Como iremos consumir em 2030? As 8 megatendências de Consumo

Com a Terra a girar à velocidade de um pião, torna-se cada vez mais difícil para as empresas manterem as suas vantagens competitivas a longo prazo. É neste cenário de meteóricos avanços tecnológicos e sociais, fugazes e aparentemente imprevisíveis, que a Euromonitor lança o relatório “Megatrend Analysis: Putting the Consumer at the Heart of Business”, onde tenta responder à questão: quais as megatendências de consumo para 2030? A empresa multinacional de market intelligence aponta assim as oito principais tendências mundiais que irão moldar o consumo nos próximos 12 anos.

A primeira destas tendências reflete-se a nível económico e trata-se da “Retração da Classe Média”. Espera-se um aumento do volume de vendas das discounts e prevê-se ainda o fenómeno da “Poupança Gloriosa”, caracterizado pelo facto de o consumidor celebrar como um feito cada compra de baixo custo. No entanto, com a polémica teoria da Obsolescência Programada, que afirma que os fabricantes encurtam propositadamente o ciclo de vida dos seus produtos, resta-nos perceber até que ponto as empresas irão apostar na durabilidade dos seus artigos.

Em 2030, podemos também esperar o reflexo de uma sociedade fortemente experimentalista. A tendência “Experienciar Mais” prevê que as pessoas priorizem as experiências face às aquisições. Os serviços irão ganhar terreno face aos produtos e a experiência de compra, já tão decisiva, será todavia mais determinante. Um exemplo atual desta realidade é o caso da perfumaria Jo Malone London, que dá a possibilidade ao consumidor de combinar fragâncias e de criar o seu próprio perfume.

Outra megatendência transformadora será a “Mudança das Fronteiras de Mercado”. Em mercados densos e saturados, como por exemplo o mercado chinês, irá verificar-se a deslocalização do tecido empresarial para cidades de média dimensão e, em consequência, observar-se-á uma nova geografia dos principais mercados.

A “Premiumisation” é mais uma tendência que se irá acentuar. Não sendo totalmente nova, trata-se de um movimento que leva os consumidores a pouparem consideravelmente naquilo que para eles é menos significativo para poderem gastar mais naquilo a que realmente dão importância. Quando o consumidor procura um produto ou serviço premium, mais do que satisfazer uma necessidade, ele deseja usufruir de uma experiência, de um momento especial.

Contrariamente, numa direção claramente altruísta e imaterialista, as megatendências “Viver Eticamente” e “Viver Saudavelmente” incidem, por um lado, sobre as preocupações sociais e ambientais e, por outro, sobre um estilo de vida saudável, zelando não só pelo bem-estar físico, mas também mental. Tendo em conta a presente realidade portuguesa, podemos observar a expansão da rede de supermercados Go Natural, marca que inicialmente vigorava apenas no setor da restauração, como um sinal de resposta à crescente procura por este estilo de vida saudável e íntegro.   

De acordo com Sarah Boumphrey, Director of Economies and Consumers da Euromonitor e coautora do relatório, em declarações ao ARDINAS 24, “estas megatendências já afetam os mercados europeus”, destacando-se a preocupação do consumidor com os princípios éticos das marcas. Adiantou-nos ainda que este “é um atributo cada vez mais procurado nos bens de consumo, sendo particularmente importante para as marcas premium” e “um pré-requisito para o seu sucesso no mercado”.

No que toca ao plano tecnológico e digital, as tendências de “Reinvenção da Compra” e “Consumidores Conectados” transportam-nos para uma realidade onde o consumidor, sempre ligado aos múltiplos dispositivos de que dispõe, procura a reinvenção do processo de compra para algo mais ágil e conveniente. Se refletirmos sobre as possibilidades que a realidade aumentada poderá trazer à experiência de compra, como já é o caso do conceito “Store of the Future” da Farfetch, onde a loja física dá lugar a uma experiência totalmente imersiva, ou nas possibilidades que o Wechat, a versão chinesa do WhatsApp, dá ao utilizador ao permitir-lhe pedir uma pizza através da aplicação, percebemos rapidamente as transformações que a tecnologia continuará a trazer às nossas vidas.

Após considerarmos todas estas previsões, percebemos a mais-valia que a análise destas tendências poderá revelar-se às empresas. Em entrevista ao ARDINAS 24, Zandi Brehmer, Head of Client Innovation da Euromonitor e também responsável pelo estudo, reconhece que ainda existem alguns fatores de resistência à aplicação desta análise: “Eu acredito que os principais fatores de resistência são ainda o facto de as empresas se deixarem intimidar pela grandeza dos dados e a dificuldade que têm em mudar de uma visão de curto-prazo para uma visão de 10 a 15 anos.” Contudo, salienta que “adotar a análise das megatendências é absolutamente necessário para alcançar ideias inovadoras mais fortes e assegurar a sobrevivência da empresa a longo-prazo.”

 
Foto por Matthew Henry de Burst

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