Software COAST prevê avanço do mar e dá soluções para o deter

O software COAST foi desenvolvido na Universidade de Aveiro (UA) e simula a evolução da linha de costa para as próximas décadas. Indica ainda quais as obras de defesa costeira que melhor se adequam a cada praia perante o avanço do mar nas zonas costeiras, que se tem verificado nas últimas décadas.

Nos últimos 20 anos o nível médio global do mar aumentou 3,2 milímetros por ano, aproximadamente duas vezes a velocidade média dos 80 anos anteriores. Ao longo do século passado, a queima de combustíveis fósseis entre outras atividades humanas libertou enormes quantidades de gases que retêm o calor na atmosfera, aumentando a temperatura da superfície da Terra. Os oceanos absorvem cerca de 80% desse calor adicional levando a uma expansão térmica da água dos oceanos e um degelo das calotes polares e mantos de gelo da Antártida e Gronelândia. Estes dois fatores contribuem para a acelerado aumento do nível médio da água do mar. O aumento do nível da água do mar tem efeitos devastadores nos habitats costeiros, podendo causar erosão, inundação de terras, contaminação do solo e perda de habitat para peixes, pássaros e plantas bem como para os humanos, uma vez que a maioria da população habita nas zonas costeiras dos países.

O software COAST, desenvolvido pela investigadora Márcia Lima do Departamento de Engenharia Civil (DECivil) da UA, permite prever os avanços do mar nas zonas costeiras nos próximos anos e sugerir medidas de prevenção tendo em conta custos e benefícios contra o avanço do mar nas zonas costeiras adequado a cada praia.

Márcia Lima e o orientador do Doutoramento Carlos Coelho

“Face à importância económica e social das zonas costeiras e aos problemas de erosão que enfrentam, é de antecipar um aumento dos investimentos necessários à realização e manutenção de intervenções de defesa costeira a curto e médio prazo”, refere a investigadora Márcia Lima.

O software COAST é composto por três ferramentas – projeção da evolução da linha de costa para diferentes cenários de intervenção; dimensionamento da intervenção quando o cenário contempla obras de defesa costeira e avaliação de custos e benefícios da intervenção – o COAST pretende ajudar não só os cientistas a estudarem a erosão costeira como também auxiliar os responsáveis pela proteção da costa na escolha da melhor estratégia para prevenir cenários catastróficos.

Pormenor do software COAST

“São várias as zonas críticas na costa portuguesa, nomeadamente, a zona do Furadouro, o troço entre a paria da Barra e Mira e a zona a sul da Figueira da Foz”, alerta ainda a investigadora. Nestas, como noutras zonas de possibilidade de erosão “as perdas económicas que podem advir no caso de não serem implementadas medidas de intervenção de defesa costeira são extremamente elevadas”.

As simulações com o COAST exigem um registo passado e outro atual da profundidade do mar e topografia (as características presentes num determinado território) do local de estudo, e ainda o estudo das ondas.

No entanto, alerta a cientista, “é grande a complexidade associada à escolha da melhor intervenção, uma vez que as soluções economicamente mais atrativas conduzem a maiores perdas de território”. Por outro lado, “as soluções que melhor ajudam a manter ou a ampliar o território são pouco atrativas do ponto de vista económico”. No entanto, a mais valia do COAST em relação a ferramentas já existentes é justamente o facto de permitir análises custo-benefício das intervenções.

Informação e fotos via Gabinete de Comunicação da Universidade de Aveiro, foto de destaque via Google cc.

Sobre Ana Margarida Pereira 77 artigos
Mulher das Ciências de diploma e aprendiz de Comunicadora de Ciência aventuro-me pelo mundo do Jornalismo - aqui no Ardinas escrevo na secção de Ciência. Os meus traços mais peculiares, fora a personalidade, para a maioria das pessoas, é viver na Amadora, ser alérgica à canela e apesar de não ter piada nenhuma querer ser comediante.

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