Depois de Unravel: Unravel Two

Unravel é um dos meus videojogos preferidos. Pela simplicidade, a mensagem, a banda sonora, a arte e tudo aquilo que tem de diferente, quando comparado com os mil e um – ou mais – títulos transmitidos exaustivamente no Twitch e no YouTube, horas a fio e, para os mais distraídos, quase num loop infinito.

São jogos que podemos ver durante uma hora, três horas ou sete dias, que as jogadas, as oportunidades e as falhas vão sempre parecer iguais. Uma das coisas de que mais gosto em Unravel é a facilidade com que consegue fugir deste ciclo repetitivo e transportar-nos para uma história com início, meio e fim, com significado e com um enredo acolhedor, envolvente e nostálgico. Mas isto sou eu. E nem todos podemos gostar do mesmo ou pensar da mesma forma.

Unravel foi lançado em 2016. Não foi um bestseller nem um sucesso de transmissões online como Fortnite ou PUBG. E talvez isso ainda o torne melhor. A arte do jogo é detalhada de forma realista, mas fantasiosa; a banda sonora é clássica e muito longe do habitual registo eletrónico; as personagens são frágeis, profundas e vulneráveis; o universo é terno e caloroso, aberto ao mundo, mas protetor para quem nele se resguarda. Esta é a magia de Unravel: tudo aquilo de diferente em relação a tudo o resto; o barulho dá lugar ao silêncio, os tiros dão lugar aos pássaros, os flashes dão lugar ao pôr-do-sol e as mudanças de ângulo repentinas dão lugar a um estilo linear e minimalista.

Este ano na E3 esperei para ouvir a entrevista a Martin Sahlin, criador de Unravel e Unravel Two, acerca deste último e mais recente título – que já se encontra disponível. É impressionante o trabalho brilhante que nasce da genuinidade e da humildade de quem cria com o coração e com uma inteligência superior àquela a que estamos habituados.

Uma das principais novidades que Unravel Two nos traz, além da nova história, é a possibilidade de ser jogado por duas pessoas. Algo que parece banal, mas que é tão raro hoje em dia. Especialmente porque as duas pessoas têm de estar sentadas lado a lado, podendo conversar, partilhar dicas e ultrapassar obstáculos em conjunto, sem a distância física e emocional e o secretismo estratégico da maior parte do Multiplayers que vamos encontrando por aí. E é assim que transformamos um bracinho do RetroGaming numa perninha de um jogo moderno.

 


Unravel
e Unravel Two não são jogos para as massas – como se costuma dizer em Marketing. Não são jogos para consumo bruto, Grinding ou Button Mashing; são jogos para pensar, para viver e sentir, para ouvir e escrever uma história, com um caminho mágico e uma interpretação que muda de pessoa para pessoa. São – como diz o criador – jogos sobre amor, memórias e laços que nos unem. E, no fundo, é essa simplicidade que os que os torna tão especiais.

Sobre Diogo Ventura 100 artigos
Cedo percebi que o meu caminho passaria pela criatividade e pela imaginação. Comecei com desenhos e rabiscos, passei a pequenas histórias e mais tarde cheguei à publicidade e às peças de humor. Foi também desde cedo que dei por mim a mergulhar no mundo dos videojogos, quase antes de começar a andar - até porque, quando jogava, jogava sentado. Anos mais tarde, licenciei-me em Publicidade e Marketing e trabalho há algum tempo na área do Marketing e da Criatividade Digital. No Ardinas 24, já escrevi e opinei, e sou agora autor da rubrica semanal Bonus Stage, um pequeno espaço sobre videojogos e o mundo do Gaming.

Seja o primeiro a comentar

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado.