu Não Sei. As influências vão mudando, a maturidade vai crescendo, mas algo permanece: a soul.

Conversámos com Demo para uma curta entrevista sobre a nova canção, o novo disco e duas décadas de música e alma.

 

ARDINAS 24 – Passaram-se cerca de três meses desde o lançamento do vosso último single, “Limbo”. Qual tem sido o feedback do público?

Demo – Tem sido ótimo, esta a correr muito bem! As expectativas que tínhamos ao início têm sido alcançadas. Mas, se calhar, fazia-te essa pergunta a ti. Como achas que tem corrido? (risos)

Acho que tem corrido muito bem também, e acho que, no fundo, é uma música que faz o balanço de 20 anos de trabalho e reúne as vossas influências musicais. Foi esse o vosso objetivo?

Sim, sim. É uma data especial, um número bonito, e queríamos que esta canção simbolizasse o nosso percurso e quem nós somos.

É uma canção que vai ser o mote para o novo álbum, que está em preparação. Como está a correr a gravação do disco?

Está a correr muito bem! Acho, honestamente, que é um álbum que vai surpreender as pessoas que nos seguem mais de perto, porque sinto que, mais uma vez, conseguimo-nos reinventar. Ao fim de 20 anos, conseguirmos reinventar-nos sem perder o nosso estilo e a nossa identidade é o melhor que uma banda pode conseguir.

Quando falas de reinventar, estás a referir-te especificamente ao quê?

Olha, a tudo mesmo. Desde a imagem às letras, nós próprios como pessoas… é um bocado o “renovar”. O que ouvíamos há 20 anos não é o mesmo que ouvimos agora. E mesmo assim tens de sentir que o que fazes está bem feito e que é o melhor que fazes nesta altura.

No fundo, o que vos mantém os Expensive Soul de sempre é a Soul. É isso?

Completamente! É a alma na qual nós somos abençoados por continuar a fazer aquilo de que nós gostamos, para as pessoas que gostam de nós.

Falaste há pouco que aquilo que vocês ouvem hoje não é o mesmo que ouviam há 20 anos. Para este novo disco, quais foram os temas e sensações que mais vos inspiraram?

Olha, neste momento estamos mais no feeling de ouvir aqueles grandes nomes dos anos 80 e 90. Michael Jackson, Queen… Acho que nesta fase estamos mais virados para aí.

Sentem que, apesar de terem 20 anos de experiência, ainda há muito por evoluir?

Sabes que nós sentimos que temos vindo a fazer um caminho praticamente sozinhos. Temos 20 anos mas só temos quatro discos, e a nossa evolução é reinventarmo-nos, é ter mais para dar. E isso é cada vez mais difícil, porque não nos queremos repetir. Para nós, o nosso ritmo de trabalho tem feito sentido porque sentimos que temos mais para dar. No dia em que isso não acontecer, se calhar não demoramos quatro anos a fazer discos, demoramos cinco ou seis, provavelmente.

Como é que tem visto, nos últimos anos, o aparecimento de mais projectos dentro da soul, como por exemplo os HMB?

Achamos ótimo e ficamos muito felizes! Acho que é bonito fazerem um bom percurso e acho bom saber que temos aberto portas para novas bandas.

Isso para vocês é visto como concorrência, ou é antes uma forma de darem ainda mais de vocês para manterem o vosso público?

Repara, acho que isso não existe. A ideia de concorrência não cabe dentro da música. Quem pensa dessa forma pensa pequeno. A música é um momento, uma inspiração, uma sensação. E hoje em dia já ninguém inventa nada. Todos se inspiram em alguma coisa. O que é importante é que nós, como humanos, evoluamos. E isso é o que faz sentido. Só o facto de as pessoas terem mais bandas, mais escolhas com diferentes personalidades, é precisamente aquilo que a Música quer. Pelo menos para mim, ou para nós, isso não existe.

Vocês são dois há 20 anos…

É como um bom casamento. (risos)

Era exatamente isso que queria saber. Depois de tanto trabalho juntos, tantos anos passados ao lado um do outro, como é que fica a vossa relação fora de palco?

Já passámos por tantas fases… Principalmente, o que fica é um respeito enorme, que acredito que seja mútuo, e a vontade de fazer música, fazer mais e fazer bem. Eu não consigo entender a hipótese de estarmos vivos e não fazer algo que marque a nossa passagem curta por aqui, pela existência.

Eu sei que o álbum está em preparação, mas como é que vai ser o vosso Verão em termos de concertos e espetáculos? Tens alguma data que queiras divulgar?

Sim! Temos o Sol da Caparica, com uma abordagem diferente e com algumas surpresas que não posso revelar. Vai ser o nosso grande concerto este ano, que nos vai ajudar a levar a nossa música ao maior grau possível.

E planos para o futuro?

Eu acho que só o facto de podermos continuar a fazer boa música portuguesa em Portugal já é uma grande realização. O resto será feito um passinho de cada vez, continuando a fazer o nosso caminho.

Foto: Facebook Expensive Soul

Sobre Gonçalo Esteves Coelho 362 artigos
Sou um poço de contradições. Não gosto de falar mas sou jornalista. Adoro escrever mas cada vez leio menos. Sou sereno mas não consigo resistir a soltar a minha alegria quando escuto música popular. Não gosto do calor mas adoro o mar português, a sua frescura, o seu sal, as histórias que tem para nos contar. Odeio tomar decisões e, no entanto, sou o CEO deste projeto. Nasci em Lisboa, há 21 anos. O meu coração, vermelho e verde, bate por Portugal e por todos aqueles em cujas veias corre igual amor a este país, à nossa gente, à nossa cultura. Vivo perto de Sintra, esse livro de História a céu aberto, em cujos recantos gosto de me perder. Adoro museus, palácios, castelos e igrejas. Regressei ao Ensino Superior e lancei-me numa nova aventura, sem a qual não conseguiria realizar-me totalmente: o estudo da História. Em pequeno, havia quem me dissesse que iria ser jornalista. Também me diziam que deveria ser professor de História e que tinha tudo para ser um novo José Hermano Saraiva. Se calhar sou muito transparente naquilo de que gosto, ou então essas pessoas conheciam-me muito bem. Acertaram. O que virá depois eu não sei. Escolha que caminho escolher, terei de ser eu próprio. Sempre.

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