Pride: na vanguarda LGBTI+

O mês de junho é, por tradição, o mês do Pride. O Orgulho LGBT é um fenómeno mundial, e em Portugal está a decorrer esta semana, compondo-se por campanhas contra a discriminação e eventos de divulgação da cultura das minorias sexuais. Para o restante da população, levanta-se a pergunta: onde surgiu este movimento?

Fazem marchas, arraiais, levantam no ar a bandeira do arco-íris e protestam por oportunidades, liberdades e, fundamentalmente, respeito. Os vários eventos daquilo a que se chama o Orgulho LGBT são dirigidos a lésbicas, gays, bissexuais e transgéneros, mas toda a gente pode participar e juntar a sua voz à deles.

O sucesso destas manifestações levou a que ideias como o casamento entre pessoas do mesmo sexo ou a adoção por casais homossexuais se tornassem realidade em diversos países. Noutros, o Pride está ainda a dar os primeiros passos, sinal do muito que há por fazer.

É na Alemanha que funciona o maior Pride da Europa, com programas que se prolongam por mais do que uma semana em diversas cidades do país, mas outras cidades da Europa possuem a sua própria festa. Fora do Velho Continente, destacam-se os Prides do Canadá e dos Estados Unidos, países onde o fenómeno se tornou popular e onde assentam as suas raízes.

 

Como tudo começou

Fotografia tirada numa manifestação em 1970, em Londres. (Foto: Wikimedia)

Foi nos idos anos de 1950-1960 que se generalizaram, na sociedade repressiva dos EUA, as organizações homofóbicas. Encontravam apoio na própria legislação do país, que negava os direitos mais básicos dos homossexuais. Estes, entretanto ganhando coragem e sentido de luta, começaram a reagir com pequenas manifestações anuais. Estes Annual Reminders começaram em 1965 e estavam sempre agendados para 4 de julho, justamente o dia em que os americanos festejam o Dia da Independência.

Nasceu o slogan “Gay is Good”, em 1968, e logo no ano seguinte o movimento de luta pelos direitos dos LGBT tornou-se maior e mais significante. Assim que, na noite de 28 de junho de 1969, a polícia entrou agressivamente num bar gay, em Nova Iorque, milhares saíram à rua para protestar contra o uso da violência. Aí surgiu uma necessidade: fazer eventos mais organizados, de maior dimensão, localizados numa mesma cidade, para que o impacto fosse maior. Isso é a génese dos vários Pride’s que hoje existem: um hino à liberdade, à igualdade e à humanidade.

Ao longo das últimas cinco décadas, as manifestações ganharam o respeito e consideração de políticos, governantes e de outros organismos na sociedade. Em Lisboa, por exemplo, a Câmara Municipal apoiou a Marcha de Orgulho LGBT deste ano, e até Ricardo Robles, Vereador da Ação Social da autarquia, desfilou entre a multidão.

A luta continua em vários países onde as marchas nem são consideradas legais. Nos últimos anos, as manifestações LGBT foram proibidas na Turquia por serem consideradas ameaças à ordem pública, e, em países do Médio Oriente, Ásia e África, a própria comunidade vê negados os direitos mais básicos. Mas tudo começou por esses problemas, há mais de 50 anos; e, em todo o mundo, o arco-íris aparece no céu por vezes.

Foto de capa: Cátia Serro / ARDINAS 24

Sobre Gonçalo Esteves Coelho 362 artigos
Sou um poço de contradições. Não gosto de falar mas sou jornalista. Adoro escrever mas cada vez leio menos. Sou sereno mas não consigo resistir a soltar a minha alegria quando escuto música popular. Não gosto do calor mas adoro o mar português, a sua frescura, o seu sal, as histórias que tem para nos contar. Odeio tomar decisões e, no entanto, sou o CEO deste projeto. Nasci em Lisboa, há 21 anos. O meu coração, vermelho e verde, bate por Portugal e por todos aqueles em cujas veias corre igual amor a este país, à nossa gente, à nossa cultura. Vivo perto de Sintra, esse livro de História a céu aberto, em cujos recantos gosto de me perder. Adoro museus, palácios, castelos e igrejas. Regressei ao Ensino Superior e lancei-me numa nova aventura, sem a qual não conseguiria realizar-me totalmente: o estudo da História. Em pequeno, havia quem me dissesse que iria ser jornalista. Também me diziam que deveria ser professor de História e que tinha tudo para ser um novo José Hermano Saraiva. Se calhar sou muito transparente naquilo de que gosto, ou então essas pessoas conheciam-me muito bem. Acertaram. O que virá depois eu não sei. Escolha que caminho escolher, terei de ser eu próprio. Sempre.

Seja o primeiro a comentar

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado.